O governo federal lançou nesta quinta-feira (30) o Move Brasil 2, nova rodada do programa de financiamento para renovação de frota de caminhões, ônibus e implementos rodoviários, com condições mais vantajosas em relação à fase anterior.
A principal mudança está na ampliação do volume de crédito e na melhora das condições financeiras. O programa passou de cerca de R$ 10 bilhões na primeira etapa para R$ 21,2 bilhões nesta nova fase. Para caminhoneiros autônomos, os recursos foram ampliados de R$ 1 bilhão para R$ 2 bilhões, garantindo maior acesso a esse público.
As taxas de juros foram reduzidas para a faixa de 11% a 12% ao ano — ante níveis próximos de 14% no Move Brasil 1 — enquanto o prazo de financiamento dobrou, passando de até cinco para até dez anos (120 meses). A carência também foi ampliada, de seis para 12 meses no caso dos autônomos.
Outra mudança relevante é o escopo do programa, que deixou de contemplar apenas caminhões e passou a incluir ônibus e implementos rodoviários, ampliando o impacto sobre a cadeia produtiva.
Segundo o vice-presidente Geraldo Alckmin, o pacote ficou “maior, melhor e mais abrangente”. “Ampliamos recursos, reduzimos juros e aumentamos prazos, o que viabiliza a prestação e a compra”, afirmou.
Durante o anúncio, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva destacou o efeito direto sobre a indústria nacional. “Cada caminhão ou ônibus financiado é um pedido para a indústria brasileira. Estamos falando de produtos com 100% de conteúdo nacional, de emprego e renda no Brasil”, disse. Segundo ele, o programa reduz custos do transporte, fortalece a indústria e contribui para uma logística mais eficiente e sustentável.
Indústria e política industrial no centro
O lançamento reforçou a retomada da política industrial como eixo da estratégia econômica. O presidente da Anfavea, Igor Calvet, afirmou que o programa é resultado de diálogo entre governo e setor produtivo ao longo dos últimos meses.
“O governo ouviu a indústria. O Move 1 permitiu reaquecer o mercado em um momento difícil, com cerca de R$ 10 bilhões contratados rapidamente”, disse. Segundo ele, a medida ajudou a reverter a perda de aproximadamente 700 empregos nas montadoras.
Calvet ressaltou que o impacto vai além da indústria automotiva. “O caminhão é o meio pelo qual a economia funciona. É o alimento que chega à mesa, a produção que vai para exportação. Esse programa é para toda a economia.”
A Anfir também destacou o impacto positivo sobre a cadeia de implementos, diretamente beneficiada pela renovação da frota.
Autônomos ganham espaço
Um dos principais avanços do Move Brasil 2 é a garantia de acesso ao crédito para caminhoneiros autônomos, com destinação de parte relevante dos recursos para esse público. O objetivo é evitar concentração apenas em grandes frotistas e ampliar a renovação da frota na base do setor.
O desenho do programa envolveu articulação entre diferentes áreas do governo, incluindo equipes do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), do Planejamento e da Fazenda, além de diálogo com representantes dos caminhoneiros.
Entre as condições, estão carência de 12 meses e prazo de até 120 meses para pagamento, o que atende a uma demanda histórica da categoria.
O governo também destacou ações paralelas voltadas aos caminhoneiros, como a regulamentação do piso do frete com fiscalização eletrônica, a suspensão de milhões de multas consideradas indevidas no sistema de pedágio eletrônico (free flow) e medidas para conter a alta do diesel, incluindo isenção de tributos e fiscalização de preços.
Crédito e papel dos bancos
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que o programa faz parte de uma estratégia de estímulo ao crédito produtivo. “Estamos ampliando o acesso ao financiamento para quem produz e transporta, garantindo equilíbrio na economia”, disse.
Um dos pilares é o aporte de R$ 2 bilhões no Fundo Garantidor para Investimentos (FGI), operado pelo BNDES, que pode alavancar cerca de R$ 16 bilhões em crédito.
O Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal participarão da operacionalização, ampliando a capilaridade do programa.
Além do estímulo à indústria, o Move Brasil 2 deve gerar ganhos logísticos, ambientais e de segurança. A renovação da frota contribui para reduzir emissões — caminhões novos podem poluir significativamente menos que modelos antigos — e para diminuir acidentes nas rodovias.
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