Transnordestina chega a 84% e avança na operação de cargas

Ferrovia conclui mais 50 km no Ceará, prevê entregar outros 70 km em 2026 e busca autorização para estender operação comercial até Quixadá

Valeria Bursztein

A Transnordestina concluiu mais 50 quilômetros de ferrovia no Ceará e chegou a 832 km executados na primeira fase do projeto, equivalente a 84% do trecho previsto até o Porto do Pecém. Além do avanço das obras, o empreendimento começa a entrar em uma nova etapa: depois dos primeiros transportes de cargas entre Piauí e Ceará, a concessionária pretende ampliar a extensão disponível para operação comercial.

A conclusão do lote 6, entre Quixeramobim e Quixadá, foi informada originalmente pelo Diário do Nordeste. Segundo a publicação, a Transnordestina Logística S.A. (TLSA) pretende entregar outros 70 km ainda neste ano, nos lotes 7, entre Quixadá e Itapiúna, e 11, entre Caucaia e o Complexo Industrial e Portuário do Pecém.

Com isso, a companhia prevê fechar 2026 com 120 km entregues no ano, considerando os 50 km recém-concluídos. Os 221 km restantes da primeira fase estão em obras de infraestrutura ou superestrutura, e a previsão é concluir essa etapa até o fim de 2027.

A estratégia inclui atacar a obra também a partir do litoral. O lote 11 corresponde a 23 km próximos ao Pecém. Segundo Ismael Trinks, diretor-presidente da TLSA, iniciar os trabalhos nessa extremidade permite que as frentes de construção avancem em sentidos opostos até se encontrarem. O corredor deverá ligar o interior do Piauí ao Pecém, criando uma nova rota ferroviária para cargas como grãos, algodão e minérios produzidos no interior do Nordeste.

Operação pode avançar até Quixadá

A conclusão física dos trilhos começa a ser acompanhada pela expansão da operação. A Transnordestina já realizou transportes experimentais de cargas no trecho entre Bela Vista do Piauí e Iguatu, no Ceará. Em dezembro de 2025, uma composição com 20 vagões transportou milho ao longo de aproximadamente 585 km. Em janeiro deste ano, o mesmo corredor recebeu uma operação com sorgo.

Agora, a TLSA solicitou ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) a inclusão de outros 150 km na licença de operação vigente, segundo informou o Diário do Nordeste. A autorização permitiria estender a operação até Quixadá. “Com essa licença ambiental, poderemos operar, do ponto de vista comercial, mais 150 km, que dá exatamente aqui em Quixadá”, afirmou Trinks à publicação.

A chegada a Quixadá é relevante também para a formação de uma rede de terminais ao longo da ferrovia. O município prevê implantar um terminal logístico em área pública destinada ao projeto. Iguatu, onde chegam atualmente as operações iniciadas no Piauí, já conta com estrutura destinada à movimentação das cargas.

A estratégia de terminais é considerada uma das peças necessárias para transformar a nova infraestrutura ferroviária em capacidade efetiva de transporte. Além de estruturas próprias da concessionária, o modelo prevê participação de investidores privados em terminais instalados ao longo do corredor.

Pecém muda escala da ferrovia

A chegada ao Porto do Pecém será um dos principais marcos para a operação da Transnordestina. Ao alcançar o complexo portuário, a ferrovia passará a conectar diretamente regiões produtoras do interior nordestino a um porto de exportação.

O projeto prevê ainda integração com o Tup Nelog, terminal de uso privado do Grupo CSN no Pecém, concebido para conectar as malhas da Transnordestina e da Ferrovia Transnordestina Logística (FTL) às instalações portuárias.

A primeira fase da ferrovia deverá ser concluída em 2027. A obra conta com recursos públicos e privados e integra uma estratégia mais ampla de criação de um corredor ferroviário para atender principalmente à produção agrícola e mineral do Nordeste.

Com a conclusão do lote 6 e o avanço simultâneo das obras em direção ao Pecém, o desafio da Transnordestina passa gradualmente a deixar de ser apenas a construção da via. A formação de terminais, a obtenção das licenças operacionais e a atração de cargas serão determinantes para definir a velocidade com que os novos quilômetros de trilhos poderão ser convertidos em uma operação ferroviária regular.

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