Governo lança crédito de R$ 10 bilhões para destravar investimento no campo

Nova linha do Move Agricultura e renegociação de dívidas sinalizam reação à perda de fôlego do agro. tema já abordado pela Agência Transporte Moderno

Aline Feltrin

Na abertura da Agrishow, em Ribeirão Preto (SP), neste domingo (26), o vice-presidente Geraldo Alckmin anunciou uma nova linha de R$ 10 bilhões em crédito voltada à modernização de máquinas e implementos agrícolas, além de antecipar um programa de renegociação de dívidas rurais. A medida surge como resposta direta ao cenário de menor capacidade de investimento no campo — tendência já destacada pela Transporte Moderno na cobertura prévia do evento.

A nova linha, batizada de Move Agricultura, segue o modelo do programa lançado no início do ano para renovação da frota de caminhões, cujo orçamento inicial também foi de R$ 10 bilhões e se esgotou em cerca de 60 dias. Agora, o foco se volta ao campo, com financiamento para tratores, colheitadeiras e implementos, com juros mais baixos e acesso ampliado, inclusive para cooperativas.

“Em três semanas, teremos R$ 10 bilhões disponíveis com condições mais vantajosas para modernização do maquinário”, afirmou Alckmin durante o evento.

Crédito como resposta à perda de tração

A iniciativa dialoga diretamente com a análise publicada pela Agência Transporte Moderno sobre a Agrishow deste ano, que já apontava um ambiente mais cauteloso entre produtores rurais. Apesar da safra recorde e do bom desempenho das exportações, o setor enfrenta restrições relevantes de crédito, pressionado por juros elevados e aumento do endividamento.

Nesse contexto, o anúncio do governo funciona como uma tentativa de destravar investimentos que vinham sendo postergados — especialmente na renovação de máquinas, um elo crítico para a produtividade e também para a cadeia industrial e de transporte.

A estratégia também reforça a interdependência entre o agro e o setor de veículos comerciais: a desaceleração nos investimentos no campo impacta diretamente a demanda por caminhões, implementos rodoviários e serviços logísticos.

Renegociação de dívidas no radar

Além do crédito novo, o governo prepara um programa de renegociação de dívidas rurais, que deve contemplar tanto produtores inadimplentes quanto aqueles em dia com suas obrigações.

A medida é vista como essencial para recompor a capacidade financeira dos produtores e permitir a retomada de investimentos. Nos bastidores do setor, o endividamento crescente já vinha sendo apontado como um dos principais freios à renovação de frota e à adoção de novas tecnologias.

Integração entre agro, indústria e inovação

Operada com recursos do FNDCT e gerida pela Finep, a nova linha de crédito terá foco em conteúdo nacional, inovação e pesquisa e desenvolvimento. A proposta é estimular não apenas a compra de máquinas, mas também o avanço tecnológico da cadeia agroindustrial.

Pela primeira vez, cooperativas poderão acessar diretamente o crédito da Finep, ampliando o alcance da política.

Durante o evento, a ministra do Desenvolvimento Agrário, Fernanda Machiaveli, destacou a importância da mecanização, especialmente na agricultura familiar, enquanto o ministro da Agricultura, André de Paula, reforçou o impacto positivo esperado com o acordo Mercosul-União Europeia para a competitividade do setor.

Momento paradoxal do agro

O anúncio ocorre em um momento de forte expansão estrutural do agronegócio brasileiro. O país abriu 600 novos mercados desde 2023, atingiu US$ 169,2 bilhões em exportações em 2025 e segue com projeções recordes de produção de grãos.

Ainda assim, o setor enfrenta um paradoxo: cresce em volume e relevância global, mas encontra dificuldades para sustentar o ciclo de investimentos.

É justamente nesse ponto que o pacote anunciado na Agrishow tenta atuar. Ao combinar crédito subsidiado com reestruturação de dívidas, o governo busca restaurar a capacidade de investimento — condição essencial não apenas para o agro, mas para toda a cadeia de transporte e logística que depende dele.

Na prática, o sucesso da medida será medido pela velocidade com que esses recursos chegarão à ponta e pela capacidade de reativar decisões de compra que, até agora, vinham sendo adiadas.

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