Só 20% veem ganhos relevantes com IA na logística, diz BCG

Estudo mostra que empresas com planejamento mais maduro alcançam previsões até 25% mais precisas na cadeia de suprimentos

Redação

Apesar do avanço da inteligência artificial nas cadeias de suprimentos, apenas um em cada cinco líderes afirma obter ganhos significativos com aplicações avançadas da tecnologia. A conclusão é de um estudo do Boston Consulting Group (BCG), realizado com mais de 180 executivos de diferentes indústrias e regiões, que aponta a maturidade dos processos de planejamento — e não apenas a adoção de IA — como principal fator para melhorar o desempenho logístico.

Segundo a pesquisa Supply Chain Planning 2026: Why AI Alone Isn’t Enough, somente cerca de 20% dos entrevistados disseram que recursos como motores de otimização, automação e inteligência artificial entregaram valor relevante para suas operações. Quando o recorte considera aplicações de inteligência artificial generativa e agentes autônomos, esse percentual cai para apenas 7%.

Na avaliação da consultoria, os resultados indicam que os investimentos em IA tendem a produzir impacto limitado quando não são acompanhados por processos estruturados, governança de dados e integração entre as diferentes áreas da empresa.

“A maturidade do planejamento tem forte correlação com o desempenho dos negócios. Empresas que planejam melhor conseguem prever a demanda com pelo menos 25% mais precisão do que organizações menos maduras, reduzindo estoques, perdas e melhorando o nível de serviço ao cliente”, afirma Aline Ribeiro, diretora executiva e sócia do BCG.

Desafio da previsibilidade

O levantamento mostra que a imprecisão das previsões continua sendo o principal obstáculo para os líderes de supply chain, citada por 78% dos entrevistados. Em seguida aparecem a volatilidade da demanda (70%), os impactos da geopolítica e do comércio internacional (64%) e a volatilidade da oferta (62%).

Ao mesmo tempo, mais de 70% das empresas já investiram em sistemas avançados de planejamento (APS), mas os resultados permanecem desiguais. Para o BCG, organizações que tratam os dados como um ativo estratégico, com padrões de governança e processos consolidados, conseguem extrair mais valor das ferramentas de inteligência artificial do que aquelas que concentram seus esforços apenas na tecnologia.

O estudo também aponta que o planejamento da cadeia de suprimentos ganhou protagonismo nas decisões corporativas. Mais de 90% dos executivos afirmam depender dessa atividade para gerenciar prioridades, responder às incertezas do mercado e apoiar a tomada de decisão estratégica.

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