Fusões e aquisições em infraestrutura recuam, mas portos e ferrovias viram alvo de investidores

Número de operações caiu 37,8% no primeiro semestre, segundo a KPMG, mas grandes ativos logísticos continuam atraindo capital nacional e estrangeiro

Aline Feltrin

O mercado de fusões e aquisições em infraestrutura e governo movimentou R$ 8,1 bilhões no primeiro semestre de 2026, queda de 11,9% em relação aos mais de R$ 9 bilhões registrados no mesmo período do ano passado. O número de operações caiu de 37 para 23, recuo de 37,8%, segundo levantamento da consultoria KPMG.

Do total de transações, seis envolveram rodovias, sete serviços públicos, seis portos e aeroportos e quatro infraestrutura social. Apenas cinco tiveram participação de fundos de private equity ou venture capital, que investem diretamente em empresas com potencial de crescimento, geralmente adquirindo participação societária

A redução foi mais forte no segundo trimestre, principalmente pela retração da agenda de concessões rodoviárias. Já os negócios envolvendo portos e aeroportos sustentaram parte da atividade no setor. Um dos maiores negócios do semestre foi a compra da Corredor Logística e Infraestrutura (CLI), empresa que opera terminais portuários em Santos (SP) e Itaqui (MA), pela Abu Dhabi Ports, grupo dos Emirados Árabes Unidos. A transação foi avaliada em cerca de R$ 2,5 bilhões e marcou a entrada da companhia no mercado latino-americano.

“Essa redução da atividade foi acentuada no segundo trimestre, principalmente, pela retração da agenda de concessões em rodovias, enquanto as transações envolvendo gestão de operações portuárias e aeroportos sustentam as atividades de fusões e aquisições no setor”, afirma em nota, Cláudio Graeff, sócio-líder de infraestrutura da KPMG no Brasil.

Leia mais

Mercado Livre reduz Correios a menos de 5% das entregas
Cummins prepara fábrica de Osasco para nova geração de eixos
IAA 2026: veja os caminhões que Mercedes-Benz, Volvo, Tesla e outras gigantes vão apresentar

Investimentos avançam nos portos

Enquanto o número de transações diminuiu, empresas do setor anunciaram novos investimentos em infraestrutura portuária. Em Santos, a DP World está investindo mais de R$ 2 bilhões na expansão do terminal de contêineres. O projeto prevê elevar a capacidade de movimentação de 1,4 milhão para 2,1 milhões de TEUs até 2028.

A CLI, antes mesmo da conclusão da venda para a Abu Dhabi Ports, também havia anunciado um plano de R$ 800 milhões até 2028 para ampliar sua operação em Santos. O projeto inclui novo armazém, expansão de moegas e aumento da capacidade anual do terminal de 16 milhões para 20 milhões de toneladas.

Em Suape (PE), a Movecta anunciou investimentos superiores a R$ 100 milhões até 2030. A primeira etapa, de cerca de R$ 20 milhões, prevê a ampliação da área alfandegada de 96 mil para 180 mil metros quadrados. A movimentação de cargas tem acompanhado a expansão dos investimentos. Suape registrou 13,7 milhões de toneladas movimentadas no primeiro semestre, alta de 25,6% em relação ao mesmo período de 2025. Em Santos, foram 75,65 milhões de toneladas no primeiro semestre, crescimento de 4,7% na comparação anual.

Ferrovias ampliam capacidade

A infraestrutura ferroviária também concentra investimentos, principalmente em projetos ligados aos corredores de exportação. A MRS concluiu um ciclo de R$ 2 bilhões em investimentos na Baixada Santista, com obras para ampliar a capacidade ferroviária de acesso ao Porto de Santos. O projeto incluiu novos pátios e a modernização de trechos da malha.

Em Mato Grosso, a Rumo entregou a primeira fase da Ferrovia de Mato Grosso, com 162 quilômetros de extensão. O projeto prevê investimentos de cerca de R$ 5 bilhões e busca ampliar a conexão entre as áreas produtoras do Estado e a malha ferroviária que leva as cargas aos portos.

Os investimentos ocorrem em paralelo à necessidade de ampliar a infraestrutura para acompanhar o crescimento dos fluxos de cargas. Portos e ferrovias estão entre os ativos que concentram projetos de expansão, sobretudo em regiões ligadas ao agronegócio e ao comércio exterior.

Para a KPMG, a retração do mercado de fusões e aquisições está relacionada principalmente à menor atividade de concessões rodoviárias. Ao mesmo tempo, a movimentação em portos e aeroportos e a entrada de grupos estrangeiros em ativos logísticos mantiveram parte da dinâmica do setor no primeiro semestre.

Fique por dentro de todas as novidades do setor de transporte de carga e logística:
Siga o canal da Transporte Moderno no WhatsApp
Acompanhe nossas redes sociais: LinkedInInstagram e Facebook
Inscreva-se no canal do Videocast Transporte Moderno

Veja também

CEO
Marcelo Fontana
[email protected]
Editora
Aline Feltrin
[email protected]
/aline-feltrin
Repórter
Valéria Bursztein
[email protected]
/valeria-bursztein
Executivo de contas
Tânia Nascimento
[email protected]
Raul Urrutia
[email protected]
Financeiro
Vidal Rodrigues
[email protected]
Eventos corporativos / Marketing
Barbara Ghelen
[email protected]
Publicidade
Karoline Jones
[email protected]
Representante região Sul (PR/RS/SC)
Gilberto A. Paulin
+55 (41) 3029-0563
João Batista A. Silva
[email protected]

Aviso de reprodução Este conteúdo pode ser compartilhado com responsabilidade

Este conteúdo pode ser reproduzido, desde que seja citada a fonte com link: Agência Transporte Moderno. Respeitar a autoria e indicar a origem da informação contribui para fortalecer o bom jornalismo e a produção de conteúdo confiável.