A estatal portuária dos Emirados Árabes Unidos, a AD Ports Group, anunciou a aquisição do controle da Corredor Logística e Infraestrutura (CLI), operadora brasileira de terminais de granéis agrícolas nos portos de Santos (SP) e Itaqui (MA), em uma transação avaliada em US$ 835 milhões. O negócio representa a maior aquisição já realizada pela companhia árabe e marca sua entrada na América Latina.
Do valor total da operação, cerca de US$ 500 milhões correspondem à aquisição da empresa, enquanto o restante refere-se à assunção de dívidas. A conclusão da transação ainda depende da aprovação dos órgãos reguladores competentes.
A CLI opera dois ativos estratégicos para o escoamento da produção agrícola brasileira. No Porto de Santos, administra o terminal CLI Sul, um dos principais corredores de exportação de açúcar do país. Já no Porto do Itaqui, no Maranhão, controla o CLI Norte, localizado em uma das principais portas de saída do chamado Arco Norte, região que vem ampliando sua participação nas exportações brasileiras de soja e milho.
Segundo informações divulgadas pela AD Ports, os dois terminais movimentaram cerca de 17 milhões de toneladas de granéis agrícolas em 2025. A companhia pretende utilizar os ativos brasileiros para fortalecer sua rede logística global e ampliar os fluxos de comércio entre a América do Sul, o Oriente Médio, a Ásia e a África.
Estratégia vai além dos portos
Embora a aquisição tenha como foco imediato a expansão internacional da AD Ports, analistas do setor apontam que o movimento está alinhado a uma estratégia mais ampla adotada pelos países do Golfo Pérsico para ampliar sua participação em cadeias globais de abastecimento de alimentos.
Os Emirados Árabes Unidos dependem fortemente da importação de alimentos e vêm investindo nos últimos anos em ativos logísticos, armazenagem e infraestrutura portuária em regiões produtoras de commodities agrícolas. A aquisição da CLI oferece acesso direto a corredores estratégicos de exportação do agronegócio brasileiro, um dos principais fornecedores mundiais de soja, milho, açúcar e proteínas.
A operação também reforça uma tendência observada nos últimos anos de crescente participação de fundos soberanos e grupos estatais do Oriente Médio em ativos de infraestrutura logística ao redor do mundo, especialmente em portos, terminais e corredores de transporte ligados ao comércio internacional de commodities.
Para o setor portuário brasileiro, a chegada da AD Ports representa mais um movimento de internacionalização dos ativos logísticos nacionais, em um mercado que já conta com a presença de grandes operadores globais e investidores estrangeiros interessados em participar da expansão do comércio exterior brasileiro.
A AD Ports Group possui operações em mais de 50 países e administra uma ampla rede de portos, terminais, zonas econômicas e serviços logísticos integrados. A companhia está listada na Bolsa de Abu Dhabi e possui valor de mercado estimado em cerca de US$ 6 bilhões.
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