Os investimentos públicos em infraestrutura de transportes no Brasil continuam em patamar considerado baixo e distante do necessário para sustentar a modernização logística do país. Segundo levantamento do Instituto de Logística e Supply Chain (ILOS) analisado pela Agência Transporte Moderno, após atingir R$ 33 bilhões em 2010 e R$ 31 bilhões em 2011, os aportes recuaram de forma consistente ao longo da última década e, nos últimos anos, oscilaram entre R$ 8 bilhões e R$ 15 bilhões, mesmo com correção pela inflação.
Em 2025, os investimentos públicos somaram R$ 14 bilhões, com forte concentração no modal rodoviário e baixa participação de ferrovias, hidrovias e outros sistemas de transporte. Segundo estimativas do setor, cerca de metade dos investimentos totais em infraestrutura de transportes no país foi realizada pelo setor público, enquanto a outra metade ficou a cargo da iniciativa privada.
Apesar de uma leve recuperação em relação aos níveis mais baixos observados entre 2021 e 2022, o volume investido ainda é considerado insuficiente. No ano passado, o Brasil destinou o equivalente a apenas 0,13% do PIB à infraestrutura de transportes, percentual bastante inferior aos cerca de 2% do PIB ao ano apontados como necessários para manutenção, expansão e modernização da malha logística nacional.

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Patamar baixo entre as principais economias
O professor de Supply Chain da Fundação Dom Cabral, Paulo Resende, explicou à reportagem que o Brasil mantém um dos menores níveis de investimento em infraestrutura de transportes entre as 20 maiores economias do mundo. “Os investimentos públicos em infraestrutura de transportes no Brasil continuam sendo os menores em relação ao PIB nas vinte principais economias do mundo. É um patamar baixo diante do que o Brasil precisa, considerando que a nossa infraestrutura é historicamente muito ruim, principalmente agora com uma nova demanda e um crescimento de demanda impressionante na área dos granéis agrícolas”, afirma.
Ele destaca ainda que setores como agronegócio e base florestal dependem de alternativas mais eficientes ao modal rodoviário. “Eu destaco os granéis agrícolas, e poderíamos também incluir celulose, papel e outros granéis minerais, que estão extremamente dependentes de modos de transporte que não são rodovias”, completa.
A restrição de investimentos impacta diretamente a estrutura de transporte do país, ao limitar a expansão de modais mais eficientes, como ferrovias e hidrovias, e manter a forte dependência do sistema rodoviário. Além disso, a falta de recursos compromete a qualidade da infraestrutura existente, aumentando gargalos operacionais, segundo o professor.
Na prática, o cenário resulta em maiores custos logísticos para empresas, menor previsibilidade nas operações, aumento do tempo de trânsito de cargas e redução da competitividade do Brasil no comércio interno e externo.
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