Ainda sem efeito do Move Brasil, mercado de implementos acumula queda de 10% no ano

Programa entrou em operação apenas na última semana de maio; segmento leve segue sustentando as vendas enquanto implementos pesados enfrentam cenário mais desafiador

Aline Feltrin

O mercado brasileiro de implementos rodoviários registrou retração de 10% nas vendas entre janeiro e maio, com 54.418 unidades comercializadas no período. O resultado ainda não incorpora os efeitos do Move Brasil 2, que passou a contemplar os implementos rodoviários e entrou em operação apenas na última semana de maio.

No mês, as carrocerias sobre chassi mantiveram trajetória de crescimento, impulsionadas pela demanda das operações urbanas, enquanto os reboques e semirreboques voltaram a recuar em um ambiente ainda pressionado pelos juros elevados e pelas restrições de crédito.

Dados da Associação Nacional dos Fabricantes de Implementos Rodoviários (Anfir) mostram que o segmento de carrocerias sobre chassi comercializou 6.662 unidades em maio, crescimento de 6,9% em relação às 6.232 unidades vendidas em abril. Na comparação com maio de 2025, quando foram emplacados 6.578 equipamentos, também houve avanço.

“Estamos diante de uma curva positiva muito consistente e mostra que as operações logísticas urbanas seguem aquecidas e demandando novos equipamentos”, afirmou José Carlos Spricigo, presidente da Anfir.

O desempenho positivo do segmento leve contrasta com o mercado de reboques e semirreboques. Em maio, foram emplacadas 5.148 unidades, ante 5.535 em abril, uma queda de 7%. Na comparação com maio do ano passado, quando foram comercializados 5.912 implementos, a retração alcança 12,9%.

“As dificuldades no mercado de pesados são maiores porque as vendas dependem de condições de financiamento mais robustas além de serem influenciados por fatores sazonais”, explicou Spricigo.

O desempenho do segmento pesado ajuda a explicar a retração acumulada pela indústria em 2026. Entre janeiro e maio, as vendas de reboques e semirreboques somaram 26.415 unidades, ante 30.301 registradas no mesmo período do ano passado, uma queda de 12,82%.

Já as carrocerias sobre chassi apresentaram recuo mais moderado no acumulado do ano. Foram comercializadas 28.003 unidades nos cinco primeiros meses de 2026, frente a 30.191 em igual intervalo de 2025, redução de 7,25%.

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Nichos em destaque

Mesmo em um cenário desafiador, alguns nichos registraram crescimento. Entre os reboques e semirreboques, destacaram-se os implementos especiais, com alta de 8,4%, os equipamentos para transporte de toras, que avançaram 5,6%, e os tanques inox, com crescimento de 25,7%. Nas carrocerias sobre chassi, o principal destaque positivo foi o segmento de baú lonado, que cresceu 2,8% no acumulado até maio.

Na avaliação da Anfir, a tendência é de melhora nos próximos meses com a entrada em operação do Move Brasil 2. O programa disponibiliza R$ 21,2 bilhões para financiamento de veículos e implementos rodoviários, com taxa de juros de 11,3% ao ano, prazo de até 60 meses para empresas e até 120 meses para caminhoneiros autônomos.

“A inclusão de nossa indústria na segunda fase do projeto é resultado do reconhecimento da importância do implemento rodoviário no vetor de transporte de cargas do País”, destacou Spricigo.

Para o presidente da entidade, o programa representa um importante estímulo para a retomada do setor, mas será necessário avançar em outras medidas para criar um ambiente mais favorável aos investimentos.

“O suporte é muito bem-vindo, mas é importante que outras medidas sejam tomadas de maneira a criar um ambiente de crescimento sustentável, favorecendo a produção e o desenvolvimento do Brasil”, concluiu.

Ranking: maiores altas e quedas entre janeiro e maio

Reboques e semirreboques — maiores altas

  1. Tanque inox: +25,7%
  2. Implementos especiais: +8,4%
  3. Transporte de toras: +5,6%
  4. Baú carga geral: +6,7%

Reboques e semirreboques — maiores quedas

  1. Tanque carbono: -46,1%
  2. Baú lonado: -45,1%
  3. Carrega-tudo: -25,3%
  4. Baú frigorífico: -19,7%
  5. Porta-contêiner: -15,0%

Carrocerias sobre chassi — maiores altas

  1. Baú lonado: +2,8%

Carrocerias sobre chassi — maiores quedas

  1. Graneleiro/carga seca: -15,3%
  2. Betoneira: -10,5%
  3. Outras/diversas: -6,9%
  4. Tanque: -6,3%
  5. Baú alumínio/frigorífico: -4,5%

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