Rumo e Olfar colocam Porangatu na rota ferroviária

Novo terminal inicia operação em Goiás e amplia conexão logística do Centro-Norte com o Porto de Santos

Valeria Bursztein

A Rumo e a Olfar iniciaram a fase de comissionamento operacional do novo terminal rodoferroviário de Porangatu (GO), estrutura que passa a integrar o norte de Goiás e o sul do Tocantins ao corredor ferroviário de exportação com destino ao porto de Santos (SP). O empreendimento reforça o avanço da ferrovia sobre uma das regiões de maior expansão agrícola do país.

Instalado às margens da BR-153 e conectado à Malha Central da Rumo, o terminal foi projetado para movimentar até 1,5 milhão de toneladas de grãos por ano, com capacidade operacional de carga e descarga de até 1.000 toneladas por hora. A estrutura deverá atender principalmente fluxos de soja, farelo e milho produzidos no Centro-Norte brasileiro.

A entrada em operação é uma resposta ao crescimento da produção agrícola de Goiás e Tocantins e à busca do setor exportador por alternativas logísticas mais eficientes para longas distâncias. Segundo dados da Companhia Nacional de Abastecimento, Goiás está entre os maiores produtores nacionais de soja e milho, enquanto o Tocantins vem ampliando área plantada e produtividade impulsionado pela expansão da fronteira agrícola do MATOPIBA.

A nova estrutura também amplia a presença da Rumo em Goiás. Em 2025, a companhia movimentou cerca de 5,7 milhões de toneladas de grãos no estado e alcançou participação de 28% nas exportações goianas, acima dos 25% registrados em 2024. O avanço acompanha o crescimento da Malha Central e a ampliação da demanda por corredores ferroviários de exportação.

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Escoamento agrícola pela ferrovia

A redução de custos logísticos e maior previsibilidade operacional demanda agronegócio e o avanço da ferrovia no Centro-Oeste é percebido como alternativa logística. Apesar da predominância do transporte rodoviário na matriz brasileira de cargas, a ferrovia amplia participação principalmente nos fluxos de exportação de grãos, açúcar, fertilizantes e combustíveis.

Segundo a Confederação Nacional do Transporte, o modal rodoviário ainda responde por cerca de 65% da movimentação de cargas no país, enquanto a ferrovia participa com aproximadamente 21% da matriz de transporte. No agronegócio, porém, a presença ferroviária vem crescendo de forma mais acelerada devido ao aumento das exportações de grãos e à necessidade de corredores logísticos de maior capacidade.

Dados da Agência Nacional de Transportes Terrestres mostram que as ferrovias brasileiras transportaram mais de 540 milhões de toneladas úteis em 2025, com destaque para os fluxos ligados ao agronegócio. Apenas soja e milho responderam por parcela relevante da movimentação ferroviária nacional, impulsionados pela expansão da produção no Centro-Oeste e no MATOPIBA.

No caso do Centro-Norte, a dependência histórica do caminhão para percursos superiores a 1.500 quilômetros até o complexo portuário santista elevou a pressão por soluções intermodais capazes de reduzir exposição à volatilidade do frete rodoviário, à sazonalidade da safra e às restrições operacionais das rodovias. Em períodos de pico da colheita, corredores como a BR-153 e os acessos ao porto santista registram aumento no fluxo de caminhões e maior pressão sobre custos logísticos.

A expectativa do setor é que terminais intermodais como o de Porangatu contribuam para ampliar a competitividade logística da produção regional, reduzindo custos de transporte e aumentando previsibilidade operacional. Um trem com cerca de 120 vagões pode substituir mais de 350 caminhões em rotas de longa distância, além de reduzir consumo de diesel e emissões de gases de efeito estufa.

Além do aspecto operacional, operadores logísticos e tradings acompanham a disputa crescente entre os corredores de exportação do país. Enquanto o porto de Santos permanece como principal porta de saída das commodities agrícolas brasileiras, os portos do Arco Norte — como porto do Itaqui (MA) e porto de Barcarena (PA) — ampliam participação no escoamento da produção do Centro-Norte em busca de rotas mais curtas até os mercados internacionais.

O projeto também reforça a estratégia de integração logística e industrial da Olfar em Goiás. O grupo vem ampliando operações em Porangatu desde 2021, quando reativou a usina de biodiesel do município. Em 2026, concluiu a implantação de um complexo industrial de soja voltado ao processamento e produção de farelo. Com a conexão ferroviária, a companhia passa a operar volume contratado de cerca de 3 mil toneladas diárias de farelo de soja no terminal.

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