O avanço da demanda do agronegócio brasileiro por fertilizantes começa a acelerar uma nova rodada de investimentos em infraestrutura ferroviária e portuária. Em Santos (SP), a VLI concluiu a construção de uma nova linha férrea no Terminal Integrador Portuário Luiz Antonio Mesquita (Tiplam), em um projeto de R$ 38 milhões voltado à ampliação da capacidade de movimentação de insumos agrícolas destinados principalmente ao Centro-Oeste.
Com dois quilômetros de extensão, a nova estrutura deverá elevar em até 30% a eficiência operacional das operações ferroviárias de fertilizantes no terminal, segundo a companhia. A ampliação busca reduzir tempos de espera, aumentar o giro dos vagões e ampliar a capacidade de expedição de cargas para estados como Mato Grosso, principal consumidor de fertilizantes do país.
Santos concentra pressão logística do agro
O investimento ocorre em meio ao crescimento da pressão logística sobre os corredores de abastecimento do agronegócio. O Brasil segue entre os maiores consumidores globais de fertilizantes e depende fortemente das importações para atender sua produção agrícola. Grande parte desse volume entra pelo Porto de Santos, que concentra operações ligadas à soja, milho, açúcar, combustíveis, contêineres e insumos agrícolas.
Nos períodos de pico da safra, a disputa por capacidade logística no complexo santista se intensifica. Além do aumento do fluxo rodoviário, operadores vêm buscando ampliar o uso da ferrovia para reduzir gargalos operacionais e melhorar a previsibilidade das entregas ao interior do país.
O Tiplam é um dos principais ativos da VLI em Santos e opera integrado à Ferrovia Centro-Atlântica (FCA). O terminal movimenta fertilizantes, enxofre e outras cargas ligadas às cadeias agrícola e industrial. A expansão da infraestrutura ferroviária ocorre em um momento em que operadores logísticos tentam ganhar eficiência em corredores pressionados pelo crescimento do agronegócio brasileiro.
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Fertilizante: carga estratégica
Mais do que uma carga de apoio ao campo, o fertilizante passou a ocupar posição estratégica na logística nacional. Diferentemente dos grãos, cuja exportação pode absorver oscilações operacionais de curto prazo, o abastecimento de fertilizantes precisa obedecer à janela agrícola. Atrasos na entrega podem afetar cronogramas de plantio e elevar custos para produtores rurais.
O movimento também reflete uma mudança importante no desenho logístico do agronegócio brasileiro. Nos últimos anos, o fluxo ferroviário deixou de ser concentrado apenas na exportação de commodities e passou a incorporar, de forma crescente, o transporte de insumos no sentido inverso. Na prática, operadores tentam aumentar a eficiência dos corredores ferroviários utilizando o retorno dos vagões para abastecer regiões agrícolas com fertilizantes importados.
Eficiência nos corredores ferroviários
Além de reduzir viagens vazias, a estratégia melhora a produtividade operacional das ferrovias e reduz custos logísticos em longas distâncias, especialmente para estados do Centro-Oeste.
A ampliação do Tiplam ocorre em paralelo a uma corrida por capacidade logística envolvendo ferrovias, terminais portuários e operadores privados. Nos últimos anos, projetos ligados ao agronegócio vêm puxando investimentos em corredores ferroviários, armazenagem e integração multimodal em diferentes regiões do país, em meio à expansão da produção agrícola e ao aumento da demanda por infraestrutura mais eficiente.
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