A Log-In Logística Integrada quer ampliar sua participação na cabotagem atraindo cargas que hoje percorrem predominantemente as rodovias brasileiras. A estratégia passa pela combinação do transporte marítimo com distribuição rodoviária e armazenagem e ganha força no Nordeste, região que já concentra quase 70% da cabotagem da companhia.
O mercado potencial é amplo. As rodovias respondem por cerca de 65% do transporte de cargas no Brasil e essa participação chega a aproximadamente 85% quando minérios e combustíveis são excluídos da matriz. Segundo dados da Confederação Nacional do Transporte (CNT) citados pelo Ministério de Portos e Aeroportos, até 65% das cargas transportadas no país poderiam utilizar a cabotagem em alguma etapa de sua movimentação.
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É nesse desequilíbrio da matriz de transportes que a Log-In identifica espaço para ampliar a cabotagem, sobretudo em fluxos de longa distância nos quais o caminhão ainda responde por todo o percurso.
“Com serviços regulares de grande capacidade, como o SEA (Serviço Expresso Amazonas) e o SAS (Serviço Atlântico Sul), buscamos também atrair cargas que hoje utilizam predominantemente o modal rodoviário e explorar sinergias entre os diferentes modais, incluindo o ferroviário”, afirma Felipe Gurgel, diretor executivo de Navegação da Log-In Logística Integrada.
A estratégia envolve a Tecmar, empresa de transporte rodoviário adquirida pela Log-In em 2021, para conectar as pontas terrestres da operação aos serviços marítimos.
Rodovia ainda domina matriz
A ofensiva coincide com a expansão do transporte marítimo de cargas entre portos brasileiros. Em 2025, a cabotagem movimentou 303,7 milhões de toneladas, crescimento de 3,4% sobre o ano anterior, segundo a Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq).
Os contêineres também avançaram. A movimentação portuária brasileira de cargas conteinerizadas atingiu 15,3 milhões de TEUs em 2025, dos quais 4,8 milhões foram transportados por cabotagem.
A dimensão do mercado total, entretanto, precisa ser relativizada. Uma parcela expressiva da cabotagem brasileira em toneladas é composta por petróleo e outros granéis. Para empresas como a Log-In, voltadas principalmente à movimentação de contêineres, a disputa envolve sobretudo cargas industrializadas e de consumo que podem migrar de longas viagens rodoviárias para operações combinando caminhão e navio.
Nordeste concentra quase 70% da cabotagem da Log-In
O Nordeste ocupa posição central nessa estratégia. A região movimentou 60,7 milhões de toneladas por cabotagem em 2025, ante 60,3 milhões no ano anterior, de acordo com a Antaq.
Desse total, 12,5 milhões de toneladas foram cargas conteinerizadas. Bahia movimentou 15,3 milhões de toneladas por cabotagem; Ceará, 12,9 milhões; e Pernambuco, 12,8 milhões. Os três estados concentram justamente as escalas regulares e semanais da Log-In em Salvador, Pecém e Suape.
“O Nordeste sempre teve um papel estratégico na operação da Log-In. Essa relevância é sustentada por uma operação consolidada”, afirma Gurgel. Segundo o executivo, a frequência das escalas aumenta a conectividade da região com outros mercados brasileiros e com o Mercosul e permite atender diferentes cadeias produtivas.
Regularidade vira arma para disputar carga rodoviária
Convencer um embarcador a transferir uma carga do caminhão para a cabotagem, entretanto, depende de fatores que vão além do preço.
No transporte rodoviário, a operação pode ser organizada com maior flexibilidade de horários e rotas. Na cabotagem, frequência, tempo de trânsito e cumprimento das escalas tornam-se determinantes, principalmente para cargas com estoques e prazos de entrega mais apertados.
A Log-In atingiu 98% de aderência ao schedule de navegação no primeiro trimestre de 2026. A companhia não informou qual era o indicador há dois ou três anos, o que impede dimensionar a evolução no período.
Segundo Gurgel, o resultado atual decorre de mudanças na gestão operacional, no planejamento das viagens e nos processos adotados pela companhia.
Um dos serviços usados nessa estratégia é o SEA, em operação desde abril de 2023 e que passou a contar com escala em Suape em 2025. Atualmente, a Log-In realiza o percurso entre Manaus e Santos em cerca de dez dias.
A companhia também opera uma rota entre Santa Catarina e Salvador, que, segundo Gurgel, oferece o menor transit time do mercado, além do SAS, que conecta portos brasileiros às operações no Mercosul.
Tecmar amplia capacidade em Salvador
A expansão da estrutura terrestre complementa a estratégia marítima. Em Salvador, a Tecmar transferiu sua operação de um módulo de aproximadamente 3,8 mil metros quadrados para uma unidade com 6,8 mil metros quadrados de área total, dos quais 5,7 mil metros quadrados são destinados à armazenagem.
A nova instalação conta com 1.240 posições porta-paletes e 14 docas para carga e descarga. A operação realiza, em média, 5.450 entregas e dispõe de 19 veículos próprios para distribuição e outros 35 agregados.
Segundo Clóvis Severino, diretor executivo da Tecmar, a expansão foi motivada pela necessidade de aumentar a capacidade operacional na capital baiana.
“A empresa passou a operar em uma estrutura maior, permitindo ampliar a capacidade de armazenagem, aumentar a eficiência operacional e oferecer mais flexibilidade para acompanhar o crescimento das demandas dos clientes na região”, afirma.
Medicamentos, cosméticos, eletroeletrônicos, confecção e calçados estão entre as cargas atendidas, além de produtos destinados à indústria e ao varejo. A empresa não informou o valor investido na nova estrutura.
Integração vira diferencial na cabotagem
A aposta na integração entre os modais ocorre também em um ambiente de maior oferta de serviços de cabotagem no Brasil. Para Gurgel, o aumento da concorrência é positivo para o desenvolvimento do mercado, mas exige diferenciação para conquistar os embarcadores.
“Nossa estratégia para ampliar a participação no mercado está baseada na oferta de serviços regulares, com rotas e transit times competitivos, aliada a soluções que conectam cabotagem, transporte rodoviário e armazenagem”, afirma.
A Tecmar vem ganhando peso nessa equação. Em 2025, a empresa movimentou 5,2 mil TEUs em operações de rodo-cabotagem, crescimento de 39% em relação ao ano anterior.
Agora, o desafio da Log-In é transformar a integração entre navio, caminhão e armazenagem em argumento para convencer mais embarcadores a rever a forma como transportam suas cargas em longas distâncias — e disputar parte de um mercado que permanece fortemente concentrado nas rodovias.
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