O Grupo Protege triplicou os investimentos em cibersegurança nos últimos quatro anos, movimento que reflete uma mudança mais ampla na gestão de riscos de empresas de transporte de valores e segurança patrimonial. Com operações cada vez mais dependentes de sistemas digitais, a proteção contra ataques cibernéticos passou a ocupar posição estratégica para garantir a continuidade dos negócios.
A preocupação tem fundamento. Segundo relatório do FortiGuard Labs, da Fortinet, o Brasil registrou 753,8 bilhões de tentativas de ataques cibernéticos ao longo de 2025, consolidando-se como um dos principais alvos de criminosos digitais na América Latina. Apenas os incidentes relacionados à distribuição de malwares cresceram 535% em relação ao ano anterior.
O movimento acompanha a crescente digitalização dos serviços de transporte, logística e segurança. Sistemas de rastreamento, monitoramento remoto, telemetria, gestão de frotas, controle de acesso e vigilância eletrônica tornaram-se ativos críticos para empresas que dependem da disponibilidade contínua dessas ferramentas para operar.
Relatórios internacionais também mostram que setores ligados à infraestrutura crítica, transporte e serviços financeiros estão entre os principais alvos de ataques cibernéticos, especialmente aqueles voltados ao roubo de dados, paralisação de sistemas e sequestro de informações por meio de ransomware.
Nesse contexto, o Grupo Protege, que atua no transporte de valores e em soluções de segurança, realizou recentemente um aporte de R$ 3 milhões em cibersegurança, valor equivalente a 15% de todo o orçamento de tecnologia da informação da companhia.
Segurança digital ganha papel estratégico
A estratégia inclui uma parceria com a CrowdStrike, iniciada em 2022, para ampliar a proteção dos ambientes digitais que sustentam operações de logística de valores, monitoramento remoto e segurança eletrônica.
Segundo Alecsandro Rocha, gerente de Segurança Corporativa do Grupo Protege, a confiabilidade dos sistemas digitais passou a ser tão importante quanto a proteção física dos ativos.
“Nossas operações utilizam tecnologias como monitoramento remoto, sistemas de gerenciamento de frota e vigilância eletrônica, que dependem diretamente da proteção digital para funcionar com segurança”, afirma.
A empresa também reforçou a proteção dos dispositivos conectados à sua rede corporativa, incluindo computadores, equipamentos de monitoramento e sistemas utilizados nas operações, além de ampliar os mecanismos de controle de identidades digitais.
Impacto para logística e transporte
A crescente convergência entre segurança física e digital reflete uma tendência observada em diversos segmentos da logística. Transportadoras, operadores logísticos e empresas de infraestrutura vêm ampliando investimentos em proteção cibernética à medida que processos críticos passam a depender cada vez mais de sistemas conectados.
Segundo a Check Point Research, o setor de transporte e logística figura entre os dez segmentos mais atacados do mundo. Em média, empresas do setor sofrem mais de 1.100 tentativas de ataques cibernéticos por semana em escala global.
Uma interrupção em plataformas de rastreamento, monitoramento ou gestão de frota pode comprometer a visibilidade operacional, afetar a coordenação de equipes e impactar diretamente a prestação de serviços.
Segundo Ivan Burti, gerente de Segurança da Informação do Grupo Protege, a evolução das ameaças exige uma abordagem cada vez mais integrada.
“A colaboração com a CrowdStrike nos permite modernizar nossa defesa de endpoints e incorporar o monitoramento avançado de identidades, aspectos essenciais para nossa resiliência cibernética”, afirma.
A parceria também incluiu exercícios de simulação de incidentes envolvendo equipes de tecnologia e segurança corporativa, com foco na redução do tempo de resposta e no fortalecimento dos protocolos de continuidade operacional.
IA e nuvem ampliam desafios
A adoção crescente de tecnologias baseadas em inteligência artificial, computação em nuvem e automação vem ampliando a superfície de exposição das empresas a riscos digitais.
No caso da Protege, os próximos projetos incluem iniciativas voltadas à proteção de aplicações em nuvem e ambientes tecnológicos utilizados nos processos de transformação digital da companhia.
“A adoção acelerada de IA dentro do Grupo Protege apresenta novos desafios de governança e segurança. Nosso foco é equilibrar inovação e proteção, mitigando riscos sem comprometer a evolução tecnológica”, afirma Burti.
Para especialistas do setor, a tendência é que a segurança digital deixe de ser tratada apenas como uma função de tecnologia e passe a integrar, de forma definitiva, as estratégias de gestão de risco e continuidade dos negócios. Em operações que dependem de monitoramento em tempo real, comunicação permanente e rastreabilidade, proteger sistemas e dados tornou-se tão importante quanto proteger veículos, instalações e cargas.
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