A nova onda de montadoras chinesas que desembarca no mercado brasileiro de caminhões chega com uma estratégia diferente da vista na primeira ofensiva das asiáticas no país, há cerca de 15 anos. Agora, além dos veículos, as fabricantes apostam em estrutura industrial, rede de concessionárias, pós-venda e serviços conectados para ganhar espaço no transporte rodoviário. “Hoje as chinesas estão muito mais preparadas”, afirmou Thiago Ferreira Braga, gerente executivo da Fenatran à Agência Transporte Moderno. O evento será realizado entre os dias 9 e 13 de novembro, no São Paulo Expo.
Segundo Ferreira, o avanço das fabricantes asiáticas acontece em um momento de transformação tecnológica da indústria de veículos comerciais, impulsionada pela eletrificação, pelo crescimento do gás e do biometano e pela busca das transportadoras por redução de custos operacionais. “O transportador brasileiro não compra apenas o caminhão. Ele compra disponibilidade, conectividade, atendimento e pós-venda”, disse.
Na avaliação do executivo, o mercado brasileiro de pesados é mais rígido e tradicional do que o segmento de veículos leves, o que obriga as fabricantes a oferecerem suporte contínuo e disponibilidade operacional. “O caminhão parado significa perda de receita. Por isso o pós-venda virou um diferencial competitivo central”, afirmou.
A edição de 2026 da Fenatran terá participação de seis fabricantes chinesas ou ligadas a grupos chineses: BYD, Foton, JAC Motors, Sany, Sinotruk e XCMG. Ou seja, das 13 montadoras confirmadas, metade são empresas asiáticas.
Seja como for, a nova ofensiva chinesa ocorre em um cenário mais competitivo porque o mercado brasileiro de caminhões não cresceu na mesma proporção da chegada de novos participantes. “O bolo continua praticamente o mesmo. Isso significa que todas as empresas precisarão disputar participação de mercado”, afirmou.
A avaliação da organização é que a concorrência deve se intensificar principalmente nas áreas de serviços, conectividade e disponibilidade mecânica. O avanço das chinesas também amplia a pressão sobre fabricantes tradicionais como Mercedes-Benz, Scania, Volvo, Volkswagen Caminhões e Ônibus, Iveco e DAF Trucks.
A Fenatran 2026 deve consolidar a estratégia de “multicaminhos” adotada pela indústria de caminhões no Brasil. Além dos elétricos, a feira terá forte presença de modelos movidos a gás, biometano, etanol e soluções híbridas. “As dimensões continentais do Brasil impedem uma transição acelerada baseada exclusivamente em caminhões elétricos. O país exige diferentes tecnologias dependendo da rota e da operação”, afirmou.
A expectativa é que a edição deste ano apresente novos projetos de caminhões elétricos pesados, além de soluções voltadas ao transporte urbano e ao last mile.
Organização quer repetir R$ 15 bilhões em negócios
A Fenatran 2026 chega à sua 25ª edição com uma meta considerada ousada pelo setor: repetir os R$ 15 bilhões em negócios declarados da última edição, realizada em 2024, mesmo diante de um cenário marcado por juros elevados, crédito mais caro, guerra geopolítica e desaceleração em parte do agronegócio.
O valor representa mais que o dobro dos R$ 6 bilhões registrados em 2022 e consolidou a feira como principal termômetro de investimentos do transporte rodoviário de cargas no Brasil. A estratégia da organização neste ano não será ampliar o número total de visitantes, mas aumentar a presença de compradores com poder de decisão, como grandes transportadoras, operadores logísticos e gestores de frota.
“Hoje nossa régua não é simplesmente colocar mais público dentro da feira, mas garantir visitantes qualificados, capazes de gerar negócios”, afirmou Ferreira. Na última edição, a Fenatran recebeu cerca de 74 mil visitantes ao longo de cinco dias.
Segundo a organização, o cenário econômico poderia justificar até uma retração nos volumes negociados, o que torna a manutenção do patamar de 2024 um resultado considerado positivo pelo setor. Além da taxa de juros elevada, o mercado acompanha os impactos da guerra geopolítica sobre combustíveis, logística e custos operacionais. “O transporte rodoviário continua sendo essencial para a economia brasileira. Tudo passa por caminhão no país”, afirmou o gerente da Fenatran.
Entre as novidades da edição está a ampliação do “Fenatran Experience”, espaço dedicado a testes de caminhões. Segundo a organização, sete montadoras participarão da área de demonstração, instalada na parte externa do São Paulo Expo. A pista terá cerca de dois quilômetros e permitirá simulações de aceleração, frenagem e dirigibilidade em diferentes condições operacionais. A expectativa é que o espaço funcione como ferramenta para aproximar fabricantes e transportadores em um momento de forte transformação tecnológica do setor.
Serviço
Evento: Fenatran 2026
Data: de 9 a 13 de novembro de 2026
Local: São Paulo Expo
Mais informações e credenciamento:
Fenatran 2026
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