A expansão das exportações brasileiras e a crescente complexidade das cadeias globais têm ampliado o papel das estruturas alfandegadas na estratégia logística das empresas. Nesse cenário, a AGESBEC, OEA – Operador Econômico Autorizado e tem a habilitação de CLIA (Centro Logístico Industrial Aduaneiro), anunciou investimentos de R$ 100 milhões e a ampliação de sua atuação em operações aduaneiras durante a Intermodal South America 2026.
Os aportes, realizados com capital próprio, estão direcionados à expansão da infraestrutura, novos projetos fora dos grandes centros e ao fortalecimento de soluções integradas de comércio exterior, incluindo cadeia fria, atuação no Terminal de Cargas de Guarulhos (TECA-GRU) e habilitação como Centro Logístico Industrial Aduaneiro (CLIA).
“Temos um plano bem agressivo de crescimento. Depois de 55 anos construindo essa operação, entendemos que agora é o momento de avançar com mais intensidade”, afirma Ricardo Drago, presidente da AGESBEC.
Exportações em alta reforçam demanda logística
O movimento ocorre em um momento de expansão do comércio exterior brasileiro. Em 2025, o país registrou exportações recordes de US$ 349 bilhões, com crescimento em volume e diversificação da pauta exportadora .
No primeiro trimestre de 2026, os embarques somaram cerca de US$ 82 bilhões, alta superior a 7% na comparação anual , indicando continuidade da demanda por soluções logísticas mais eficientes.
Apesar do desempenho, a estrutura exportadora ainda é concentrada: commodities representam cerca de dois terços das vendas externas, embora produtos industrializados venham ganhando participação .
É nesse ponto que, segundo Drago, há espaço para avanço. “Precisamos mostrar que a exportação é um caminho de geração de riqueza. Hoje, a maior parte das empresas ainda está focada apenas no mercado interno”, afirma.
Entreposto aduaneiro como ferramenta financeira
Um dos eixos da estratégia da AGESBEC é a ampliação do uso do entreposto aduaneiro, regime que permite armazenar mercadorias importadas com suspensão de tributos até sua nacionalização.
Na avaliação do executivo, trata-se de um instrumento subutilizado pelas empresas brasileiras. “É um fluxo de caixa sem custo. O empresário muitas vezes busca financiamento, quando já tem uma ferramenta aduaneira que pode financiar sua operação”, diz.
O avanço desse tipo de regime acompanha a necessidade de maior previsibilidade logística, especialmente em um ambiente de volatilidade cambial, aumento de custos e reconfiguração das cadeias globais.
A habilitação como CLIA amplia esse potencial ao permitir industrialização em zona secundária, agregando valor às mercadorias antes da internalização — movimento que pode contribuir para reduzir a dependência de exportações primárias.
A estratégia de crescimento da empresa passa pela criação de novos polos logísticos fora da Grande São Paulo, com foco em regiões menos atendidas pela infraestrutura tradicional.
“Estamos indo para lugares onde a logística não é tão estruturada, mas onde podemos ser percebidos como parte da solução”, afirma Drago. A expansão inclui projetos com vocação alfandegada, ainda que parte das unidades possa operar como centros de distribuição, dependendo da viabilidade regulatória e regional.
Cadeia fria e integração com cargas aéreas
Os investimentos também contemplam a ampliação da cadeia fria, voltada a segmentos como farmacêutico, alimentos e proteína animal — mercados que exigem controle rigoroso de temperatura, rastreabilidade e conformidade regulatória.
A operação envolve exigências de órgãos como a Agência Nacional de Vigilância Sanitária e o Ministério da Agricultura e Pecuária, além de integração com sistemas de fiscalização agropecuária.
Já a presença no TECA-GRU — responsável por mais de 50% das cargas aéreas internacionais do país — amplia a atuação na zona primária, com ganhos de agilidade, visibilidade e redução de riscos no fluxo logístico.
Regulação e competitividade ainda são entraves
Apesar do avanço institucional recente, com iniciativas de modernização da Receita Federal do Brasil, o executivo aponta a necessidade de maior integração entre setor público e privado. “Faltam marcos regulatórios mais claros e políticas estruturantes que deem segurança jurídica e competitividade ao setor”, afirma.
A leitura da companhia é de retomada gradual dos investimentos logísticos, mesmo em um ambiente global ainda instável. “Vimos um reaquecimento na Intermodal. As empresas voltaram a falar de projetos e expansão. Hoje, a manutenção das cadeias de suprimento pesa mais do que a espera por estabilidade”, diz Drago.
Com a ampliação da rede de unidades e o reforço em soluções aduaneiras, a AGESBEC busca se posicionar como um elo entre produção nacional e mercado internacional — em um momento em que eficiência logística e gestão de custos voltam ao centro da agenda empresarial.
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