O financiamento de caminhões no Brasil somou 19.605 operações em maio de 2026, segundo levantamento da Agência Transporte Moderno com base em dados da B3. O volume representa queda de aproximadamente 3,6% em relação a abril, quando foram registradas 20.342 operações, indicando uma leve desaceleração no mercado de crédito para veículos pesados.
O recuo mensal foi puxado principalmente pelo segmento de caminhões novos. Em maio, foram financiadas 7.437 unidades, queda de 8,5% ante as 8.127 operações de abril. Já os caminhões usados somaram 12.171 financiamentos, praticamente estáveis em relação ao mês anterior, quando foram registradas 12.215 operações, variação negativa de apenas 0,4%. O comportamento reforça a tendência de maior resiliência do mercado de seminovos e usados em um ambiente de crédito ainda restritivo e com custo elevado de financiamento.
Apesar da perda de fôlego no mês, o acumulado de janeiro a maio de 2026 ainda mostra crescimento. No período, foram registradas 102.843 operações, alta de cerca de 3,1% em relação aos 99.758 financiamentos do mesmo intervalo de 2025. A dinâmica, no entanto, segue desigual entre os segmentos: enquanto os caminhões novos recuaram 9,4%, para 40.858 operações, os usados avançaram 13,4%, totalizando 61.985 financiamentos.
CDC mantém a liderança
A composição das modalidades de crédito também ajuda a explicar o comportamento do mercado. O Crédito Direto ao Consumidor (CDC) manteve ampla liderança nos cinco primeiros meses do mês, com 82.953 operações nos cinco primeiros meses do ano, seguido pelos consórcios, com 15.425. O leasing respondeu por 539 operações, enquanto a reserva de domínio somou 3.554.
A reserva de domínio é uma modalidade em que o bem financiado permanece formalmente em nome do vendedor ou da instituição financeira até a quitação total da dívida. Embora o comprador utilize o caminhão desde o início do contrato, a propriedade só é transferida ao final do pagamento, mecanismo que reduz o risco de inadimplência para o credor.
Um ponto relevante para a leitura do mercado é que os dados da B3 não contemplam o financiamento via BNDES, que inclui as linhas do Finame — entre elas o programa de renovação de frota Move Brasil, com condições mais atrativas e caráter temporário. Na prática, isso significa que o desempenho efetivo do financiamento de caminhões no país pode ser maior do que o capturado nas estatísticas da bolsa, especialmente em momentos de maior uso de crédito direcionado para renovação de frota.
Nesse contexto, ganha relevância o avanço recente do programa Move Brasil. O BNDES aprovou cerca de R$ 10 bilhões em crédito em apenas 12 dias de operação da linha, o que reforça a forte demanda por financiamento incentivado e o papel das linhas públicas no suporte à renovação da frota de veículos pesados no país.
O quadro geral indica um mercado ainda sustentado por veículos usados e pelo CDC tradicional, enquanto linhas incentivadas e o crédito público seguem desempenhando papel complementar.
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