A JSL iniciou 2026 sob pressão. A companhia reportou lucro líquido ajustado de R$ 6,5 milhões no primeiro trimestre, queda de 85% na comparação anual, em um período marcado por ajuste contábil extraordinário, juros elevados e forte volatilidade no preço do diesel.
O principal impacto sobre o resultado veio de um reprovisionamento contábil de R$ 203,4 milhões relacionado a uma mudança de entendimento do Superior Tribunal de Justiça (STJ) sobre contribuições ao Sistema S.
Segundo a empresa, a provisão havia sido revertida no segundo trimestre de 2024, mas a administração decidiu reconhecer novamente os valores de forma conservadora, apesar de a ação judicial ainda não ter transitado em julgado.
O ajuste representou impacto de R$ 167 milhões sobre EBIT e EBITDA e de R$ 134 milhões sobre o lucro líquido.
Além do efeito extraordinário, a companhia também enfrentou um trimestre sazonalmente mais fraco para o setor logístico. O cenário de juros ainda elevados seguiu pressionando o custo financeiro de empresas intensivas em capital, como operadores de transporte e logística.
“O primeiro trimestre sazonalmente é menor para a companhia, o que pressiona o lucro porque a dívida não diminui de acordo com o tamanho da receita”, afirmou o CEO da empresa, Guilherme Sampaio.
Segundo o executivo, a expectativa é de retomada gradual do crescimento a partir do segundo trimestre. “É possível que comecemos a ver, do segundo trimestre em diante, um crescimento contínuo da companhia”, disse.
Apesar da retração do lucro, a geração de caixa foi um dos principais pontos destacados pela companhia. A JSL encerrou o trimestre com geração de caixa de R$ 258 milhões, já considerando despesas financeiras, aluguéis, crescimento operacional e aquisições.
O desempenho contribuiu para a redução da dívida líquida e bruta. A alavancagem medida pela relação dívida líquida/Ebitda caiu para 2,78 vezes. “Já estamos falando em redução de dívida bruta, redução de dívida líquida, redução de alavancagem”, afirmou Sampaio.
A companhia também desacelerou investimentos. O capex bruto somou R$ 29 milhões no trimestre, queda de R$ 135 milhões frente ao mesmo período do ano passado. Ao mesmo tempo, a venda de ativos ganhou maior peso na estratégia financeira, gerando receita líquida de R$ 99,9 milhões, alta de 10% na comparação anual.
Diesel amplia pressão operacional
As tensões geopolíticas envolvendo o Irã adicionaram um novo fator de pressão sobre o setor logístico no trimestre. Segundo a JSL, a volatilidade no mercado internacional de petróleo elevou significativamente as oscilações nos preços do diesel.
“A cada dia, a negociação com as distribuidoras mudava. Havia discussão se vai ter, não vai ter, quanto vai ser”, afirmou Sampaio, ao comentar os efeitos das incertezas envolvendo o Estreito de Ormuz. Segundo o executivo, houve momentos em que os preços variaram até 25% de um dia para o outro. Em um dos episódios citados pela companhia, o litro do diesel chegou a ser comercializado a R$ 8.
O impacto é particularmente sensível para o transporte rodoviário de cargas. Dependendo do perfil operacional, o diesel pode representar até 40% da estrutura de custos do setor. Parte da pressão ocorreu nas operações subcontratadas, em que a JSL atua entre grandes embarcadores e caminhoneiros terceiros. “A gente vai servindo de para-raio para esse processo”, disse Sampaio. “Em algum momento, a gente coloca ele no trilho e fala: esse aqui foi o valor que ficou para trás.”
Na prática, a volatilidade acabou favorecendo operadores logísticos maiores e mais estruturados, capazes de absorver oscilações sem interromper operações. “A logística é essencial para a produção e para a venda do cliente. Se ela impacta diretamente a receita, ela é core. E, se é core, o cliente não pode correr risco de ruptura”, afirmou o executivo.
Intralogística cresce
Entre os destaques operacionais do trimestre, a divisão de intralogística manteve trajetória de expansão. A Intralog cresceu 11% na comparação anual e registrou avanço de cinco pontos percentuais de margem. A unidade alcançou 2,3 milhões de metros quadrados sob gestão e segue em processo de estruturação como empresa independente, embora ainda subsidiária da JSL.
O trimestre também trouxe novos contratos. Segundo a companhia, foram fechados sete acordos e incorporados dois novos clientes, incluindo um com potencial de expansão regional.
O movimento acompanha mudanças mais amplas no mercado logístico, impulsionadas pelo crescimento do e-commerce, pela necessidade de maior produtividade nos centros de distribuição e pelo avanço da automação. A companhia já classificou anteriormente o mercado brasileiro de intralogística como um segmento potencial de cerca de R$ 300 bilhões anuais.
Na divisão de serviços dedicados, a empresa segue revisando contratos menos rentáveis, movimento que ainda pressiona margens no curto prazo. “A margem ainda está mais pressionada com o objetivo de sair de contratos que pesavam no nosso resultado e migrar para contratos mais saudáveis”, afirmou Sampaio.
Já a frente JSL Digital avançou 30% na comparação anual e 14% frente ao quarto trimestre de 2025, reforçando a estratégia da companhia de ampliar serviços apoiados em tecnologia e eficiência operacional.
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