O Terminal de Cargas (Teca) do Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos, movimentou mais de 342 mil toneladas de mercadorias em 2025, somando 167 mil toneladas nas importações e 175 mil toneladas nas exportações. O resultado representa um novo recorde para o complexo logístico, consolidando Guarulhos como a principal porta de entrada das cargas aéreas internacionais do país.
Segundo a GRU Airport, o terminal responde atualmente por 55% das importações aéreas brasileiras, índice que evidencia a concentração das operações de comércio exterior no aeroporto paulista. O complexo reúne 21 companhias cargueiras com voos diretos para os principais centros logísticos da América do Norte, Europa e Oriente Médio.
A liderança é explicada por uma combinação de fatores. Além da elevada conectividade internacional, o aeroporto está localizado próximo ao maior polo industrial e consumidor do país, concentrando operações de setores que dependem de rapidez e previsibilidade logística. Entre as principais cargas movimentadas estão medicamentos, equipamentos médicos, componentes eletrônicos, autopeças, produtos farmacêuticos, itens de alto valor agregado e mercadorias perecíveis.
Embora represente uma parcela relativamente pequena do volume transportado em relação aos modais rodoviário e marítimo, a carga aérea é responsável pelo transporte de produtos de maior valor agregado e elevada criticidade para a indústria e o comércio exterior. O modal é estratégico para o abastecimento de cadeias produtivas, especialmente em operações que exigem rapidez, controle de temperatura e elevado nível de segurança.
O desempenho acompanha o crescimento da carga aérea internacional no Brasil. Segundo dados da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), os aeroportos brasileiros movimentaram 673,6 mil toneladas de cargas no primeiro semestre de 2026, alta de 1,4% em relação ao mesmo período do ano anterior. A
s operações internacionais responderam por 448,2 mil toneladas, o equivalente a 66,5% de toda a movimentação, confirmando que o segmento continua sendo o principal motor da carga aérea brasileira.
infraestrutura
A infraestrutura do Teca reúne mais de 200 mil metros quadrados de área de armazenagem e opera ininterruptamente, 24 horas por dia. O complexo conta ainda com câmaras frias com capacidade de 33 mil metros cúbicos, além de instalações dedicadas ao armazenamento de cargas perigosas, produtos controlados e animais vivos.
Os investimentos no terminal fazem parte de um plano mais amplo de modernização do Aeroporto Internacional de Guarulhos. Em dezembro de 2025, a concessionária anunciou um programa de R$ 2,5 bilhões até 2029, destinado à ampliação da capacidade operacional, modernização da infraestrutura, reforço da segurança e preparação do aeroporto para o crescimento da demanda por passageiros e cargas.
Entre os projetos previstos estão os parques logísticos Aero I e Aero II, que terão acesso integrado entre as áreas terrestre e aérea (airside e landside), permitindo maior agilidade nas operações de carga e descarga, ampliação da capacidade de armazenagem e a criação de um novo fluxo de cargas nacionais e internacionais, fortalecendo Guarulhos como plataforma logística para a América do Sul.
O desempenho do terminal também passa a ser acompanhado em um cenário de maior incerteza para o comércio exterior. A entrada em vigor das novas tarifas anunciadas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros poderá alterar fluxos de importação e exportação, especialmente de mercadorias de maior valor agregado transportadas por via aérea. O impacto efetivo sobre a movimentação de cargas em Guarulhos, no entanto, ainda dependerá da evolução das negociações comerciais e da reação das empresas exportadoras.
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