A demanda por carga aérea das companhias da América Latina e do Caribe cresceu 5,1% em agosto de 2026, acima da expansão de 3,3% da capacidade. O resultado elevou o fator de ocupação para 34,9%, aumento de 0,6 ponto percentual sobre agosto de 2025, segundo a Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA).
A melhora mensal, porém, contrasta com o desempenho acumulado. Entre janeiro e agosto, a demanda dessas empresas avançou apenas 1,1%, enquanto a capacidade aumentou 4,5%. Nesse intervalo, a ocupação caiu 1,1 ponto percentual, para 34,8%. Agosto mostra uma relação mais favorável entre demanda e oferta, mas não reverte o quadro dos oito primeiros meses.
Os indicadores medem toneladas-quilômetro transportadas e disponíveis. O recorte considera a região de registro das companhias, abrangendo suas operações domésticas e internacionais, e não equivale à movimentação dos aeroportos latino-americanos.
Receita unitária volta a subir
No mercado mundial, a receita média por unidade transportada, conhecida como yield, subiu 1,3% sobre julho, interrompendo três meses consecutivos de queda. Medido em dólares e incluindo sobretaxas, o indicador ficou 24,9% acima de agosto de 2025.
O combustível avançou ainda mais: o querosene de aviação atingiu US$ 157 por barril, alta mensal de 8,3% e anual de 79,2%. O aumento da receita unitária oferece suporte às companhias, mas convive com forte pressão de custos. O indicador global não representa uma cotação específica de frete para embarques brasileiros.
Demanda cresce; capacidade global diminui
A demanda mundial aumentou 4,4%, enquanto a capacidade recuou 0,1%. A ocupação chegou a 46%, alta de dois pontos percentuais. As companhias europeias e norte-americanas reduziram capacidade em 3,5% e 2,5%, respectivamente, apesar do crescimento da demanda.
Entre os principais corredores, Ásia–América do Norte liderou a expansão, com alta de 13,2%. Europa–América do Norte cresceu 4,3%, e Europa–Ásia, 3,1%. Os resultados mostram condições distintas entre mercados, relevantes para o planejamento dos embarques de fim de ano.
Para Marie Owens Thomsen, vice-presidente sênior de Sustentabilidade e economista-chefe da IATA, a demanda e a maior ocupação ajudaram a compensar parte dos custos elevados do combustível. A entidade considera a recuperação mensal do yield e o avanço do comércio mundial sinais positivos para a temporada de pico.
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