A pressão pela descarbonização do transporte rodoviário está levando a indústria brasileira de implementos rodoviários a acelerar os investimentos em inovação. O movimento acompanha a evolução tecnológica dos caminhões, que avançam na eletrificação e no uso de combustíveis de menor emissão, ao mesmo tempo em que aumenta a demanda dos transportadores por implementos mais eficientes e alinhados às metas de sustentabilidade.
Segundo José Carlos Sprícigo, presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Implementos Rodoviários (Anfir), as empresas do setor destinam, em média, entre 1% e 2% da receita líquida para pesquisa e desenvolvimento. Em 2026, no entanto, esse percentual pode ser maior devido à preparação para a Fenatran, principal feira do setor na América Latina.
“Normalmente, a indústria investe entre 1% e 2% da receita líquida em inovação. Em anos de Fenatran, os investimentos costumam ser maiores para apresentar novidades ao mercado. Neste ano, eles podem ultrapassar 2% e chegar perto de 3%”, afirmou à reportagem da Agência Transporte Moderno durante o Fórum Transporte Sustentável realizado na última quarta-feira (1º), na fábrica da Scania, no ABC paulista.
Entre as principais frentes de desenvolvimento estão tecnologias voltadas tanto à redução das emissões dos veículos quanto à diminuição da pegada de carbono dos processos industriais.
De eixos elétricos a quinta roda inteligente
No campo dos produtos, Sprícigo destacou o desenvolvimento de eixos elétricos, sistemas de carregamento, quinta roda inteligente, soluções aerodinâmicas para reduzir o arrasto dos implementos e aplicações de nanotecnologia em materiais, permitindo a fabricação de componentes mais leves e eficientes.
Já nas fábricas, as empresas vêm ampliando investimentos em robotização, automação, digitalização e no uso de gêmeos digitais para tornar os processos produtivos mais eficientes e reduzir as emissões associadas à fabricação dos implementos.
“Também estamos trabalhando dentro das nossas indústrias para reduzir o efeito de carbono na produção. Há bastante coisa sendo desenvolvida nessa área”, disse.Segundo o presidente da Anfir, a necessidade de inovação acompanha uma tendência global impulsionada pelos fabricantes de caminhões.
“É um movimento global. Os caminhões já estão bem à frente nessa agenda e os implementos precisam acompanhar essa evolução”, afirmou. Na avaliação de Sprícigo, a pressão pela descarbonização também parte dos próprios clientes, que passaram a exigir soluções sustentáveis em toda a composição do conjunto rodoviário.
“Os clientes cobram muito das montadoras porque precisam reduzir as emissões de carbono. A mesma cobrança chega aos fabricantes de implementos”, disse. De acordo com o executivo, essa demanda tem direcionado os investimentos da indústria em tecnologias capazes de melhorar a eficiência operacional dos equipamentos.
“Toda redução de arrasto aerodinâmico, a nanotecnologia e outras soluções vêm ao encontro das aspirações dos nossos clientes. Quem compra um caminhão movido a biometano também quer agregar um semirreboque que siga o mesmo conceito de sustentabilidade”, afirmou.
Sprícigo também destacou a importância de ampliar o debate sobre a descarbonização do transporte e a integração entre os diferentes elos da cadeia.
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