O Porto de Santos registrou o maior volume de movimentação de cargas da história para um primeiro quadrimestre, reforçando o papel estratégico do terminal na economia brasileira e ampliando os sinais de pressão sobre a infraestrutura logística do país.
Entre janeiro e abril de 2026, o porto movimentou 59,3 milhões de toneladas, crescimento de 6,6% em relação ao mesmo período do ano passado. Apenas em abril, foram 16,5 milhões de toneladas, alta de 11,5% sobre abril de 2025 e novo recorde para o mês.
O desempenho consolida Santos como principal corredor do comércio exterior brasileiro em um momento marcado pela expansão das exportações agrícolas, aumento das importações industrializadas e avanço acelerado da presença chinesa na balança comercial nacional.
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Quase um terço do comércio exterior brasileiro
A relevância econômica do Porto de Santos ficou ainda mais evidente no primeiro quadrimestre de 2026. O terminal respondeu sozinho por 28,5% de toda a corrente comercial brasileira no período.
Na prática, isso significa que quase um terço de tudo o que o Brasil exporta e importa passa pelo complexo santista, evidenciando a crescente concentração logística do país em torno do porto paulista.
O movimento reforça a posição estratégica de Santos para cadeias como agronegócio, combustíveis, indústria automotiva, químicos, fertilizantes e bens industrializados.
Ao mesmo tempo, o avanço da movimentação amplia a pressão sobre a infraestrutura rodoviária, ferroviária e portuária da região, especialmente diante do crescimento simultâneo das exportações agrícolas e da entrada de produtos importados da Ásia.
China amplia domínio
A China ampliou ainda mais sua liderança como principal parceira comercial do Brasil nas operações realizadas pelo Porto de Santos.
Segundo os dados da Autoridade Portuária de Santos (APS), 31,9% de todas as transações internacionais realizadas pelo terminal tiveram o país asiático como origem ou destino entre janeiro e abril.
O fluxo comercial envolvendo a China somou US$ 18,98 bilhões no período — valor três vezes superior ao registrado nas operações com os Estados Unidos, segundo maior parceiro comercial, que movimentaram US$ 6,27 bilhões.
O avanço reflete tanto o crescimento das exportações brasileiras de commodities agrícolas quanto a ampliação das importações de produtos industrializados, veículos eletrificados, máquinas, equipamentos e insumos vindos da Ásia.
Nos bastidores do setor logístico, o aumento da dependência da China também vem provocando mudanças operacionais nos portos brasileiros, pressionando terminais por mais capacidade de armazenagem, novos berços de atracação e maior eficiência no desembaraço aduaneiro.
Contêineres batem recorde
A movimentação de contêineres também registrou recorde histórico no Porto de Santos. Em abril, o terminal operou 508,7 mil TEU, crescimento de 10,7% na comparação anual. No acumulado do quadrimestre, a movimentação atingiu 1,91 milhão de TEU, alta de 5,4%. TEU é a unidade internacional utilizada para medir contêineres de 20 pés e serve como principal indicador global da atividade portuária.
O crescimento dos contêineres mostra que o avanço não está concentrado apenas em commodities agrícolas, mas também no aumento da circulação de produtos industrializados e bens de maior valor agregado.
A expansão ocorre em meio ao aumento das importações brasileiras de veículos eletrificados e produtos chineses, movimento que vem alterando a dinâmica logística de diversos portos nacionais.
Exportações de soja e açúcar
Os granéis sólidos continuam sendo o principal motor operacional do Porto de Santos. No primeiro quadrimestre, a movimentação dessa categoria chegou a 29,2 milhões de toneladas, alta de 8,2% sobre o mesmo período de 2025 e novo recorde histórico para o intervalo.
O principal destaque foi a soja em grãos, cuja movimentação disparou 54,8%. O açúcar também apresentou crescimento expressivo, de 16%, enquanto a soja peletizada avançou 12%. O desempenho reflete a combinação entre safra robusta, demanda internacional aquecida e maior competitividade das commodities brasileiras no mercado externo.
A aceleração das exportações agrícolas também aumenta a pressão sobre corredores logísticos estratégicos, principalmente rodovias e ferrovias que conectam o Centro-Oeste ao litoral paulista.
Nos últimos anos, o crescimento da produção agrícola vem elevando o debate sobre a necessidade de expansão da capacidade operacional do Porto de Santos e de modernização da infraestrutura nacional de escoamento.
Combustíveis puxam granéis líquidos
Os granéis líquidos também tiveram forte avanço no primeiro quadrimestre. A movimentação acumulada chegou a 6,6 milhões de toneladas, crescimento de 10,1% em relação ao mesmo período do ano passado e novo recorde histórico para a categoria. Os maiores avanços ocorreram nos embarques de diesel, óleo combustível e gasolina, com altas de 27,9%, 23,9% e 15,8%, respectivamente. Em abril, o porto movimentou 1,7 milhão de toneladas de granéis líquidos.
O crescimento indica maior circulação de combustíveis no mercado doméstico e internacional, além do aumento da atividade econômica ligada ao transporte e à indústria.
São Paulo mantém liderança
O estado de São Paulo permaneceu como principal origem e destino das operações realizadas pelo Porto de Santos. As transações envolvendo empresas paulistas somaram US$ 30,3 bilhões no primeiro quadrimestre, equivalentes a 50,9% de toda a corrente comercial movimentada pelo terminal.
A concentração reforça a integração entre o maior parque industrial do país e o principal porto brasileiro. Especialistas do setor avaliam que o avanço contínuo da movimentação deve acelerar a discussão sobre novos investimentos em expansão portuária, dragagem, acessos ferroviários e modernização logística.
Com o crescimento simultâneo das exportações agrícolas, da importação de veículos eletrificados e da circulação de contêineres, o Porto de Santos se aproxima de um novo ciclo de pressão operacional — cenário que já começa a mobilizar operadores, armadores e autoridades portuárias em busca de soluções para evitar gargalos nos próximos anos.
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