A explosão das importações de veículos chineses está redesenhando o mapa logístico brasileiro. Nos últimos meses, portos como Santos (SP), Itajaí (SC), Suape (PE), Vila Velha (ES) e Itapoá (SC) passaram a receber desembarques recordes de automóveis eletrificados vindos da China, impulsionados principalmente pela ofensiva comercial de montadoras como BYD e GWM.
O avanço ocorre em meio à corrida das fabricantes asiáticas para antecipar importações antes da elevação gradual do imposto sobre veículos elétricos e híbridos no Brasil. O resultado foi uma pressão inédita sobre terminais automotivos, áreas alfandegadas e operações logísticas em diferentes regiões do país.
O fenômeno já começa a alterar investimentos portuários, estratégias de distribuição e até a disputa entre estados para atrair novas operações automotivas.
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Porto de Santos concentra avanço chinês
Apesar do crescimento acelerado de novos hubs automotivos, o Porto de Santos continua sendo o principal corredor logístico do país para a entrada de veículos importados e um dos maiores terminais automotivos da América Latina.
O complexo santista registrou novo recorde histórico de movimentação em 2026, reforçando a dimensão da pressão operacional enfrentada pelo terminal em meio ao avanço das cargas chinesas. Entre janeiro e abril, o porto movimentou 59,3 milhões de toneladas, crescimento de 6,6% em relação ao mesmo período do ano passado. Apenas em abril, foram 16,5 milhões de toneladas, alta de 11,5% e melhor resultado já registrado para o mês.
A relevância de Santos no comércio exterior brasileiro também aumentou. O porto respondeu sozinho por 28,5% de toda a corrente comercial do país no primeiro quadrimestre de 2026.
O crescimento ocorre justamente no momento em que a China amplia seu domínio como principal parceira comercial do terminal paulista. Segundo dados da Autoridade Portuária de Santos (APS), 31,9% de todas as operações internacionais realizadas pelo porto até abril tiveram o país asiático como origem ou destino no período.
Nos bastidores do setor, operadores avaliam que a avalanche de veículos chineses ajudou a elevar a ocupação dos pátios automotivos e intensificou a busca por rotas alternativas fora de Santos.
Itajaí emerge como novo hub automotivo
O caso mais emblemático da nova geografia logística é o Porto de Itajaí. O terminal catarinense virou um dos principais pontos de entrada da BYD no Brasil após receber sucessivos navios carregados com milhares de veículos eletrificados. O desembarque do navio Grande Shanghai, com cerca de 4,5 mil carros, marcou uma das maiores operações automotivas recentes do país.
Outro cargueiro da montadora chinesa deve elevar ainda mais o fluxo nos próximos meses, consolidando Itajaí como alternativa estratégica para desafogar Santos e ampliar a capacidade nacional de recebimento de veículos importados.
A mudança ocorre em um contexto de forte expansão das importações automotivas chinesas e maior necessidade de áreas disponíveis para armazenagem e distribuição.

Suape e Espírito Santo entram na disputa
No Nordeste, o Porto de Suape ampliou participação nas operações de veículos eletrificados e passou a disputar protagonismo com os terminais do Sul e Sudeste.
A localização estratégica do complexo pernambucano permite reduzir custos logísticos para abastecimento regional, além de diminuir a dependência das montadoras em relação ao eixo Santos-Sudeste.
Já o Espírito Santo começou a ganhar relevância com operações em Vila Velha, impulsionadas pelo aumento do fluxo de veículos asiáticos. O estado passou a ser visto pelo mercado como uma alternativa logística menos saturada, próxima aos grandes centros consumidores e com potencial de expansão operacional.
Pressão sobre infraestrutura aumenta
O crescimento acelerado das importações chinesas já começa a gerar impactos estruturais no sistema logístico nacional. Além da disputa por pátios automotivos, operadores apontam pressão crescente sobre acessos rodoviários, capacidade ferroviária e armazenagem alfandegada.
O próprio Porto de Santos vive um momento decisivo de expansão e modernização. O complexo discute projetos considerados estratégicos para ampliar capacidade operacional, incluindo novos terminais de contêineres, investimentos ferroviários e concessões estruturantes.
Ao mesmo tempo, o aumento da entrada de veículos eletrificados exige adaptações específicas, incluindo protocolos de segurança para baterias de lítio, áreas dedicadas de armazenagem e reforço operacional para movimentação Ro-Ro.
A tendência é que o fluxo continue crescendo nos próximos anos, principalmente enquanto as montadoras chinesas ampliam participação no mercado brasileiro e avançam nos planos de produção local.
A disputa entre os portos brasileiros deixou de ser apenas uma questão de movimentação de cargas. Agora envolve capacidade para absorver a nova ofensiva automotiva chinesa — uma transformação que começa a redefinir o equilíbrio logístico do país.
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