Sem previsão oficial de reabertura após mais de 20 dias de interdição, o Sistema Integrado Cristo Redentor, principal corredor rodoviário entre Chile e Argentina, continua afetando o transporte internacional de cargas e pressionando as operações de comércio exterior entre Brasil e Chile.
O bloqueio, provocado pelas fortes nevascas, pelo elevado risco de avalanches e pelas condições extremas na Cordilheira dos Andes, interrompe um dos principais eixos logísticos da América do Sul utilizado por transportadoras brasileiras nas operações de importação e exportação.
O impacto vai além do transporte rodoviário. Brasil e Chile mantêm uma corrente de comércio superior a US$ 11 bilhões por ano, e o país andino figura entre os dez principais parceiros comerciais brasileiros, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). Nos últimos anos, os dois governos vêm adotando medidas para facilitar o comércio bilateral, como a modernização das regras de origem e a ampliação do uso de certificados eletrônicos, iniciativas voltadas justamente à redução de custos logísticos e da burocracia.
A importância da rota ajuda a dimensionar os impactos da paralisação. Em 2025, o Paso Cristo Redentor movimentou aproximadamente 427 mil caminhões e mais de 6,5 milhões de toneladas de cargas, passando a ser a principal ligação terrestre entre Chile e Argentina. O corredor também integra o eixo bioceânico utilizado por empresas brasileiras para acessar os portos chilenos no Oceano Pacífico, alternativa estratégica para operações com mercados da Ásia.
Leia mais:
- Quem vai comprar o caminhão a gás natural ou a biometano usado?
- “Se a MP do Frete caducar, paralisação será nacional”, afirma líder dos caminhoneiros
- Dinheiro parado: autônomos ignoram crédito do Move Brasil e revelam o verdadeiro problema
6,6 metros de neve
Segundo autoridades chilenas, aproximadamente 6,6 metros de neve permanecem acumulados em alguns trechos da cordilheira. Equipes de infraestrutura, Defesa Civil e do Exército do Chile seguem trabalhando na remoção da neve e no monitoramento das encostas, mas a reabertura depende da redução do risco de avalanches e das condições de segurança da rodovia.
Estimativas da NTC&Logística indicam que mais de dois mil caminhões permanecem retidos na província argentina de Mendoza à espera da reabertura da fronteira, entre eles centenas de veículos brasileiros. As cargas afetadas incluem veículos, autopeças, máquinas, equipamentos, produtos químicos, medicamentos, alimentos e outros produtos industrializados.
Segundo a entidade, os prejuízos acumulados pelas transportadoras já somam aproximadamente US$ 10 milhões, considerando os mais de 20 dias de interrupção das operações no corredor internacional.
Além dos atrasos nas entregas, as transportadoras acumulam custos com alimentação e hospedagem dos motoristas, combustível, permanência dos veículos parados e reprogramação das viagens. O bloqueio também aumenta a preocupação com o vencimento dos prazos dos regimes de trânsito aduaneiro, situação que pode gerar impactos administrativos e financeiros para empresas que atuam no comércio exterior.
Mesmo após a reabertura, a expectativa é de que a normalização das operações seja gradual. O grande volume de caminhões represados exigirá uma operação coordenada entre Chile e Argentina para liberar o fluxo de forma escalonada, processo que poderá levar vários dias, dependendo das condições meteorológicas.
Cooperação entre os países
Para Danilo Guedes, vice-presidente extraordinário de Relações Internacionais da NTC&Logística, a situação evidencia a vulnerabilidade dos principais corredores logísticos sul-americanos diante de eventos climáticos extremos e reforça a necessidade de maior coordenação entre os países.
“Estamos diante de uma situação absolutamente excepcional. O Sistema Cristo Redentor é um dos principais corredores logísticos da América do Sul e sua interrupção prolongada provoca impactos que vão muito além do atraso nas entregas. As transportadoras enfrentam aumento significativo dos custos operacionais, dificuldades relacionadas aos regimes aduaneiros e incertezas que afetam toda a cadeia de abastecimento. Sabemos que a segurança deve ser prioridade diante das condições climáticas extremas, mas esse cenário reforça a necessidade de uma atuação coordenada entre os governos, autoridades de fronteira e órgãos aduaneiros para minimizar os prejuízos e garantir maior previsibilidade ao transporte internacional de cargas.”
Segundo o executivo, além da retomada segura das operações, será fundamental a adoção de medidas excepcionais de coordenação entre os órgãos de fronteira e as autoridades aduaneiras para restabelecer o fluxo de cargas com maior agilidade e preservar a competitividade das cadeias produtivas da região.
Fique por dentro de todas as novidades do setor de transporte de carga e logística:
Siga o canal da Transporte Moderno no WhatsApp
Acompanhe nossas redes sociais: LinkedIn, Instagram e Facebook
Inscreva-se no canal do Videocast Transporte Moderno



