Brasil pode liderar mercado global de SAF, afirma Alckmin

Vice-presidente destaca potencial brasileiro para produzir combustível sustentável de aviação e aponta oportunidade estratégica para a descarbonização do setor aéreo

Valeria Bursztein

O Brasil reúne condições para se tornar um dos principais polos globais de produção de combustível sustentável de aviação (SAF, na sigla em inglês), afirmou neste domingo (7) o vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, durante a 82ª Assembleia Geral Anual da Associação Internacional de Transporte Aéreo (Iata), realizada no Rio de Janeiro.

Segundo Alckmin, a combinação entre capacidade industrial, produção agropecuária, biodiversidade e experiência consolidada em biocombustíveis coloca o País em posição diferenciada na corrida global pela descarbonização da aviação.

“Somos um dos maiores produtores de biocombustíveis do mundo. Nossa agroindústria, nossa biodiversidade e nossa capacidade de pesquisa colocam o Brasil em posição privilegiada para liderar o desenvolvimento e a produção de combustíveis sustentáveis de aviação”, afirmou.

O vice-presidente destacou que a redução das emissões de carbono se tornou um dos principais desafios da indústria aérea mundial e avaliou que o Brasil pode desempenhar papel estratégico nesse processo.

“O Brasil pode ser, para a descarbonização da aviação, o que nenhum outro país do mundo pode ser: uma potência verde com capacidade industrial para transformar recurso natural em solução global”, declarou.

O país é apontado por especialistas como um dos países mais bem posicionados para atender essa demanda por reunir disponibilidade de biomassa, experiência consolidada na produção de biocombustíveis, matriz elétrica de baixa emissão e uma das maiores agroindústrias do mundo.

Potencial de produção

A avaliação também é compartilhada pela Iata. A entidade estima que o Brasil tenha potencial para produzir até 60 milhões de toneladas de SAF em 2050, apoiado por iniciativas como o RenovaBio, a Lei do Combustível do Futuro, a Política Nacional de Transição Energética e o Programa de Aceleração da Transição Energética.

Além de abastecer o mercado doméstico, a associação considera que o país poderá se consolidar como exportador de SAF e de matérias-primas destinadas à produção do combustível em outras regiões do mundo.

A expansão da produção é considerada estratégica para a aviação mundial. A meta do setor é alcançar emissões líquidas zero até 2050, e a própria Iata estima que cerca de 65% da redução necessária para atingir esse objetivo dependerá da adoção em larga escala do combustível sustentável.

Apesar das perspectivas para países produtores como o Brasil, a oferta global de SAF permanece distante das necessidades da indústria. A Iata projeta que a produção mundial alcance aproximadamente 2,4 milhões de toneladas em 2026, volume equivalente a apenas 0,8% do consumo total de combustível da aviação comercial.

Desafios da aviação

Ao abordar o cenário internacional, Alckmin afirmou que a aviação enfrenta desafios que extrapolam fronteiras nacionais e exigem cooperação entre governos, fabricantes, companhias aéreas e fornecedores.

Entre os principais obstáculos, citou a volatilidade dos preços dos combustíveis, os gargalos ainda presentes nas cadeias globais de suprimentos, a pressão por redução de emissões e a escassez de mão de obra qualificada em diversos mercados.

“O custo do combustível permanece elevado e volátil. As cadeias de suprimento ainda carregam as cicatrizes da pandemia. A pressão por descarbonização é crescente, legítima e urgente. E a escassez de mão de obra qualificada ameaça a capacidade operacional em vários mercados”, afirmou.

Medidas para o setor aéreo

O vice-presidente também destacou iniciativas adotadas pelo governo federal para ampliar a competitividade da aviação brasileira. Entre elas estão a redução a zero das alíquotas de PIS/Cofins sobre o transporte aéreo regular de passageiros e a redução gradual do Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) incidente sobre operações de leasing de aeronaves.

Segundo ele, as medidas já proporcionaram economia de centenas de milhões de reais às companhias aéreas. Alckmin ressaltou ainda a inclusão da indústria aeronáutica entre os setores estratégicos da política Nova Indústria Brasil e a adesão do País ao acordo sobre comércio de aeronaves civis da Organização Mundial do Comércio (OMC).

“É uma decisão que nos coloca ao lado dos grandes produtores na governança do mercado aeronáutico global”, afirmou.

Aviação regional

Durante o discurso, o vice-presidente reforçou a importância da aviação regional para a integração do território nacional. Como exemplo, citou o programa Ampliar, iniciativa que prevê a incorporação de até 102 aeroportos regionais aos contratos de concessão existentes.

A expectativa do governo é que o programa viabilize mais de R$ 3,4 bilhões em investimentos na infraestrutura aeroportuária regional, ampliando a conectividade aérea e o acesso ao transporte em regiões menos atendidas do país.

Segundo Alckmin, o governo federal trata a aviação como uma política de Estado diante do potencial de crescimento do mercado brasileiro. “Temos uma classe média vigorosa e uma geografia que torna o avião não um luxo, mas uma necessidade”, concluiu.

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