Suape avança com petróleo e movimenta 11,2 milhões de toneladas

Expansão da refinaria, investimentos em infraestrutura e avanço das operações energéticas impulsionam o crescimento do porto pernambucano

Aline Feltrin

O Porto de Suape vive um dos momentos mais fortes de sua história recente. Entre janeiro e maio de 2026, o complexo industrial portuário movimentou 11,27 milhões de toneladas de cargas, crescimento de 26,9% em relação ao mesmo período do ano passado. O resultado não apenas consolida a trajetória de expansão observada desde o início do ano, como também reforça a posição de Suape entre os principais polos logísticos do país.

Os números colocam o terminal pernambucano como o quarto porto público mais movimentado do Brasil, segundo ranking da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq). Mais do que um crescimento pontual, o desempenho reflete uma combinação de fatores estruturais que vêm ampliando a competitividade do complexo e atraindo novos fluxos de cargas.

O principal motor dessa expansão está na cadeia de petróleo e combustíveis. As operações com granéis líquidos responderam por 66,2% de toda a movimentação registrada nos cinco primeiros meses do ano, totalizando 7,45 milhões de toneladas. O volume representa um salto de 41,9% em comparação com igual período de 2025.

Por trás desse avanço está a ampliação da capacidade operacional da Refinaria Abreu e Lima (Rnest), instalada dentro do complexo. Com capacidade para processar até 130 mil barris de petróleo por dia, a refinaria elevou a demanda por movimentação de petróleo, derivados e combustíveis, fortalecendo o papel de Suape como um dos principais corredores energéticos do país.

O crescimento das operações energéticas tem gerado efeitos em cadeia sobre a atividade portuária. O aumento da movimentação de combustíveis impulsiona a demanda por infraestrutura, atrai investimentos e amplia a circulação de embarcações. Entre janeiro e maio, o porto recebeu 693 navios, alta de 14,7% na comparação anual.

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Contêineres em expansão

A expansão de Suape não se explica apenas pelo petróleo. O complexo também mantém forte presença no mercado de contêineres. O terminal Tecon Suape movimentou 275,7 mil TEUs (unidade equivalente a um contêiner de 20 pés) no período, volume semelhante ao registrado em 2025 e responsável por cerca de um quarto de toda a movimentação do porto.

A estabilidade das operações conteinerizadas demonstra a capacidade do terminal de manter elevados níveis de atividade mesmo em um cenário de desaceleração econômica e juros ainda elevados. O desempenho reforça o papel estratégico de Suape como porta de entrada e saída de mercadorias para o Nordeste.

Outro destaque veio dos granéis sólidos. O segmento registrou movimentação de 658,6 mil toneladas, avanço de 43,6% sobre o mesmo período do ano passado. Produtos como trigo, cimento, clínquer e coque lideraram o crescimento, refletindo tanto o aumento da atividade industrial quanto a retomada de investimentos em setores ligados à construção civil e à produção manufatureira.

A localização geográfica também ajuda a explicar o avanço do terminal. Situado em uma posição estratégica do litoral nordestino, Suape está próximo das principais rotas marítimas internacionais e funciona como um ponto de conexão entre os mercados do Nordeste, Sudeste, Norte e exterior. Essa característica reduz custos logísticos para empresas e amplia a atratividade do complexo para novos investimentos industriais.

Nos últimos anos, o porto também vem ampliando investimentos em modernização operacional, digitalização de processos e expansão de infraestrutura. Entre os projetos prioritários estão melhorias nos píeres de granéis líquidos, consideradas fundamentais para sustentar o crescimento da cadeia de petróleo, derivados e combustíveis.

Investimentos que evitam gargalos

Segundo José Constantino, diretor de desenvolvimento e gestão portuária de Suape, a continuidade dos investimentos será decisiva para evitar gargalos operacionais. “Os resultados refletem não apenas o aumento da demanda por combustíveis e derivados, mas também a importância de avançarmos com os investimentos planejados para os píeres de granéis líquidos. Essas intervenções serão fundamentais para elevar a eficiência operacional, ampliar a capacidade de atendimento e garantir que Suape continue acompanhando o ritmo de crescimento da cadeia de petróleo, derivados e combustíveis”, destaca.

A combinação entre expansão industrial, crescimento da refinaria, aumento da movimentação energética e investimentos em infraestrutura vem transformando Suape em um dos principais vetores logísticos do país. Se o ritmo observado nos cinco primeiros meses do ano for mantido, 2026 poderá entrar para a história como um dos melhores anos já registrados pelo porto pernambucano.

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