Digitalização avança no transporte para reduzir custos e viagens vazias

Uso de inteligência artificial, automação e análise de dados ganha espaço em um setor pressionado por diesel caro, escassez de motoristas e baixa produtividade operacional

Valeria Bursztein

Responsável por mais de 60% da movimentação de cargas no Brasil, o transporte rodoviário vive uma pressão crescente por eficiência. Em um setor historicamente marcado por baixa integração operacional, excesso de burocracia, viagens sem carga de retorno e forte dependência do diesel, empresas de logística passaram a acelerar investimentos em digitalização, inteligência artificial e automação para tentar reduzir custos e elevar produtividade.

O movimento ocorre em um cenário de margens pressionadas no transporte rodoviário. Além da volatilidade do combustível — que pode representar até 40% do custo operacional do frete em algumas operações — o setor enfrenta escassez de motoristas, envelhecimento da mão de obra e necessidade crescente de ganho de eficiência para compensar custos operacionais mais elevados.

Criada originalmente para atender operações ligadas à Votorantim Cimentos, a Motz ampliou sua atuação nos últimos anos e hoje opera com mais de 500 embarcadores. Segundo Rodrigo Oliveira, Head de Operações e Comercial da empresa, a expansão exigiu adaptações tecnológicas e operacionais para lidar com um mercado ainda bastante fragmentado.

Rodrigo Oliveira, Head de Operações e Comercial da Motz

Um dos principais gargalos, segundo o executivo, continua sendo a baixa familiaridade digital de parte dos caminhoneiros autônomos, especialmente em um setor cuja idade média dos motoristas já supera 53 anos. O baixo ritmo de renovação da mão de obra ampliou a preocupação de operadores logísticos com retenção de profissionais e capacidade futura de transporte.

Para reduzir barreiras operacionais, a companhia estruturou uma operação híbrida, combinando plataforma digital com suporte presencial em mais de 150 pontos físicos de expedição espalhados pelo país.

Além da questão demográfica, a fragmentação de informações ao longo da cadeia logística ainda limita ganhos de produtividade. Dados dispersos entre embarcadores, transportadoras, motoristas e pontos de carga dificultam previsibilidade operacional e resposta rápida a alterações de rota, demanda ou disponibilidade de veículos.

Automação reduz tempo de pagamento

A Motz vem ampliando o uso de inteligência artificial para automatizar leitura e validação de documentos operacionais, como notas fiscais, tickets de balança e comprovantes digitais de entrega.

Segundo a empresa, o tempo necessário para validar e liberar pagamentos aos motoristas caiu de até 12 horas para cerca de cinco minutos após a adoção das ferramentas automatizadas. Em algumas operações, todo o fluxo — da reserva da carga até a conclusão da viagem e recebimento do frete — já ocorre de forma remota.

A empresa também desenvolve sistemas automatizados de cruzamento entre oferta de cargas e disponibilidade de caminhões, utilizando geolocalização e análise de dados operacionais. O objetivo é reduzir deslocamentos vazios e melhorar o aproveitamento da frota.

O problema tem impacto direto sobre os custos do transporte. Em algumas rotas brasileiras, o índice de viagens sem carga de retorno ainda representa uma das principais fontes de ineficiência operacional do setor, elevando consumo de diesel, tempo ocioso e desgaste da frota.

Segundo Oliveira, a tecnologia também começa a influenciar decisões de roteirização dinâmica. Informações sobre trânsito, clima, consumo de combustível e capacidade dos veículos passam a ser incorporadas em tempo real ao planejamento operacional.

Pressão por eficiência acelera transformação digital

A digitalização do transporte ganhou força nos últimos anos com o avanço das chamadas logtechs e o aumento da pressão por rastreabilidade, previsibilidade e controle operacional nas cadeias de suprimentos.

O movimento foi acelerado pela necessidade de reduzir custos em um ambiente de fretes mais pressionados e aumento das exigências de embarcadores por visibilidade operacional em tempo real.

Além da redução de custos, operadores também buscam ganhos ambientais. A redução de deslocamentos vazios e o uso mais eficiente da frota passaram a ser vistos como instrumentos para reduzir consumo de combustível e emissões nas operações rodoviárias.

Construção civil exige operações especializadas

Embora tenha origem na cadeia de materiais de construção, a Motz afirma que sua atuação está concentrada na gestão logística e integração operacional entre embarcadores e transportadores. Segundo a empresa, operações ligadas à construção civil possuem exigências específicas relacionadas ao perfil da carga, tipo de carroceria e equipamentos utilizados no transporte.

Para Oliveira, a digitalização tende a reduzir gradualmente as assimetrias de informação que historicamente marcaram o transporte rodoviário brasileiro. “A visibilidade das operações, que antes era considerada um diferencial, tornou-se um requisito básico para operar”, afirmou o executivo.

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