O mercado brasileiro de caminhões acima de 15 toneladas deve encerrar 2026 em um patamar inferior ao do ano passado, mas ainda em um nível considerado elevado pela DAF. A estimativa de Luiz Carlos Gambim, diretor comercial da montadora, é de vendas entre 80 mil e 82 mil unidades neste ano, ante cerca de 86 mil em 2025. Para 2027, a expectativa é de manutenção desse volume.
“Eu também aposto no mesmo volume. Acima de 16 toneladas”, afirmou Gambim durante entrevista a jornalistas especializadas na IAA Transportation 2026. Para o executivo, apesar da retração em relação ao ano passado, o mercado continua em um patamar relevante.
A avaliação leva em conta a trajetória histórica do setor. Segundo Gambim, o mercado brasileiro de caminhões pesados e semipesados já chegou a registrar volumes próximos de 45 mil unidades. Nesse contexto, uma demanda anual de 80 mil a 82 mil veículos ainda representa um mercado significativo para as montadoras.
O principal problema, porém, está na rentabilidade. Segundo Gambim, o aumento dos custos de produção não foi acompanhado na mesma proporção pelos preços dos caminhões, comprimindo as margens das fabricantes. “Desapareceram as margens de caminhões”, afirmou.
A pressão sobre a rentabilidade também limita a capacidade das montadoras de oferecer condições financeiras mais agressivas aos clientes. Gambim cita como exemplo o impacto de uma redução de taxa de financiamento de 1,30% para 1,10%: segundo ele, a diferença pode representar cerca de R$ 50 mil no custo de um caminhão.
“Você não tem mais” essa margem para subsidiar a taxa, afirmou o executivo. O cenário torna a negociação entre preço do veículo, condições de financiamento e margem da montadora mais complexa.
Além do custo do dinheiro, a DAF acompanha com atenção a situação financeira dos transportadores e das empresas que compõem a cadeia de transporte. Gambim afirma que a inadimplência está elevada e que o número de recuperações judiciais também aumentou. Segundo ele, empresas com décadas de atuação no mercado brasileiro estão enfrentando dificuldades financeiras.
O cenário afeta diretamente a capacidade de renovação das frotas. Mesmo quando existe necessidade de substituir veículos mais antigos, as condições de crédito podem dificultar a decisão de compra. Para 2027, entretanto, Gambim trabalha com a possibilidade de que uma melhora na visibilidade econômica ajude a sustentar a demanda. O executivo não projeta uma expansão significativa do mercado, mas considera que há espaço para manutenção do volume.
A manutenção desse nível de demanda, segundo Gambim, não dependerá apenas das condições de crédito. Questionado sobre o mercado mesmo sem o programa de renovação de frotas Move Brasil, o executivo afirmou: “Eu acho que o brasileiro terá que criar alternativas”.
Demanda represada
Um dos fatores que sustentam essa perspectiva é a demanda represada por renovação de frota. Parte dos transportadores postergou a substituição dos caminhões diante do custo dos financiamentos e da maior dificuldade de acesso ao crédito. A avaliação da DAF é que esse estoque de veículos que precisa ser renovado poderá ajudar a sustentar as vendas mesmo em um cenário de juros ainda elevados.
O mercado também passa por uma mudança na composição da demanda, com maior espaço para aplicações vocacionais. Para a DAF, esse movimento abre uma frente adicional de crescimento, principalmente em segmentos como construção, mineração e madeira. A montadora pretende ampliar sua presença nesses mercados justamente em um momento de pressão sobre o segmento rodoviário tradicional.
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