A Volkswagen quer ampliar sua presença no mercado de caminhões movidos a gás e biometano — hoje dominado pela Scania — e, ao que tudo indica, já se prepara para lançar novos modelos no país para além da operação de coleta urbana, onde já atua em testes com o modelo VW Constellation 26.280 nas empresas Ecourbis e Loga, em São Paulo. Em entrevista ao videocast da Transporte Moderno, o vice-presidente de vendas da companhia, Ricardo Alouche, disse que os veículos já estão em testes avançados em clientes de São Paulo e outras empresas começam a aderir ao projeto.
Alouche admitiu que a empresa trabalha em outras configurações além do atual VW 26.280. “Esse é só o primeiro que entrou em teste e agora em operação. Num futuro breve vocês verão outros modelos chegando”, afirmou. A estratégia da Volkswagen é selecionar aplicações específicas onde o gás tenha maior competitividade operacional, especialmente em operações urbanas ou rotas de curta distância.
A montadora quer avançar gradualmente em nichos específicos, repetindo a mesma lógica utilizada no lançamento do e-Delivery elétrico. Alouche afirmou que a aceitação do biometano tem sido “espetacular” em determinados segmentos e que o interesse do mercado começou a crescer rapidamente após os primeiros testes em operação.
“Estamos muito empolgados com o biometano porque determinados nichos de mercado estão migrando para essa alternativa tecnológica, especialmente o segmento de limpeza urbana, onde eles produzem naturalmente o gás e querem consumir esse gás com a operação dos caminhões”, afirmou.
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Estratégia mira setores autossuficientes em gás
A estratégia inicial da montadora é focar clientes que já possuem infraestrutura própria de produção de biometano, reduzindo uma das principais barreiras para expansão da tecnologia no Brasil: a distribuição de gás.
“Esses setores que são autossuficientes na produção são os primeiros interessados, porque eles já têm a infraestrutura necessária e o produto para abastecer o caminhão”, explicou o executivo. Além da coleta urbana, empresas ligadas ao agronegócio e ao setor sucroenergético começam a entrar no radar da fabricante. O movimento acompanha o avanço de projetos de biogás e biometano produzidos a partir de resíduos agrícolas e industriais.
Apesar do avanço, Alouche reconhece que o mercado ainda seguirá como nicho por vários anos. “Não adianta pensar que agora só se fala gás. É nicho e será nicho por um bom tempo até que haja infraestrutura de distribuição pelas grandes cidades do país”, disse.
Retrofit ganha espaço
Enquanto os modelos de fábrica avançam, o mercado de retrofit para conversão de caminhões diesel em gás também começa a ganhar força no transporte brasileiro — especialmente utilizando caminhões Volkswagen.
Segundo Alouche, atualmente cerca de 100 caminhões Volkswagen convertidos para gás já operam na limpeza urbana do Rio de Janeiro. “São caminhões Volkswagen, mas adaptados para atender a operação do Rio de Janeiro com motor a gás. Não são caminhões produzidos pela fábrica”, explicou.
O executivo reconheceu que o mercado começa a buscar alternativas para reduzir a dependência do diesel e mitigar impactos da volatilidade internacional do combustível.
O avanço do biometano ocorre em um momento de pressão crescente por descarbonização do transporte pesado. O combustível é apontado por transportadoras, montadoras e operadores logísticos como uma alternativa de transição mais viável para o Brasil no curto prazo, principalmente pela dificuldade de expansão rápida da infraestrutura elétrica para caminhões pesados.
A Volkswagen também segue desenvolvendo outras tecnologias de baixa emissão. Entre elas, o Meteor híbrido diesel-elétrico apresentado como conceito na Fenatran 2024. Segundo Alouche, o projeto evolui em fase avançada de testes e foi desenvolvido para aplicações rodoviárias com grande variação de relevo, onde a regeneração de energia pode gerar maior eficiência.
“O Meteor híbrido está progredindo muito bem. É uma tecnologia brasileira voltada principalmente para redução de consumo de combustível”, afirmou. Apesar disso, a companhia mantém uma estratégia multitecnológica e evita apostar em uma solução única para o futuro do transporte.
“Temos caminhão a hidrogênio, gás, elétrico e híbrido sendo desenvolvidos no mundo. O importante é identificar aquilo que traz menor custo e maior benefício para o cliente brasileiro”, concluiu.
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