Os primeiros caminhões da JAC Motors destinados ao mercado brasileiro desembarcaram no país e começaram a ser distribuídos para a rede de concessionárias. O movimento marca a fase final da implantação da operação da fabricante chinesa no Brasil. Além disso, antecede o início das vendas em escala nacional e representa mais um passo da estratégia da empresa para disputar espaço em um mercado historicamente dominado por montadoras tradicionais.
A subsidiária brasileira, administrada diretamente pela matriz chinesa e com capital 100% próprio, inicia suas atividades com uma linha de caminhões entre 9 e 25 toneladas de peso bruto total (PBT), cobrindo desde o segmento de leves até o de semipesados. A meta é conquistar 3% de participação no mercado brasileiro de caminhões até o fim do terceiro ano de operação.

Em nota, Miguel Xun, diretor-geral da JAC Caminhões, afirma que a chegada dos primeiros veículos confirma o cumprimento do cronograma estabelecido para a entrada da marca no país. “Os primeiros caminhões já estão no Brasil e seguem para distribuição à nossa rede autorizada. Essa etapa demonstra que o projeto avança conforme o planejamento e nos permite acelerar os processos de treinamento, demonstração dos produtos e preparação das concessionárias para o início das vendas”, afirmou.
A empresa estruturou sua entrada no mercado com 15 grupos econômicos responsáveis por, pelo menos, 30 pontos de venda distribuídos pelos principais centros urbanos do país. A rede oferecerá serviços de vendas, assistência técnica, peças e pós-venda desde o início da operação.
A estratégia busca reduzir uma das principais barreiras enfrentadas por novas marcas no segmento de veículos comerciais: a confiança do transportador na manutenção e na disponibilidade de peças. Por isso, os caminhões chegarão equipados com motores Cummins e transmissões ZF, Eaton e Fast Gear, componentes já consolidados no mercado brasileiro.
Primeira fase tem foco no diesel
A primeira fase da operação será baseada na importação de caminhões a diesel desenvolvidos para atender às características do transporte rodoviário nacional. O portfólio inicial será composto pelos modelos N 9.170, N 13.210, A 18.290 e A 25.290, destinados a aplicações entre 9 e 25 toneladas de PBT técnico.
Embora a operação comece com veículos importados, a fabricante afirma que o Brasil ocupa posição estratégica em seus planos globais de expansão. A empresa pretende reproduzir no país, em um segundo momento, o modelo de montagem SKD (Semi Knocked Down) já adotado em outras 19 fábricas da companhia no exterior, desde que o mercado ofereça escala suficiente para viabilizar o investimento.
Além da eventual produção nacional, o planejamento prevê investimentos na expansão da rede de concessionárias, na estrutura de pós-venda, em engenharia local, capacitação técnica e desenvolvimento de fornecedores brasileiros. A subsidiária já conta com equipes próprias nas áreas comercial, engenharia, desenvolvimento de produtos e assistência técnica.
A chegada dos primeiros caminhões ocorre em um momento de aumento da presença de fabricantes chinesas no mercado brasileiro de veículos comerciais. Nos últimos anos, marcas asiáticas ampliaram investimentos no país de olho na renovação da frota nacional e na perspectiva de crescimento da demanda por caminhões, intensificando a concorrência em um setor tradicionalmente liderado por fabricantes europeias e norte-americanas.
Entre janeiro e junho, a Foton emplacou 1.745 veículos no Brasil, crescimento de 138% em relação ao mesmo período de 2025. O desempenho foi registrado em um semestre de retração do mercado brasileiro de caminhões no semestre, segundo dados da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), e reforça o avanço das novas entrantes em segmentos historicamente dominados por Mercedes-Benz, Volkswagen Caminhões e Ônibus, Iveco, Volvo e Scania.
A tendência já havia sido apontada pela Transporte Moderno na edição de abril, em reportagem que mostrou como marcas como Foton, JAC Motors, XCMG e outras fabricantes chinesas iniciavam uma segunda fase de expansão no Brasil, deixando de competir apenas por preço para investir em estrutura comercial, serviços e presença de longo prazo no mercado brasileiro.
Seja como for, as fabricantes chinesas passaram a disputar mercado por meio da expansão acelerada da rede de concessionárias, do fortalecimento do pós-venda e de investimentos em disponibilidade de peças — fatores que, durante anos, foram apontados como barreiras à consolidação dessas marcas no país.
Estratégia combina caminhões a diesel, elétricos e gás
Apesar da entrada no mercado brasileiro de caminhões começar com modelos a diesel, a JAC já possui uma trajetória consolidada no segmento de eletrificados no país. A operação de veículos elétricos permanece sob a liderança de Sérgio Habib, responsável pela estratégia da marca nesse mercado.
No primeiro semestre de 2026, a JAC liderou o mercado brasileiro de caminhões elétricos, com 98 unidades emplacadas, o equivalente a mais de 60% dos 162 caminhões elétricos vendidos no período. O desempenho colocou a fabricante chinesa à frente de concorrentes como Foton, Sany e Volkswagen Caminhões e Ônibus.
A atuação da marca em eletrificação inclui modelos voltados principalmente para operações urbanas e de distribuição, segmento em que a autonomia dos veículos se adapta melhor às rotas diárias e permite recarga programada nas bases das empresas.
Além dos elétricos, a JAC avança no mercado de combustíveis alternativos. A fabricante mantém parceria com a Greencargo, empresa especializada em soluções logísticas sustentáveis, em uma estratégia que amplia sua presença para além do diesel e da eletrificação.
Com isso, a entrada da JAC Caminhões no Brasil ocorre em duas frentes: a nova operação de caminhões a diesel, administrada diretamente pela matriz chinesa e com foco inicial em escala e participação de mercado, e a atuação em tecnologias de menor emissão.
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