Hapag-Lloyd e CMA CGM anunciaram reajustes de US$ 1.000 por contêiner em rotas da Ásia para a América Latina, com vigência prevista para 15 de outubro. Os aumentos alcançam a costa leste sul-americana, onde estão os portos brasileiros, em um ano de expansão das importações conteinerizadas do país.
Segundo o DataLiner, da Datamar, o volume de cargas importadas pelo Brasil em contêineres cresceu 9,2% entre janeiro e julho, na comparação com o mesmo período de 2025. Os recebimentos provenientes da China, principal origem dessas mercadorias, avançaram 21,6%. Somente em julho, as importações conteinerizadas totais aumentaram 13,3%.
A notícia dos reajustes foi publicada originalmente pela agência Mundo Marítimo. Os anúncios representam aumentos pretendidos pelos armadores, cuja aplicação efetiva dependerá das condições de mercado e das negociações com os clientes.
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Reajuste não corresponde ao frete total
Em comunicado publicado em 24 de setembro, a CMA CGM confirmou o acréscimo de US$ 1.000 por contêiner para embarques a partir de 15 de outubro. A medida abrange todos os portos asiáticos, incluindo Japão, Sudeste Asiático e Bangladesh, com destino às duas costas da América do Sul, América Central, México e Caribe.
O aumento inclui cargas secas, refrigeradas, cargas que excedem as dimensões padrão dos equipamentos e contêineres vazios sujeitos ao pagamento de frete. A companhia informa que cobranças de combustível, movimentação nos terminais, segurança e outras despesas podem ser aplicadas separadamente. Portanto, os US$ 1.000 são o acréscimo anunciado, não o valor total do transporte.
Já a Hapag-Lloyd prevê o mesmo reajuste para contêineres de carga seca de 20 e 40 pés e equipamentos refrigerados de 40 pés utilizados com a refrigeração desligada, conhecidos como NOR. Os destinos incluem ambas as costas sul-americanas, a costa oeste do México, América Central e Caribe. Para os NOR destinados ao Caribe, a tarifa permanece inalterada.
Veículos e autopeças lideram importações
Os dados da Datamar mostram crescimento de categorias ligadas ao abastecimento industrial. Veículos e autopeças lideraram as importações brasileiras em contêineres entre janeiro e julho, com volume 41,4% superior ao de um ano antes. Na sequência apareceram plásticos, com alta de 8,3%, e reatores, caldeiras e máquinas, com avanço de 3,3%.
Esses números dimensionam a demanda brasileira por transporte conteinerizado, mas não explicam, isoladamente, os reajustes previstos para outubro. O levantamento cobre os sete primeiros meses do ano e não mede os preços dos fretes.
O cenário também varia conforme a rota. O índice global de fretes da Drewry caiu 1% na semana encerrada em 1º de outubro, para US$ 4.434 por contêiner de 40 pés. As ligações de Xangai com Gênova e Roterdã acumularam 12 semanas consecutivas de queda.
O recuo nessas rotas não indica, por si só, redução dos custos de transporte para o Brasil. Na ligação com a América Latina, os armadores tentam elevar as tarifas e será necessário acompanhar as cotações após 15 de outubro para verificar quanto dos aumentos anunciados será incorporado aos fretes contratados.
O anúncio, porém, não garante que o aumento será aplicado integralmente. O preço final dependerá da procura por embarques, do espaço disponível nos navios e das negociações com os clientes. Para os importadores, a questão é quanto desse reajuste chegará às próximas contratações de transporte.
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