Brasil atrairá R$ 372 bi em investimentos em infraestrutura até 2029, apontam especialistas

O valor é impulsionado pela ampliação das concessões em rodovias, ferrovias e mobilidade urbana

Aline Feltrin

O Brasil está prestes a vivenciar um novo ciclo de investimentos em infraestrutura, que pode representar uma virada para o setor logístico nacional. Durante o Painel 2025 – Pacto pela Infraestrutura Nacional e Eficiência Logística, promovido pelo Instituto Besc, especialistas e autoridades do setor discutiram as projeções para os próximos anos e as estratégias necessárias para superar os gargalos logísticos que ainda impedem o pleno desenvolvimento do país.

De acordo com o evento, o Brasil deverá atrair R$ 372 bilhões em investimentos privados em infraestrutura entre 2025 e 2029. O valor é impulsionado pela ampliação das concessões em rodovias, ferrovias e mobilidade urbana. Segundo Marcelo Perrupato, mediador do painel “Visão de Longo Prazo: as Concessões” e representante da Magna Participações, o papel do capital privado será crucial para o avanço do setor. Para ele, a previsibilidade regulatória e a segurança jurídica são fundamentais para destravar esses investimentos, com destaque para o setor rodoviário, que deverá receber cerca de R$ 288 bilhões.

Oportunidades no Rio Grande do Sul

Clóvis Magalhães, secretário adjunto de Logística e Transportes do Governo do Rio Grande do Sul, apresentou durante o evento um plano ambicioso para a concessão de 1,3 mil quilômetros de rodovias no estado, com aportes de R$ 10 bilhões. Além disso, foram mencionados novos projetos ferroviários e aeroportuários regionais, que visam não apenas aumentar a capacidade logística, mas também integrar o estado ao restante do país de forma mais eficiente.

Magalhães ainda ressaltou a necessidade de incorporar o risco climático no planejamento das concessões. A questão tem ganhado relevância após os recentes eventos climáticos extremos no Sul do Brasil, que impactaram a infraestrutura do estado e trouxeram à tona a importância de soluções adaptáveis a essas mudanças.

Um dos momentos mais inovadores do Painel 2025 foi a apresentação do aeromóvel, uma tecnologia de transporte 100% brasileira e sustentável. Humberto Neiva, da Aerom Mobilidade Sustentável, mostrou como o sistema já opera em Porto Alegre e será implantado no Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo. O aeromóvel, que conecta os terminais do aeroporto à estação de metrô em apenas seis minutos, consome 90% menos energia em relação a outros modais elétricos. Para Neiva, a inovação é uma das principais chaves para superar os desafios logísticos do país, oferecendo soluções mais rápidas, eficientes e sustentáveis.

Integração multimodal

Outro ponto forte do evento foi a discussão sobre inteligência logística e integração multimodal, que busca melhorar a conectividade entre rodovias, ferrovias, portos e terminais aduaneiros. Everaldo Fiatkoski Júnior, do Porto Seco Centro-Oeste, destacou o projeto da Ferrogrão, uma ferrovia estratégica para conectar o Centro-Oeste aos portos do Arco Norte. Segundo ele, esse projeto é essencial para reduzir os custos de transporte e aumentar a competitividade do agronegócio brasileiro.

Gabriel Toscano Bandeira, da Infra S.A., apresentou o Plano Nacional de Logística 2050, que propõe um modelo de transporte mais equilibrado, com maior participação de ferrovias e hidrovias, e uma redução da dependência do modal rodoviário. Hoje, o transporte rodoviário representa 63% do total de cargas no Brasil, o que impõe elevados custos logísticos e contribui para a falta de competitividade no setor.

Planejamento de longo prazo

O consenso entre os especialistas presentes no evento é claro: o Brasil precisa investir em planejamento de longo prazo e na integração dos diversos modais de transporte. Sem uma abordagem estratégica e inovadora, o país continuará enfrentando os gargalos logísticos que aumentam os custos de produção e reduzem a competitividade de suas empresas no mercado global.

A discussão aberta no PAINEL 2025 deixou claro que, para transformar a infraestrutura do Brasil, é necessário não apenas aumentar os investimentos, mas também adotar novas tecnologias e soluções sustentáveis, além de uma maior colaboração entre setor público e privado. Sem esses avanços, o Brasil continuará a ser refém de um sistema logístico ineficiente e dispendioso.

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