CNT e PRF defendem ampliação da segurança nos modais

Entidades apoiam PEC que amplia atuação da PRF e defendem integração de dados para combater crimes na logística.

Redação

A Confederação Nacional do Transporte (CNT) e a Polícia Rodoviária Federal (PRF) iniciaram discussões sobre os impactos da PEC da Segurança Pública para o setor de transporte, com foco na ampliação da atuação policial para ferrovias e hidrovias e na integração de dados para fortalecer o combate à criminalidade nos corredores logísticos.

O tema foi debatido em reunião realizada em Brasília entre representantes das duas instituições. O encontro marcou um primeiro alinhamento sobre os efeitos da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) nº 18/2025, que prevê maior integração entre os órgãos de segurança pública e amplia as atribuições da PRF, que poderá passar a se chamar Polícia Viária Federal.

Pela proposta, a corporação deixaria de atuar exclusivamente nas rodovias federais e passaria a exercer atividades de patrulhamento ostensivo também em ferrovias e hidrovias da União.

Segurança além das rodovias

A ampliação das competências da PRF é vista pelas entidades como uma resposta à crescente integração entre os modais de transporte e aos desafios de segurança enfrentados pelas cadeias logísticas.

Segundo José Roberto Barros, integrante do Projeto Estratégico da PEC da Segurança Pública na PRF, a corporação já mantém uma relação consolidada com o setor rodoviário, mas o novo cenário exige uma visão mais abrangente.

“Estamos estruturando um diagnóstico para compreender os desafios, as competências previstas e os impactos da proposta, e a contribuição da CNT é fundamental para trazer a perspectiva do setor transportador”, afirmou.

Integração de dados

Outro tema central da reunião foi a necessidade de ampliar a integração de informações entre órgãos públicos e agentes do setor de transporte para apoiar políticas de segurança mais eficientes.

Para a gerente-executiva Governamental da CNT, Danielle Bernardes, a falta de interoperabilidade entre as bases de dados ainda dificulta a identificação de áreas críticas e o direcionamento de ações preventivas.

“A CNT apoia a PEC desde o início porque os problemas de segurança atingem todos os modais de transporte. Hoje, um dos grandes desafios é justamente a integração dos dados. Sem dados integrados, torna-se mais difícil direcionar políticas públicas e identificar com precisão as regiões e os corredores que exigem mais atenção”, afirmou.

Na avaliação do consultor de Segurança Pública da CNT, Getúlio Bezerra, a ampliação da disponibilidade de informações estatísticas poderá contribuir tanto para a formulação de políticas públicas quanto para a gestão de riscos pelas empresas de transporte.

“Os dados consolidados são essenciais para orientar ações de segurança, planejamento operacional e prevenção. O setor tem se estruturado cada vez mais para fortalecer seus mecanismos de proteção, mas precisa contar com informações estatísticas mais acessíveis e organizadas”, destacou.

A expectativa das duas instituições é aprofundar a cooperação à medida que a tramitação da PEC avance no Congresso Nacional, especialmente nos temas relacionados à inteligência, estatísticas e proteção dos principais corredores logísticos do país.

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