JAC lança caminhão médio de 13 toneladas por R$ 383.140 e amplia ofensiva no Brasil

O modelo N 13.210 chega para se somar aos N 9.170, A 18.290 e A 25.290, enquanto fabricante prepara novos modelos para distribuição urbana e avalia produção local

Aline Feltrin

A JAC Caminhões amplia sua presença no mercado brasileiro com o lançamento do N 13.210, caminhão médio de 13 toneladas que chega ao mercado por R$ 383.140. O modelo passa a integrar a linha de veículos a combustão da fabricante no país ao lado do N 9.170 e dos A 18.290 e A 25.290. O lançamento marca mais uma etapa da estratégia da fabricante chinesa para construir uma operação própria no Brasil, com uma gama capaz de atender diferentes perfis de transporte, da distribuição urbana às operações que exigem maior capacidade de carga.

Desenvolvido para aplicações urbanas, intermunicipais e rurais, o N 13.210 tem Peso Bruto Total (PBT) técnico de 12.500 kg e PBT homologado de 12.080 kg. A capacidade máxima combinada para carga e carroceria chega a 7.835 kg na configuração de entre-eixos curto e a 7.635 kg na versão longa, enquanto o PBTC é de 14.000 kg. Com essas características, o novo caminhão ocupa uma posição intermediária na linha inicial da JAC no país, entre o N 9.170 e os modelos A 18.290 e A 25.290, ampliando a cobertura da marca no mercado de veículos comerciais.

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Motor e configuração

O N 13.210 é equipado com o motor Cummins B4.5, de quatro cilindros e 4.460 cm³ de cilindrada, que desenvolve 210 cv a 2.300 rpm e torque máximo de 760 Nm, equivalente a 77,5 mkgf, entre 1.200 e 1.800 rpm. Para um caminhão destinado ao transporte de carga, a faixa de entrega do torque é especialmente relevante, porque o motor disponibiliza sua força máxima em uma faixa relativamente baixa de rotação, característica que favorece arrancadas, retomadas e a condução em trechos de aclive com o veículo carregado. O propulsor utiliza injeção eletrônica Common Rail e sistema de pós-tratamento SCR para atender às normas de emissões do Proconve P8.

O motor trabalha em conjunto com a transmissão automatizada Fast Gear F8JZ95CM, de oito marchas à frente e duas à ré. O sistema elimina o acionamento tradicional do pedal de embreagem e faz eletronicamente as trocas de marcha, característica particularmente adequada a operações urbanas e de distribuição, nas quais o caminhão passa por ciclos constantes de aceleração, desaceleração e mudança de velocidade. De acordo com as especificações fornecidas pela JAC, a transmissão também contribui para aproveitar de forma mais eficiente a faixa de torque do motor e pode reduzir o esforço do motorista durante a jornada.

O caminhão está disponível com duas opções de entre-eixos, de 4.200 mm e 4.700 mm, permitindo diferentes configurações de carroceria e aplicações. A versão curta oferece capacidade máxima combinada para carga e carroceria de 7.835 kg, enquanto a configuração longa chega a 7.635 kg. O tanque de combustível de alumínio tem capacidade para 200 litros e o reservatório de Arla comporta 18 litros. O chassi utiliza longarinas retas e suspensão com feixes de molas parabólicas, enquanto o eixo traseiro motriz conta com molas parabólicas de dois estágios.

A cabine avançada estendida foi configurada para transportar três ocupantes e traz banco traseiro, coluna de direção ajustável, volante multifuncional, ar-condicionado, vidros elétricos e travamento central. Entre os equipamentos opcionais estão sistema multimídia com Android Auto e Apple CarPlay, câmeras de 360 graus e sensores de ré, recursos que podem facilitar as manobras em operações urbanas. Na segurança, o caminhão conta com freios a tambor pneumáticos de circuito duplo e sistemas eletrônicos ABS, EBD, ASR e ESC, além de assistente de partida em rampa. A iluminação inclui luzes de condução diurna em LED, faróis com projetor em LED e faróis auxiliares de neblina.

Uma linha que ainda vai crescer

O lançamento do N 13.210 precisa ser entendido dentro da estratégia de entrada da JAC no mercado brasileiro de caminhões. A fabricante iniciou sua nova operação comercial com quatro modelos: N 9.170, N 13.210, A 18.290 e A 25.290. A composição permite à marca atuar em diferentes faixas de capacidade e aplicações, começando pelos caminhões destinados à distribuição e avançando para veículos de maior porte. O novo modelo, portanto, não representa uma entrada isolada em uma categoria, mas a ampliação de uma linha que a empresa pretende aumentar nos próximos anos.

Segundo Adriano Chiarini, diretor comercial da JAC Caminhões, cerca de 200 caminhões dos modelos de 9, 13 e 18 toneladas já estavam no país. Os veículos desembarcaram em abril, passaram pelos processos de nacionalização e inspeção pré-entrega e começaram a ser disponibilizados aos clientes. A meta inicial da empresa é comercializar 700 unidades entre maio e dezembro de 2026, enquanto a rede de concessionários também passa por expansão para acompanhar a chegada dos produtos ao mercado.

A JAC pretende encerrar 2026 com 20 grupos de concessionários, que deverão representar entre 20 e 25 pontos de venda e assistência técnica. Os primeiros parceiros foram estabelecidos nas regiões Norte e Nordeste, enquanto a expansão chegou ao Sudeste, com novos grupos em São Paulo e Minas Gerais. Segundo a empresa, a rede deverá alcançar cerca de dois terços do território nacional. A formação da estrutura comercial é uma das prioridades da operação neste primeiro momento, antes de uma expansão mais agressiva do portfólio.

A estratégia prevê uma ampliação significativa da gama nos próximos anos. Para 2027, a fabricante pretende homologar caminhões de 3,5, 7 e 11 toneladas de PBT, além de uma van elétrica. O movimento mira principalmente a distribuição urbana e o segmento de última milha, em que a empresa identifica demanda por veículos de diferentes capacidades para operações de entrega porta a porta e transporte entre empresas e clientes.

“Hoje o segmento que mais cresce é o de last mile, de entrega porta a porta ou empresa-cliente. Caminhões de 3,5, 7 e 11 toneladas são veículos importantes para ter no portfólio”, afirmou Chiarini à Agência Transporte Moderno.

A ampliação para veículos menores deverá complementar a linha atual. A empresa também pretende avançar posteriormente para veículos vocacionais, como caminhões para coleta de lixo, basculantes, mineração e aplicações fora de estrada. Segundo Chiarini, esses modelos poderão utilizar diferentes tecnologias, incluindo motores a diesel e elétricos, de acordo com a aplicação e a demanda do mercado.

A estratégia de expansão também inclui uma van elétrica. A JAC ainda não revelou oficialmente qual será o modelo destinado ao mercado brasileiro, mas afirma que será um lançamento novo da fabricante, inclusive na China. O veículo será trazido diretamente pela operação da JAC Caminhões, diferentemente dos veículos elétricos atualmente comercializados pela estrutura comandada pelo empresário Sergio Habib.

“Essa é nossa, porque é um lançamento novo, inclusive na China. Ela chega pela JAC fábrica”, afirmou Chiarini. A divisão entre as operações deverá continuar no curto e médio prazo. A estrutura de Habib permanece responsável pelos veículos elétricos da JAC já disponíveis no mercado brasileiro, enquanto a nova van ficará sob responsabilidade da operação da fabricante. Segundo Chiarini, a permanência da parceria está relacionada à relação iniciada em 2011.

Fenatran e produção local

A primeira participação da JAC Caminhões na Fenatran 2026 será outro momento importante para a estratégia da fabricante. A empresa confirmou que fará um lançamento durante a feira, embora ainda não tenha revelado qual será o modelo. A marca terá apenas um lançamento no evento em razão do espaço reservado para sua estreia.

A participação ocorre em um momento de aumento da presença de fabricantes chinesas no mercado brasileiro de veículos comerciais. Para a JAC, a Fenatran será uma oportunidade de apresentar a nova operação a transportadores e frotistas e reforçar a estratégia de utilização de componentes já conhecidos pelo mercado brasileiro. Os caminhões da marca utilizam motores Cummins e transmissões Eaton e ZF, combinação que, segundo Chiarini, ajuda a reduzir a resistência dos clientes à chegada de uma nova fabricante.

Paralelamente à expansão comercial, a JAC mantém em avaliação a possibilidade de instalar uma fábrica no Brasil. Segundo Chiarini, aumentou o número de propostas recebidas de estados e municípios interessados em sediar a unidade, e a empresa pretende retomar a análise das alternativas depois das eleições, com expectativa de anunciar uma decisão em 2027.

Entre as alternativas estão a construção de uma fábrica própria, uma parceria com uma planta já existente ou uma operação inicial em regime SKD, com montagem local de kits importados. Por enquanto, porém, a prioridade está na consolidação da operação comercial, na instalação da rede autorizada e na chegada dos primeiros veículos aos clientes.

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