Emissões da frota, consumo de combustível, segurança dos trabalhadores e capacidade de manter as operações durante eventos climáticos extremos poderão integrar a avaliação de empresas e projetos de transporte feita por bancos e investidores. Uma metodologia que será lançada em 17 de setembro pretende organizar esses indicadores e oferecer uma visão mais detalhada dos riscos ambientais e sociais do setor.
Desenvolvido pela associação Soluções Inclusivas Sustentáveis (SIS), o questionário abrange o transporte rodoviário de cargas, o transporte coletivo de passageiros e os sistemas ferroviários de cargas e passageiros. Caminhões, ônibus, metrôs, trens metropolitanos, ferrovias e veículos leves sobre trilhos (VLTs) estão entre os segmentos contemplados.
Na prática, a ferramenta poderá ajudar instituições financeiras a identificar quais empresas estão mais preparadas para a transição energética e para enfrentar interrupções provocadas por eventos climáticos. Para as transportadoras, a avaliação aumenta a importância de reunir dados sobre eficiência da frota, emissões, segurança, fornecedores e medidas de adaptação.
A SIS, no entanto, ainda não informou quais instituições financeiras adotarão a metodologia nem se os resultados poderão interferir nas condições ou na aprovação de financiamentos.
Leia mais
Mercado Livre reduz Correios a menos de 5% das entregas
Cummins prepara fábrica de Osasco para nova geração de eixos
IAA 2026: veja os caminhões que Mercedes-Benz, Volvo, Tesla e outras gigantes vão apresentar
Transporte emitiu 221 milhões de toneladas de CO₂e
O setor concentra parcela relevante das emissões brasileiras. Em 2024, as atividades de transporte emitiram cerca de 221 milhões de toneladas de dióxido de carbono equivalente (CO₂e), segundo o Sistema de Estimativas de Emissões e Remoções de Gases de Efeito Estufa (SEEG).
O transporte de cargas respondeu por 118,7 milhões de toneladas, enquanto o deslocamento de passageiros, individual e coletivo, somou 102,7 milhões.
A dependência do modal rodoviário aumenta o desafio da descarbonização. Dados da Empresa de Pesquisa Energética (EPE) mostram que as rodovias concentraram 71% da atividade do transporte de cargas em 2024, ante 16,9% das ferrovias. No transporte de passageiros, o modal rodoviário individual respondeu por 64% da atividade e o coletivo, por 28%.
A exposição das empresas à transição energética não depende apenas das emissões atuais. Também envolve idade e eficiência da frota, disponibilidade de combustíveis alternativos, infraestrutura de abastecimento ou recarga e capacidade financeira para investir em tecnologias menos poluentes.
Eventos extremos entram na avaliação
O questionário inclui indicadores de eficiência energética, adoção de combustíveis e tecnologias de baixa ou zero emissão, controle da poluição atmosférica e riscos existentes na cadeia de fornecedores. Também será considerada a capacidade de adaptação das operações às mudanças climáticas. Chuvas intensas, enchentes, deslizamentos e ondas de calor podem interromper rodovias e ferrovias, danificar veículos e instalações, aumentar custos e comprometer prazos de entrega.
A análise não ficará restrita aos aspectos ambientais. A ferramenta considera saúde e segurança dos trabalhadores, acessibilidade para pessoas com deficiência, proteção e conforto dos passageiros, atendimento a regiões de baixa renda e qualidade do transporte coletivo.
Esses fatores podem afetar custos, reputação, continuidade operacional e capacidade de investimento. A proposta é permitir que financiadores e empresas identifiquem vulnerabilidades antes da concessão do crédito ou da realização de novos projetos.
Referências internacionais
A SIS utilizou padrões nacionais e internacionais de sustentabilidade e divulgação de informações climáticas, como TNFD, GRI, SBTi, IFRS S1 e S2 e IFC. A metodologia também considera critérios presentes nas taxonomias sustentáveis aplicáveis ao setor.
O questionário será apresentado durante o 19º Bate-papo Inclusivo e Sustentável, evento on-line e gratuito. O debate sobre transportes terrestres terá a participação de Sofia Zanella Carra, diretora de Transição Climática do Climate Finance Hub. A apresentação da ferramenta será conduzida por Luciane Moessa, diretora-executiva e técnica da SIS.
Fique por dentro de todas as novidades do setor de transporte de carga e logística:
Siga o canal da Transporte Moderno no WhatsApp
Acompanhe nossas redes sociais: LinkedIn, Instagram e Facebook
Inscreva-se no canal do Videocast Transporte Moderno



