O Mercado Livre começa a olhar para o hidrogênio como uma possível alternativa para descarbonizar o transporte de longa distância. A tecnologia ainda está em uma fase inicial de avaliação dentro da companhia, que afirma não manter, neste momento, conversas com fabricantes de caminhões movidos a hidrogênio. A empresa, no entanto, acompanha a evolução dos projetos e considera que as rotas mais longas podem ser um dos espaços em que a tecnologia encontre aplicação.
“Nós estamos observando por enquanto, mas entendemos que as rotas longas podem ser um caminho interessante”, afirmou Frederico Laurino Rezeck, vice-presidente de Transportes do Mercado Livre no Brasil à Agência Transporte Moderno, durante o evento Mercado Livre Experience realizado na semana passada, em São Paulo.
Segundo Rezeck, a evolução da tecnologia ocorre mais rapidamente em outros mercados, enquanto o Brasil ainda está em estágio inicial. Por isso, a empresa evita estabelecer uma data precisa para a entrada do hidrogênio em sua operação, mas admite que os avanços podem antecipar esse movimento.
A estratégia faz parte de uma visão mais ampla do Mercado Livre sobre a transição energética. A companhia trabalha atualmente com diferentes tecnologias de acordo com o perfil da operação. Os veículos elétricos estão concentrados principalmente na distribuição urbana, enquanto o biometano ganha espaço nas operações de transferência e nas rotas mais longas.
O hidrogênio, nesse cenário, aparece como uma alternativa a ser acompanhada para aplicações nas quais autonomia, tempo de abastecimento e distância percorrida são fatores determinantes.
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Elétricos avançam da fase de testes para a escala
A entrada do hidrogênio no radar ocorre enquanto o Mercado Livre já avança na eletrificação da operação. Em reportagem publicada pela Transporte Moderno em agosto, a companhia afirmou que 2026 marca uma virada econômica para os veículos elétricos, que já apresentam custo mais competitivo que modelos equivalentes a combustão em determinadas operações.
Segundo dados apresentados pelo Mercado Livre, a companhia opera atualmente com 17,5 mil veículos de baixas emissões na América Latina, considerando elétricos, etanol e biometano. Desse total, 4,5 mil são elétricos e realizam entregas pelo menos semanalmente. As operações de baixa emissão já respondem por 15,9% das entregas, equivalentes a 218 milhões de pacotes e 2,3 milhões de rotas.
O avanço mostra que a estratégia da empresa não está baseada na adoção de uma única tecnologia. A escolha passou a considerar as características de cada operação, incluindo rota, veículo, transportador, infraestrutura e custo total.
O Mercado Livre passou a avaliar a eletrificação pelo TCO (Total Cost of Ownership), que considera não apenas a aquisição ou locação do veículo, mas também energia, manutenção e utilização do ativo. Para a companhia, a sustentabilidade precisa estar associada à eficiência operacional e econômica. “A sustentabilidade não é uma agenda que anda sozinha. É uma agenda que anda de mão dada com o negócio”, afirmou Rezeck.
Hidrogênio pode ocupar espaço nas rotas longas
O perfil de utilização é um dos principais fatores que determinarão qual tecnologia será adotada em cada operação. Hoje, os elétricos encontram maior aderência em operações urbanas e em trajetos conhecidos e previsíveis. Já o biometano vem sendo direcionado principalmente para operações de transferência.
O hidrogênio pode ocupar outro espaço, especialmente em operações de maior distância. A possibilidade de combinar maior autonomia e abastecimento mais rápido é justamente um dos aspectos que fazem a tecnologia ser acompanhada pelo setor de transporte pesado.
A experiência do Mercado Livre com os elétricos ajuda a explicar essa divisão. Rotas fechadas entre centros de distribuição, operações intralogísticas, portuárias ou industriais permitem dimensionar previamente a infraestrutura de recarga. Já no transporte rodoviário de longa distância, principalmente em trajetos variáveis, a falta de uma rede de recarga com capilaridade suficiente ainda restringe a utilização dos elétricos.
Ainda assim, o Mercado Livre não sinaliza uma substituição de tecnologias. A estratégia é acompanhar a evolução de cada alternativa e avaliar onde existe infraestrutura suficiente para garantir eficiência operacional. “Não tem uma montadora ou uma [tecnologia específica]. Estamos sempre acompanhando as tendências para poder ver o que faz mais sentido para a nossa operação”, afirmou Rezeck.
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