O governo federal estuda ampliar para até R$ 20 bilhões a linha de crédito para financiamento de caminhões no âmbito do programa Move Brasil, segundo apuração do jornal Valor Econômico. A medida busca estimular a renovação da frota e sustentar a atividade da indústria de veículos pesados.
A nova fase da iniciativa, ainda em discussão, deve ampliar o escopo do programa, que hoje opera com recursos via BNDES.
Lançado no início de 2026, o Move Brasil disponibilizou cerca de R$ 10 bilhões em crédito com condições favorecidas para transportadores, com foco na substituição de veículos mais antigos. Os recursos para empresas já foram praticamente esgotados, restando apenas uma parcela menor destinada a caminhoneiros autônomos.
A ampliação do programa ocorre em um contexto de juros elevados e demanda mais fraca, cenário em que o governo busca estimular investimentos em setores com forte efeito multiplicador, como o automotivo.
Conforme mostrou a Agência Transporte Moderno na semana passada, os efeitos do Move Brasil ainda devem sustentar os emplacamentos de caminhões até maio, à medida que os recursos já liberados continuem sendo convertidos em vendas.
Segundo o presidente da Anfavea, Igor Calvet, o programa ajudou a atenuar a queda do mercado, embora o setor ainda opere em retração, influenciado por fatores como custo do crédito, preços de insumos e incertezas macroeconômicas.
Nos bastidores, há também pressão da indústria para que uma eventual renovação ou ampliação do programa seja anunciada rapidamente, evitando a paralisação de decisões de compra por parte de transportadores à espera de novas condições de financiamento.
A proposta em estudo pode ainda combinar recursos do Tesouro com funding do próprio BNDES e integrar iniciativas ligadas à transição energética, dentro da agenda de renovação de frota e redução de emissões.



