Nova Sprinter automática ganha tração e já soma 380 emplacamentos no Brasil

Motorhomes, e-commerce e transporte executivo puxam demanda pela nova versão da van; montadora mantém versões manuais no mercado brasileiro

Valeria Bursztein

Pouco mais de um mês após o início das vendas no Brasil, a Mercedes-Benz já emplacou 380 unidades da Sprinter equipada com transmissão automática 9G-Tronic. O desempenho inicial reforça a aposta da montadora em um movimento que começa a ganhar força no segmento de vans: a migração gradual das operações urbanas para veículos automáticos, impulsionada pelo crescimento do e-commerce, pela escassez de motoristas e pela busca por maior eficiência operacional.

A chegada da transmissão automática marca uma mudança em um segmento historicamente dominado por veículos manuais no país. A Mercedes-Benz avalia que operações urbanas de entrega, serviços executivos e aplicações de uso intensivo tendem a acelerar a adoção desse tipo de configuração nos comerciais leves.

Segundo a montadora, a procura pela versão automática vinha sendo uma das principais demandas dos clientes da Sprinter nos últimos anos. “Em praticamente todos os eventos ou lançamentos que fazíamos, a primeira pergunta era quando a Sprinter teria transmissão automática”, afirmou Aline Rapassi, head de Produto Vans da Mercedes-Benz Cars & Vans Brasil.

Foto: Divulgação

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Operação urbana impulsiona demanda

O avanço das transmissões automáticas ocorre em um mercado de comerciais leves cada vez mais pressionado por operações urbanas de alta frequência. O crescimento do e-commerce, das entregas rápidas e dos serviços de distribuição regional elevou a demanda por veículos com menor desgaste operacional e maior facilidade de condução em centros urbanos congestionados.

Para fazer frente às demandas, a Mercedes-Benz aposta no conforto operacional e na redução do desgaste mecânico como diferenciais da nova configuração. A caixa automática trabalha com nove marchas, contra seis da versão manual, permitindo rotações mais baixas do motor e trocas praticamente imperceptíveis.

Nos testes realizados pela empresa no Brasil, a Sprinter automática venceu rampas com rotações próximas de 1.800 rpm, enquanto a versão manual exigiu cerca de 2.500 rpm na mesma condição.

Segundo a fabricante, os testes também indicaram ganhos de consumo de combustível de cerca de 5% em trajetos rodoviários e de até 8% em uso urbano, especialmente em operações de anda e para comuns na distribuição de última milha.

Outro argumento da marca é a padronização operacional em grandes frotas. De acordo com a empresa, a transmissão automática reduz diferenças de condução entre motoristas e minimiza desgastes provocados por uso inadequado da embreagem ou trocas incorretas de marcha.

Apesar dos ganhos operacionais, a adoção de transmissões automáticas ainda enfrenta resistência em parte do mercado devido ao maior custo inicial do veículo e às preocupações com manutenção em operações severas.

Foto: Divulgação

E-commerce, motorhomes e transporte executivo

Entre os segmentos que vêm puxando a demanda pela Sprinter automática estão operadores de logística urbana e empresas ligadas ao e-commerce. Segundo a Mercedes-Benz, operações de entregas rápidas exigem cada vez mais produtividade, menor desgaste do motorista e maior eficiência em trajetos urbanos.

A montadora também identifica crescimento da procura no segmento de motorhomes. Segundo Aline Rapassi, concessionários da região Sul registraram reservas antes mesmo do início da produção da nova configuração. “O cliente de motorhome normalmente vem do automóvel de passeio e busca conforto. A transmissão automática torna essa transição muito mais natural”, afirmou a executiva.

O transporte executivo também aparece entre os focos da marca. A expectativa da Mercedes-Benz é que as trocas de marcha mais suaves contribuam para melhorar a experiência dos passageiros em operações corporativas e turismo.

O avanço da transmissão automática atiça um mercado cada vez mais competitivo no segmento de vans e comerciais leves, disputado por modelos como Renault Master, Ford Transit, Fiat Ducato e Iveco Daily, além das diferentes versões da própria Sprinter.

Foto: divulgação

Versões manuais seguem no portfólio

Juliano Ruza Longhi, Analista Sênior de Vendas da Mercedes-Benz Cars & Vans Brasil, afirmou que a chegada da transmissão automática não altera a estratégia da marca de manter versões manuais da Sprinter no mercado brasileiro.

Segundo o executivo, determinadas aplicações profissionais ainda demandam veículos a combustão e transmissões convencionais, especialmente em operações que exigem alta disponibilidade operacional e autonomia, como ambulâncias e serviços especiais. “O Brasil é um país continental e ainda está avançando na infraestrutura necessária para suportar veículos elétricos. Não é uma crítica, é uma realidade operacional”, afirmou Longhi.

Apesar disso, a Mercedes-Benz avalia que o mercado de vans elétricas começa a ganhar tração em nichos específicos de operação urbana. Segundo Aline Rapassi, head de Produto Vans da Mercedes-Benz Cars & Vans Brasil, grandes operadores de entrega urbana seguem liderando a demanda pelas versões elétricas da Sprinter, mas novos segmentos começaram a surgir nos últimos meses.

Um dos movimentos que chamou a atenção da montadora foi o crescimento da procura por ambulâncias elétricas operadas por empresas privadas de saúde. Segundo a executiva, o alto custo do diesel passou a acelerar o interesse pela eletrificação em operações urbanas de atendimento médico. “A questão do consumo de diesel é muito importante para esse segmento. Eles acabaram enxergando essa economia operacional”, afirmou.

De acordo com Aline, a Sprinter elétrica acumula cerca de 250 unidades comercializadas desde o início das vendas, iniciadas efetivamente no começo de 2025, após o lançamento realizado no fim de 2024. A executiva afirma que a adoção ainda ocorre de forma gradual e depende de uma mudança operacional e cultural das empresas. “É uma transição. O cliente precisa ganhar confiança na tecnologia”, explicou.

Segundo ela, a alta recente do diesel acabou acelerando novas encomendas de empresas que inicialmente haviam adquirido apenas unidades de teste. “Clientes que tinham comprado uma para testar voltaram pedindo mais cinco ou dez veículos porque ficou muito difícil manter os custos operacionais com a disparada do combustível”, afirmou.

A Mercedes-Benz avalia que, ao longo do tempo, haverá uma migração natural entre modelos a combustão e elétricos. Segundo a executiva, as fábricas da marca já estão preparadas para produzir ambas as configurações.

Produção regional

A transmissão automática 9G-Tronic foi desenvolvida originalmente pela Mercedes-Benz na Alemanha e passou a ser incorporada neste ano à produção da Sprinter voltada ao Mercosul.

A van comercializada no Brasil é montada na fábrica de Virrey del Pino, na Argentina, unidade responsável pela integração da nova transmissão ao processo produtivo regional. O sistema já é utilizado desde 2013 em automóveis da marca, como as linhas Classe C e Classe E, e desde 2019 equipa versões da Sprinter em mercados como Estados Unidos e Europa.

A transmissão automática está disponível nas versões de carga, passageiros, furgão vidrado e chassi, incluindo modelos de 3,5 toneladas, 4 toneladas e 5 toneladas. O preço inicial parte de R$ 274,3 mil.

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