Cummins projeta avanço de biocombustíveis e motores inteligentes no agro brasileiro

Fabricante aposta em conectividade, eficiência energética e combustíveis alternativos para impulsionar máquinas agrícolas e caminhões pesados em meio à pressão por redução de custos no campo

Aline Feltrin

O agronegócio brasileiro deve acelerar nos próximos anos a adoção de motores mais eficientes, conectados e preparados para operar com combustíveis alternativos, em um movimento impulsionado pela pressão por redução de custos, aumento da produtividade e descarbonização das operações. A avaliação é de Maurício Biadola, diretor de vendas off-highway da Cummins, que vê o setor vivendo uma transformação estrutural semelhante à da indústria.

Segundo o executivo da Cummins, o produtor rural está cada vez mais dependente de dados, conectividade e eficiência operacional para manter a competitividade em um cenário de juros elevados, pressão sobre margens e menor disponibilidade de capital para investimentos.

“O agro está mais mecanizado, mais conectado e buscando entender melhor o que acontece no campo. O motor deixou de ser apenas um componente e passou a agregar eficiência, inteligência e redução de custos”, afirmou Biadola em entrevista ao Videocast Transporte Moderno.

A companhia projeta forte crescimento de soluções ligadas à transição energética no setor off-highway, especialmente aplicações com biometano, biodiesel, HVO (óleo vegetal hidrotratado) e etanol. Para a Cummins, o Brasil reúne condições estratégicas para liderar esse movimento graças à disponibilidade de matérias-primas e ao potencial de produção de biocombustíveis.

“É um caminho sem volta. O Brasil é protagonista nisso porque possui uma matriz extremamente favorável para gás, biometano e biocombustíveis. Isso pode trazer impactos muito positivos para a economia brasileira”, disse.

Apesar do potencial, Biadola pondera que a adoção do etanol em caminhões pesados ainda depende da viabilidade econômica das operações. Segundo ele, o combustível faz mais sentido em ecossistemas fechados, como usinas sucroenergéticas ou grandes operações agrícolas que produzem o próprio etanol.

“O famoso TCO precisa fechar a conta. Em algumas aplicações do agro isso funciona muito bem, principalmente quando o combustível faz parte da própria operação”, explicou.

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Biometano em aplicações específicas

A Cummins também acompanha o avanço do biometano em aplicações específicas, principalmente em operações urbanas e de economia circular. A empresa participa atualmente de testes com caminhões movidos a gás e biometano para coleta de resíduos, aproveitando o combustível produzido em aterros sanitários.

Outro eixo considerado estratégico é a conectividade. Segundo Biadola, o monitoramento em tempo real do consumo de combustível, tempo de marcha lenta, desempenho operacional e emissões deve ganhar cada vez mais importância no campo.

“O agro hoje funciona praticamente como uma indústria. Tudo precisa ser monitorado para aumentar eficiência e reduzir desperdícios”, afirmou.

Além dos combustíveis alternativos, a empresa também aposta na evolução do próprio motor diesel. O executivo destacou que as novas gerações Euro 6 representam avanços significativos em eficiência energética e redução de emissões. A companhia também desenvolveu sistemas de pós-tratamento mais compactos e leves, capazes de reduzir peso e contribuir para menor consumo de combustível.

A Cummins ainda pretende ampliar presença no mercado agrícola brasileiro com a validação de um motor estrutural de 4,5 litros em um trator conceito da XCMG. Segundo o executivo, o segmento de tratores representa cerca de 80% do mercado agrícola em que a empresa ainda busca ampliar participação.

“Conectividade, eficiência energética e descarbonização vão caminhar juntas. Essa convergência tecnológica é a grande tendência para o agro e para o transporte pesado nos próximos anos”, concluiu.

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