A Arauco começou a receber os vagões que formarão a frota ferroviária destinada ao escoamento da produção de sua futura fábrica de celulose em Inocência (MS) até o Porto de Santos (SP). A Randon entregou o primeiro lote, com 40 unidades, de um contrato que prevê o fornecimento de 721 vagões até novembro de 2027.
A entrega representa mais uma etapa na montagem do corredor logístico do Projeto Sucuriú, investimento de US$ 4,6 bilhões que marca a entrada da Arauco na produção de celulose no Brasil. A fábrica terá capacidade para produzir 3,5 milhões de toneladas por ano e previsão de início das operações no final de 2027.
A estratégia envolve uma estrutura ferroviária associada diretamente ao empreendimento industrial. A Arauco está construindo um ramal próprio em Inocência para conectar a fábrica à Malha Norte, operada pela Rumo. A partir dessa conexão, a celulose seguirá por ferrovia até Santos.
O sistema foi dimensionado para contar com 26 locomotivas e 721 vagões e operar composições com capacidade de até 9,6 mil toneladas.
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Contrato de vagões chega a R$ 770 milhões
Os vagões estão sendo produzidos na fábrica da Randon em Araraquara (SP). O contrato com a Arauco foi estimado em R$ 770 milhões e prevê entregas em lotes mensais de 40 unidades até novembro do próximo ano.
Cada vagão Sider FLT tem capacidade bruta de 130 toneladas e líquida de 98 toneladas, equivalente, segundo a fabricante, a mais de 390 fardos de celulose.
Os equipamentos possuem abertura lateral total para carregamento e descarregamento pelos dois lados, lonas com tramas de aço antivandalismo, sistema reforçado de tensionamento, divisórias internas e soluções destinadas a reduzir a absorção de umidade durante o transporte.
“A produção dos equipamentos segue o cronograma estabelecido para que tenhamos toda a infraestrutura necessária para o transporte da celulose no início das operações da fábrica”, afirma Alberto Pagano, diretor de Logística e Suprimentos da Arauco Celulose.
Ferrovia própria integra fábrica à Malha Norte
A ferrovia é uma das principais estruturas logísticas associadas ao Projeto Sucuriú. O ramal ligará a unidade industrial à malha ferroviária existente e deverá entrar em operação juntamente com a fábrica. A infraestrutura ferroviária própria tem cerca de 45 quilômetros de linha externa, além de aproximadamente nove quilômetros de vias dentro do complexo industrial. O projeto recebeu autorização da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) no modelo de autorizações ferroviárias.
Depois de acessar a Malha Norte, a carga seguirá pela rede da Rumo em direção ao litoral paulista. A escala ferroviária foi concebida para acompanhar uma produção anual que poderá chegar a 3,5 milhões de toneladas de celulose.
Santos fecha o corredor de exportação
Na outra ponta do corredor, a Arauco também avança na estrutura portuária. Em março, a Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) aprovou a mudança de controle da Alempor, detentora de um Terminal de Uso Privado (TUP) na região da Alemoa, no Porto de Santos, abrindo caminho para a aquisição pela companhia.
A operação faz parte da estratégia de controlar ativos considerados essenciais para o escoamento da produção do Projeto Sucuriú e ampliar a previsibilidade da cadeia logística até a exportação.
Com fábrica, ramal próprio, conexão à Malha Norte, frota ferroviária dedicada e estrutura portuária em Santos, a Arauco estrutura um corredor de aproximadamente mil quilômetros entre o leste de Mato Grosso do Sul e o principal complexo portuário brasileiro.
A chegada dos primeiros vagões mostra que essa infraestrutura começa a avançar em paralelo às obras industriais. Pelo cronograma atual, toda a frota deverá estar disponível quando a fábrica iniciar a produção, no final de 2027.
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