A TransJordano iniciou uma estratégia de descarbonização baseada no uso de biometano e, simultaneamente, mantém a renovação de sua frota a diesel como parte de um modelo de transição energética gradual no transporte rodoviário de cargas. Segundo o fundador da TransJordano, João Bessa, a empresa negocia a aquisição de 100 caminhões Scania a diesel por meio do programa Move Brasil, ao mesmo tempo em que começa a operar um projeto financiado pelo Fundo Clima, do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que prevê a entrada de 100 veículos movidos a biometano.
O desenho da estratégia combina redução de emissões, renovação de frota e estruturação de infraestrutura própria de abastecimento. De acordo com Bessa, o biometano foi escolhido como principal alternativa por seu potencial de redução de emissões e por se tratar de uma solução já disponível em escala crescente no país. O empresário afirma que o combustível pode reduzir em até 95% as emissões de CO₂ em comparação ao diesel e representa hoje o principal vetor da estratégia ambiental da companhia.
O projeto com biometano foi estruturado a partir de recursos do Fundo Clima, do BNDES, que exigiu a criação de uma rede mínima de abastecimento para viabilizar a operação. A empresa, que já tinha pontos próprios de abastecimento, organizou um corredor logístico entre Ribeirão Preto, Sumaré e Cubatão, no interior e litoral de São Paulo.
A estrutura conta com três pontos de abastecimento e serve como base operacional da nova frota. Além disso, a TransJordano utiliza uma empresa do grupo, a Garage Log, para compartilhamento de infraestrutura, modelo que será expandido para outras transportadoras interessadas em operar com biometano.
Os 100 caminhões movidos a biometano serão entregues entre agosto e dezembro, em fases sucessivas que começam com dez unidades, seguidas por lotes de 30 veículos até a conclusão do programa. Os veículos são da Scania e operam na configuração 6×4, utilizada em rodotrens de nove eixos com capacidade de até 74 toneladas.
Além do impacto ambiental, a adoção do biometano é tratada pela empresa como uma alternativa de eficiência operacional. Segundo Bessa, o combustível permite redução média de 12% no consumo em relação ao diesel e pode gerar ganho de custo de aproximadamente 10%, embora ainda apresente preço superior em torno de 10% a 15% em comparação ao combustível fóssil.
A avaliação da companhia é que a viabilidade econômica tende a melhorar com a ampliação da oferta e da infraestrutura de abastecimento.
Dependência do diesel e contexto energético
Para o executivo, a dependência do diesel ainda é um dos principais entraves à descarbonização do transporte no Brasil, setor responsável por cerca de 65% da movimentação de cargas no país. Ele avalia que o avanço do biometano pode reduzir a exposição do setor a choques de preços e a eventos geopolíticos, além de ampliar a segurança energética da operação logística.
O Brasil, segundo ele, possui ampla disponibilidade de matéria-prima para produção de biometano, incluindo resíduos da pecuária, granjas, confinamentos, aterros sanitários e o setor sucroenergético.
Mesmo em um ambiente de juros elevados e custos operacionais pressionados, a TransJordano projeta crescimento de cerca de 20% no faturamento em 2026. O desempenho, segundo a empresa, está sustentado na gestão da frota, renovação constante de veículos e ganhos de eficiência operacional.
A adoção de combustíveis de baixa emissão ainda depende, na avaliação do executivo, de uma mudança cultural por parte dos embarcadores, que precisam priorizar soluções logísticas com menor pegada de carbono. Ele compara o momento atual à transição do mercado brasileiro para o etanol, que inicialmente enfrentou resistência e depois se consolidou como alternativa dominante em parte da frota.
A transição energética da TransJordano também está inserida em um planejamento de longo prazo que inclui sucessão familiar. A empresa já envolve a nova geração da família na operação e na estratégia, com foco na continuidade do negócio e na consolidação de um modelo de gestão mais estruturado.
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