A expansão dos condomínios logísticos vem redesenhando o mapa econômico de diversas regiões do país. Impulsionado pelo avanço do comércio eletrônico, pela reorganização das cadeias de suprimentos e pela busca por operações mais próximas dos centros consumidores, o estoque brasileiro de galpões logísticos de alto padrão ultrapassou 38 milhões de metros quadrados em 2025, segundo dados da Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (ABRAINC).
O movimento tem levado empresas de logística, indústria e varejo a ampliar operações em cidades estrategicamente posicionadas ao longo dos principais corredores rodoviários do país, especialmente no interior de São Paulo, Sul de Minas Gerais, Rio de Janeiro e Santa Catarina.
Além de atender à crescente demanda por armazenagem e distribuição, esses empreendimentos vêm desempenhando papel cada vez mais relevante na geração de empregos, atração de investimentos e fortalecimento da infraestrutura local.
“A implantação de um condomínio logístico normalmente desencadeia um ciclo de desenvolvimento regional. Além dos empregos gerados durante as fases de construção e operação, há uma movimentação econômica que beneficia fornecedores, prestadores de serviço, restaurantes, transportadoras e diversos segmentos locais”, afirma Mariana Schilis, sócia da Fulwood.
Corredores logísticos
O crescimento do setor acompanha uma mudança na estratégia das empresas, que passaram a priorizar localizações com acesso rápido a rodovias, portos, aeroportos e grandes centros de consumo. Essa dinâmica tem fortalecido municípios situados em corredores logísticos estratégicos, ampliando sua capacidade de atrair centros de distribuição, operações industriais e investimentos imobiliários.
Em diversas regiões, a chegada de novos empreendimentos também estimula melhorias na infraestrutura viária e urbana. Ampliação de acessos rodoviários, reforço das redes de energia e novos investimentos públicos e privados costumam acompanhar a instalação de grandes ativos logísticos.
“O condomínio logístico muitas vezes funciona como um catalisador para o desenvolvimento local. A presença de um empreendimento moderno e bem localizado aumenta a atratividade da região para novos investimentos, fortalece a competitividade do município e contribui para a diversificação da economia”, avalia Mariana.
Mercado segue aquecido
A demanda por espaços logísticos permanece elevada. Levantamentos recentes do mercado imobiliário indicam que a vacância média dos condomínios logísticos brasileiros permanece próxima de 6%, enquanto alguns mercados da Grande São Paulo operam com índices próximos de 2%, refletindo a escassez de áreas bem localizadas e a forte procura por empreendimentos de padrão mais elevado.
O cenário acompanha uma tendência global. Estudo da CBRE aponta que os ativos logísticos se consolidaram entre os segmentos imobiliários mais demandados do mundo, impulsionados pela digitalização da economia, pela necessidade de entregas mais rápidas e pela busca por maior resiliência das cadeias de abastecimento.
Desenvolvimento além dos galpões
Para especialistas do setor, a relevância dos condomínios logísticos vai além da armazenagem. A presença desses empreendimentos influencia a ocupação planejada de áreas industriais, reduz pressões sobre centros urbanos consolidados e contribui para uma distribuição mais equilibrada das atividades produtivas. Questões como sustentabilidade, eficiência energética e integração com as comunidades do entorno também passaram a ganhar peso na avaliação de investidores e ocupantes.
Atualmente, a Fulwood possui mais de 20 empreendimentos em operação nos estados de São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Santa Catarina, somando mais de 1 milhão de metros quadrados sob gestão e taxa de ocupação integral.
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