A expansão do pedágio eletrônico sem cancelas abriu espaço para uma nova modalidade de fraude. Desde o início de 2026, a empresa de cibersegurança Kaspersky identificou 480 sites falsos identificou 480 sites falsos que simulam cobranças do Free Flow. Desse total, 80 novos domínios foram encontrados desde maio.
O alerta ganha relevância com a integração das passagens pelo Free Flow ao aplicativo CNH do Brasil. Desde 24 de agosto, o motorista pode consultar no app a placa do veículo, a data e o local da passagem, o valor da tarifa, a concessionária responsável, o prazo para pagamento e a situação do débito.
O pagamento, porém, não é processado diretamente pelo aplicativo. A plataforma direciona o usuário para um canal oficial da concessionária que administra a rodovia. Para quem utiliza uma tag válida, nada muda: a cobrança continua sendo realizada automaticamente pela operadora contratada.
Segundo a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), a integração cria um ponto centralizado para acompanhar as passagens e receber alertas, reduzindo a necessidade de procurar na internet os sites das concessionárias — justamente uma das brechas aproveitadas pelos criminosos.
Sites exibem dados reais dos veículos
O golpe começa, geralmente, quando o motorista pesquisa na internet como consultar ou pagar uma tarifa do Free Flow. Anúncios patrocinados e links compartilhados nas redes sociais levam a páginas que reproduzem a aparência de plataformas oficiais.
Depois que a placa é informada, o site apresenta um suposto débito em aberto. Para tornar a cobrança convincente, os golpistas exibem dados reais do veículo e um valor baixo, compatível com o preço de um pedágio. O pagamento é solicitado via Pix e direcionado a contas controladas por terceiros.
Até o momento, a Kaspersky afirma não ter identificado aplicativos falsos que imitem especificamente o CNH do Brasil. A empresa alerta, no entanto, para a existência de aplicativos com nomes semelhantes nas lojas digitais, o que pode confundir os motoristas.
“A medida de unificar a consulta e a orientação para o pagamento do Free Flow no aplicativo da CNH do Brasil é muito positiva. Antes, o motorista precisava buscar na internet o site de cada concessionária, e essa busca acabava criando uma oportunidade para os golpistas”, afirma Fabio Assolini, pesquisador líder de segurança da Kaspersky.
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Pagamento deve ser feito em até 30 dias
Nas rodovias federais concedidas, quem não possui tag deve pagar a tarifa em até 30 dias após a passagem pelo pórtico, conforme o modelo adotado pela ANTT. Depois desse prazo, o não pagamento pode ser considerado evasão de pedágio, sujeita às penalidades previstas no Código de Trânsito Brasileiro.
O aplicativo CNH do Brasil informa o vencimento e o canal habilitado para quitação. A ANTT também mantém uma ferramenta para localizar os pórticos, trechos e concessionárias responsáveis pelo Free Flow nas rodovias federais concedidas.
Como evitar o golpe
O motorista deve baixar o CNH do Brasil somente pelas lojas oficiais e verificar se o aplicativo é desenvolvido pelo Governo Federal. Links recebidos por SMS, WhatsApp, e-mail ou redes sociais não devem ser usados para instalar programas ou pagar tarifas.
Também é necessário desconfiar de anúncios patrocinados que aparecem nos resultados de busca. Antes de acessar uma página, o usuário deve conferir cuidadosamente o endereço e, preferencialmente, entrar no site da concessionária digitando o endereço oficial no navegador.
Na hora do pagamento, é importante verificar o nome e o CNPJ do destinatário do Pix. Cobranças direcionadas a pessoas físicas ou empresas desconhecidas são sinais de fraude.
Quem já realizou um Pix para uma página falsa deve comunicar imediatamente o banco e solicitar a abertura do Mecanismo Especial de Devolução (MED). O Banco Central permite fazer o pedido em até 80 dias, mas recomenda agir o mais rapidamente possível. A devolução não é garantida, pois depende da análise do caso e da existência de recursos na conta recebedora. Também é recomendável guardar comprovantes, capturas de tela e registrar boletim de ocorrência.
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