A Log-In Logística Integrada começou 2026 tentando equilibrar duas frentes: preservar margens em um ambiente de competição crescente no transporte marítimo e consolidar a integração entre navegação, operação portuária e transporte rodoviário para sustentar um novo ciclo de investimentos.
A companhia encerrou o primeiro trimestre com receita operacional líquida de R$ 680,1 milhões, praticamente estável em relação ao mesmo período do ano passado. O Lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização, EBITDA ajustado, ficou em R$ 106,6 milhões, com margem de 15,7%. Apesar do cenário considerado mais desafiador pela empresa, o período foi marcado por recordes operacionais na cabotagem e no Terminal Portuário de Vila Velha (TVV), no Espírito Santo.
A navegação costeira, principal negócio da companhia, respondeu por R$ 445,4 milhões da receita no trimestre e gerou EBITDA ajustado de R$ 66,9 milhões. A operação de cabotagem atingiu o maior volume já transportado pela empresa em um primeiro trimestre, impulsionada pela ampliação da carteira de clientes, reorganização da malha logística e aumento de capacidade em corredores considerados estratégicos.
Segundo o presidente da companhia, Marcus Voloch, a prioridade da empresa em 2026 é melhorar a rentabilidade da operação marítima antes de iniciar uma nova etapa de expansão da frota e da infraestrutura. “Não conseguimos manter a operação e só investir. É preciso ter rentabilidade para se ter um navio maior”, afirmou o executivo em entrevista recente à Agência Transporte Moderno durante a Intermodal South America.
A estratégia ocorre em um momento de disputa mais intensa no setor de cabotagem. A Log-In encerrou 2025 com cerca de 27% de participação nesse mercado, no qual compete com gigantes como Aliança Navegação e Logística, controlada pela dinamarquesa A.P. Moller-Maersk, e a Mercosul Line, do grupo francês CMA CGM.
Mesmo com pressão competitiva e impactos cambiais — a desvalorização do dólar reduziu receitas indexadas à moeda americana — a empresa conseguiu manter aderência de 98% de cumprimento dos cronogramas de navegação, indicador considerado crítico para embarcadores que dependem de previsibilidade logística.
“O cliente precisa de regularidade e previsibilidade. A reorganização da malha permitiu ampliar volume e ganhar eficiência operacional”, disse em nota o presidente da Log-In, Marcus Voloch. Além da cabotagem, a companhia registrou avanço nas operações do Mercosul, beneficiadas pelo aumento das exportações argentinas.
Leia mais
Governo lança Move Brasil 2 com R$ 21,2 bi em crédito e juros a partir de 11%
Frete abaixo do piso será bloqueado: ANTT endurece regras
Sany Trucks assume antiga fábrica da Mercedes-Benz em Indaiatuba e inicia produção em julho
Feeder em retração
Já o segmento de feeder — navegação de alimentação entre portos — sofreu retração após o encerramento, em 2025, do serviço Shuttle Navegantes, criado para atender uma demanda específica do mercado.
No braço portuário, o TVV registrou o melhor primeiro trimestre da história em receita e geração de caixa. A receita operacional líquida alcançou R$ 106,6 milhões, enquanto o EBITDA somou R$ 47,6 milhões, com margem de 44,6%. O desempenho foi puxado pelo crescimento de 135,4% na movimentação de carga geral, beneficiado pelo escoamento de safra e pela maior utilização da capacidade operacional do terminal.
A companhia também recebeu, no fim de abril, autorização da Receita Federal para operar a Retroárea Penedo, área de aproximadamente 65 mil metros quadrados que amplia em cerca de 60% a área total do terminal. O espaço será utilizado para atender operações de contêineres, granito, fertilizantes e produtos siderúrgicos.
Segundo comunicado da companhia, os resultados refletem um ciclo recente de investimentos de aproximadamente R$ 205 milhões em modernização, equipamentos e expansão operacional.
Melhora operacional do rodoviário
O braço rodoviário da companhia, operado pela Tecmar Transporte & Logística, também apresentou melhora operacional após anos de reestruturação. A unidade registrou receita operacional líquida de R$ 128,1 milhões no trimestre, alta de 4,7%, e voltou a apresentar EBITDA ajustado positivo, de R$ 2,7 milhões.
Adquirida pela Log-In em 2021, a Tecmar vem passando por um processo de recuperação, com revisão de rotas, busca por eficiência e maior integração com a cabotagem— modelo que combina transporte marítimo e rodoviário para cargas fracionadas.
A integração multimodal é vista internamente como um dos principais diferenciais competitivos da companhia. Atualmente, a Log-In opera nove navios porta-contêineres, com capacidade total de 24.366 TEUs, além de uma rede rodoviária com mais de 50 armazéns e cerca de 1.300 veículos próprios por meio da Tecmar.
No mercado, a aposta da empresa ocorre em um momento de expansão gradual da cabotagem no Brasil, impulsionada pela busca de alternativas ao transporte rodoviário tradicional, pela pressão por redução de emissões e pelo avanço de projetos ligados à descarbonização logística.
Fique por dentro de todas as novidades do setor de transporte de carga e logística:
Siga o canal da Transporte Moderno no WhatsApp
Acompanhe nossas redes sociais: LinkedIn, Instagram e Facebook
Inscreva-se no canal do Videocast Transporte Moderno



