O presidente Luiz Inácio Lula da Silva descartou a possibilidade de privatização dos Correios durante sabatina no Jornal Nacional, na quinta-feira (27). Candidato à reeleição pelo PT nas eleições de 2026, Lula foi questionado pelo jornalista CésarTralli sobre a situação financeira e operacional da estatal e afirmou que a empresa “não se adaptou a um novo tempo” e perdeu espaço para concorrentes no mercado de entregas.
“Não se adaptou. Fugiu muita empresa de fazer entrega e o Correio ficou na mesmice”, afirmou o presidente. Lula disse que os Correios são uma empresa importante para o país por estarem presentes em todos os municípios brasileiros. Ao mesmo tempo, reconheceu a necessidade de mudanças na operação e nas contas da estatal.
Segundo o presidente, a nova administração dos Correios terá a responsabilidade de promover o “enxugamento” necessário das despesas. Ele também admitiu a possibilidade de estabelecer associações com empresas privadas. “Se for necessário fazer associação com uma empresa, nós faremos com uma empresa brasileira ou com uma empresa estrangeira”, disse Lula. Ao ser questionado novamente se considerava vender os Correios, o presidente respondeu que não.
A estatal encerrou 2025 com prejuízo de R$ 8,5 bilhões, mais de três vezes o resultado negativo registrado no ano anterior. No primeiro trimestre de 2026, os Correios registraram prejuízo de R$ 3,16 bilhões, ante R$ 1,72 bilhão no mesmo período de 2025. No fim de 2025, os Correios contrataram R$ 12 bilhões em operações de crédito para reforçar o caixa e financiar as medidas previstas no plano de reestruturação.
Plano prevê redução de custos e modernização
Os Correios estruturaram um plano de reestruturação para o período de 2025 a 2027. Entre as medidas previstas estão a redução de despesas, a modernização da infraestrutura, a automação de processos, a revisão da estrutura operacional e a busca de novas fontes de receita.
O plano também prevê medidas relacionadas à rede de atendimento e à estrutura de pessoal, além da possibilidade de estabelecer parcerias para ampliar a capacidade de geração de receitas e reduzir custos. A estratégia tem como um dos objetivos recuperar o equilíbrio financeiro da empresa e criar condições para que os Correios voltem a registrar lucro em 2027.
Durante a entrevista, Lula relacionou parte das dificuldades dos Correios às mudanças ocorridas no mercado de entregas. Nos últimos anos, o crescimento do comércio eletrônico ampliou a participação de transportadoras privadas, operadores logísticos e empresas especializadas em entregas de encomendas. Marketplaces também passaram a desenvolver estruturas próprias ou contratar diferentes operadores para distribuir mercadorias.
Nesse ambiente, os Correios passaram a disputar uma parcela maior do mercado de encomendas com empresas privadas, ao mesmo tempo em que mantêm a obrigação de prestar serviços postais em todo o território nacional. A capilaridade é um dos principais diferenciais da estatal. Os Correios estão presentes nos 5.570 municípios brasileiros, o que permite atender localidades que não necessariamente apresentam o mesmo potencial econômico dos grandes centros e corredores de transporte.
Parcerias são admitidas
Embora tenha descartado a privatização, Lula afirmou que os Correios poderão recorrer a associações com empresas privadas para melhorar sua atuação. A possibilidade está alinhada ao próprio processo de reestruturação da estatal, que prevê parcerias como uma das alternativas para ampliar receitas e modernizar atividades.
As associações podem envolver diferentes áreas da operação, dependendo dos projetos definidos pela administração, incluindo tecnologia, logística, transporte e distribuição. O modelo, segundo a posição apresentada por Lula, mantém o controle dos Correios nas mãos do Estado, mas permite a participação de empresas privadas em determinadas atividades.
Durante a sabatina, Lula também foi questionado se garantia que os Correios conseguiriam sair da crise. “Garanto. Vai sair desse longo, vai sair dessa dívida. Garanto”, respondeu o presidente. A declaração reforça a posição do governo de manter a estatal sob controle público e concentrar a estratégia na recuperação financeira e operacional da empresa. O
O plano de reestruturação dos Correios tem 2027 como horizonte para a retomada do lucro. Entre as frentes previstas estão o controle de despesas, a modernização da operação, a busca de novas receitas e o fortalecimento do negócio de encomendas. Na entrevista, Lula descartou a venda da estatal, mas reconheceu que os Correios precisam se adaptar às transformações ocorridas no mercado de entregas.
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