A chinesa Sany Trucks definiu onde e quando dará seu passo mais relevante no Brasil: a companhia começará a produzir caminhões no início de julho, em Indaiatuba, interior de São Paulo, na antiga fábrica de ônibus da Mercedes-Benz.
A decisão, revelada com exclusividade pelo diretor de vendas da empresa no país, Dieter Lommer, à Agência Transporte Moderno, marca a transição da operação comercial para uma presença industrial. O contrato da unidade foi assinado às vésperas da Agrishow, e os primeiros testes industriais ocorrem entre junho e julho, com início da montagem logo na sequência.
A produção começará no regime CKD (completely knocked down), em que os veículos chegam desmontados da China e são montados no Brasil. Ainda nessa fase inicial, a empresa já trabalha com um plano de nacionalização de componentes — movimento considerado chave para reduzir custos, ganhar competitividade e viabilizar acesso a financiamento local.
A nova planta concentrará montagem, estoque, pós-venda e suporte técnico. A reorganização implica um salto relevante na estrutura da empresa no país: dos atuais cerca de 400 funcionários para algo próximo de 700 ao longo do ramp-up da operação. As contratações já estão em curso na região de Campinas.
Nacionalização ocorrerá rápido
O plano industrial nasce atrelado à busca por fornecedores locais. A companhia avalia a produção no Brasil de itens como pneus, eixos e sistemas mecânicos, além de estudar, em um horizonte mais longo, alternativas de motorização nacional, o que poderia envolver empresas instaladas no país, como a MWM ou Cummins.
O avanço da nacionalização também dialoga com o acesso a linhas de financiamento do BNDES, especialmente via Finame, embora veículos elétricos contem com regras mais flexíveis de conteúdo local.
A operação começa com um portfólio amplo, combinando modelos elétricos — principal aposta da marca — e versões a diesel, além de caminhões leves e aplicações específicas. Ao mesmo tempo, a empresa revisa parte da oferta para concentrar esforços em configurações com maior competitividade.
A unidade também marca a retomada da atuação da Sany na chamada linha amarela no Brasil, com montagem local de máquinas de construção, seguindo a mesma lógica: kits importados no início e avanço gradual de conteúdo nacional.
Todo o investimento é bancado pela matriz chinesa, sem incentivos fiscais locais, segundo o executivo. A escolha de Indaiatuba se apoia na proximidade com fornecedores, infraestrutura logística e disponibilidade de mão de obra — além do reaproveitamento de uma planta industrial já existente, o que acelera a entrada em operação.
Com isso, a Sany tenta ganhar escala no Brasil em um momento de transição tecnológica no transporte e restrições de crédito. A produção local, ainda que inicialmente baseada em kits importados, reposiciona a empresa em um novo patamar competitivo — já com a nacionalização no radar.
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