Pecém acelera expansão com Transnordestina e eletrificação de navios

Porto terá shore power em setembro e prepara infraestrutura de R$ 1,3 bilhão para receber cargas da ferrovia a partir de 2028

Valeria Bursztein

O Porto do Pecém, no Ceará, prepara uma transformação que combina expansão da capacidade logística e descarbonização das operações. Enquanto avança nas obras para receber as cargas da Transnordestina a partir de 2028, o terminal prevê colocar em operação, já em setembro, um sistema de fornecimento de energia elétrica para navios atracados, permitindo que as embarcações desliguem seus motores auxiliares a diesel durante a permanência no cais.

O projeto de shore power representa investimento de R$ 13,2 milhões e está sendo implantado no Terminal de Múltiplas Utilidades (TMUT). A infraestrutura atenderá também aos guindastes móveis MHC, atualmente movidos a diesel.

A previsão de entrada em operação do sistema em setembro foi originalmente publicada pela agência chilena MundoMarítimo e confirmada pela Agência Transporte Moderno em informações divulgadas pelo Complexo do Pecém sobre o cronograma do projeto.

Segundo o porto, a substituição dos motores a diesel pela eletricidade durante as escalas poderá evitar a emissão de aproximadamente 796 toneladas de CO₂ por ano. Além da redução dos gases de efeito estufa, a conexão em terra diminui emissões locais de poluentes e ruídos provocados pelo funcionamento dos motores auxiliares.

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Energia renovável chega aos navios

A implantação do shore power é uma etapa de um processo de eletrificação iniciado antes da chegada da tecnologia aos navios. Aproximadamente 65% das movimentações portuárias do Pecém já utilizam equipamentos elétricos.

A energia consumida pelo porto é adquirida no mercado livre por meio de contrato de R$ 41 milhões, com duração de cinco anos, firmado com a Casa dos Ventos. O fornecimento conta com certificação internacional I-REC, que permite rastrear a origem renovável da eletricidade.

O contrato entrou em vigor em 2024 e foi estruturado não apenas para o abastecimento das operações existentes, mas também para sustentar a ampliação da eletrificação do terminal.

A mudança ganha relevância porque os navios normalmente mantêm motores auxiliares funcionando enquanto permanecem atracados. Esses equipamentos fornecem energia para sistemas de bordo, refrigeração, iluminação e outros serviços. Com o shore power, essa demanda passa a ser atendida pela rede elétrica em terra enquanto a embarcação estiver conectada.

Transnordestina muda escala da operação

Ao mesmo tempo em que eletrifica o cais, o Pecém se prepara para uma mudança de escala no acesso terrestre ao porto. Em junho começaram as obras do Terminal de Uso Privado (TUP) da Nordeste Logística (Nelog), em parceria com a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), destinado à conexão com a Ferrovia Transnordestina.

O investimento previsto é de R$ 1,3 bilhão, com início das operações projetado para 2028. A expectativa inicial era movimentar cerca de 6 milhões de toneladas no primeiro ano. O projeto mais recente prevê capacidade operacional crescente até alcançar 30 milhões de toneladas anuais.

O terminal terá aproximadamente 84 hectares e receberá grãos, minérios, fertilizantes, carga geral e contêineres. A primeira fase das obras inclui uma ponte para descarga de minério, um viaduto ferroviário e uma moega para descarga de grãos.

A ferrovia terá 1.206 quilômetros entre Eliseu Martins, no Piauí, e Pecém, atravessando 53 municípios. A primeira fase estava com cerca de 82% de execução em junho, segundo informações divulgadas pelo Complexo do Pecém. A conclusão desse trecho está prevista para 2027, antes da entrada em operação do novo terminal logístico.

O projeto cria uma alternativa ferroviária para cargas originadas no interior do Nordeste, particularmente grãos do Matopiba, além de minérios, fertilizantes e outros produtos destinados à exportação ou ao mercado interno.

Pecém movimentou 20,9 milhões de toneladas

A expansão ocorre sobre uma base que já vem crescendo. O Porto do Pecém movimentou 20,96 milhões de toneladas em 2025, avanço de 7% sobre o ano anterior. A movimentação de contêineres alcançou o recorde de 706,5 mil TEUs, crescimento de 27%.

As operações de longo curso somaram 9,6 milhões de toneladas, alta de 19%. O desempenho aumenta a importância dos projetos de expansão previstos para os próximos anos, sobretudo diante do volume adicional que poderá chegar ao porto pela Transnordestina.

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