A perspectiva de reabertura do Estreito de Ormuz, corredor por onde passa cerca de 20% do petróleo consumido no mundo, provocou uma forte queda nas cotações internacionais da commodity e pode trazer alívio para um dos principais custos do transporte rodoviário brasileiro: o diesel.
Na terça-feira (16), os preços do petróleo registraram o segundo dia consecutivo de recuo após surgirem detalhes de um acordo provisório entre Estados Unidos e Irã para encerrar o conflito no Oriente Médio. O barril do Brent, referência global para os combustíveis, caiu 5,1%, encerrando o dia a US$ 78,96. Já o WTI recuou 5,8%, para US$ 76,05 por barril. Os dois contratos atingiram os menores níveis desde março, segundo levantamento da Reuters.
O movimento reflete a expectativa do mercado de que a normalização do fluxo de petróleo pelo Estreito de Ormuz aumente a oferta global da commodity. Além da reabertura da rota marítima, o acordo prevê a retomada das exportações de petróleo iraniano, contribuindo para reduzir os riscos de abastecimento que vinham sustentando os preços elevados nos últimos meses. “O petróleo está caindo rapidamente com a expectativa de que o Estreito de Ormuz seja reaberto em breve”, afirmou Bob Yawger, diretor de futuros de energia do Mizuho, à Reuters.
Embora ainda existam dúvidas sobre a implementação definitiva do acordo e o tempo necessário para a normalização das operações marítimas na região, a reação do mercado foi imediata e já reforça a tendência de acomodação dos preços dos combustíveis.
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Preço do diesel vai cair no Brasil?
No Brasil, os primeiros sinais desse movimento começam a aparecer. Segundo o Índice de Preços Edenred Ticket Log (IPTL), o diesel comum registrou queda de 2,5% na primeira quinzena de junho, passando de R$ 7,20 para R$ 7,02 por litro. O diesel S-10 também ficou mais barato, com recuo de 1,49%, de R$ 7,36 para R$ 7,25 por litro.
A redução é acompanhada com atenção pelo setor de transporte rodoviário de cargas, que depende diretamente do comportamento do combustível para manter sua rentabilidade. Isso porque o diesel continua sendo o principal componente individual da estrutura de custos das transportadoras.
Levantamento do Instituto de Logística e Supply Chain (ILOS) mostra que o diesel respondeu por quase 40% do custo total de uma operação rodoviária padrão de 1.000 quilômetros em maio deste ano. Nenhum outro item possui peso semelhante na composição dos custos do transporte.
Na sequência aparecem despesas como mão de obra, responsável por cerca de 20% dos custos, remuneração de capital, com aproximadamente 10%, e depreciação dos veículos, que representa cerca de 7%. Diferentemente do diesel, esses componentes costumam apresentar menor volatilidade e são influenciados por fatores estruturais, como salários, renovação da frota e condições de financiamento.
A elevada participação do combustível na operação explica por que as oscilações do petróleo são acompanhadas tão de perto pelas empresas do setor. Uma alta de 10% no diesel, por exemplo, pode representar um aumento próximo de quatro pontos percentuais no custo total da atividade, dependendo do perfil da operação.
Ajustes operacionais
A volatilidade observada nos últimos meses obrigou as transportadoras a reagirem rapidamente para proteger suas margens. A principal medida adotada pelo setor foi a renegociação de contratos com embarcadores, especialmente aqueles que não possuíam mecanismos automáticos de repasse das variações do combustível.
Na JSL, uma das maiores operadoras logísticas do país, a disparada do diesel levou a companhia a acelerar ajustes operacionais. O CEO Guilherme Sampaio, afirmou à Agência Transporte Moderno que a empresa enfrentou momentos em que os preços do combustível variaram até 25% em curtos períodos, exigindo uma atuação intensa para equilibrar interesses entre clientes e transportadores terceirizados.

Segundo o executivo, a companhia intensificou a revisão de contratos menos rentáveis, reforçou a disciplina na alocação de capital, ampliou a venda de ativos considerados não estratégicos e aumentou o foco em operações de maior produtividade. A estratégia buscou compensar parte da pressão provocada pelo aumento dos custos operacionais.
Já a Jamef adotou uma estratégia diferente, baseada em inteligência comercial e eficiência logística. Em entrevista ao videocast Transporte Moderno, a diretora de Marketing e Comercial, Bárbara Opsfelder, afirmou que o diesel representa entre 45% e 50% dos custos da operação da companhia, o que torna a gestão do combustível uma prioridade permanente. Para mitigar os impactos da volatilidade, a empresa utiliza a TEC (Taxa Emergencial de Combustível), mecanismo que permite ajustar os contratos de forma transparente conforme a variação dos preços.
Segundo a executiva, a companhia também trabalha o conceito de “eficiência comercial”, buscando equilibrar fluxos de carga entre regiões consumidoras e exportadoras para reduzir deslocamentos ociosos e evitar que caminhões retornem vazios. A estratégia combina inteligência de mercado, roteirização e gestão da ocupação dos veículos para aumentar a produtividade da frota e diluir o impacto dos custos com combustível.
A empresa ainda investe em tecnologia, telemetria, renovação da frota e inteligência artificial aplicada à roteirização para elevar a eficiência operacional. Em maio, a transportadora anunciou investimento de R$ 25 milhões na renovação da frota, com foco na redução do consumo de combustível, aumento da disponibilidade dos veículos e diminuição dos custos operacionais.
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