Reiter compra 220 caminhões a gás e estreia Scania elétrico

Maior aquisição de modelos a gás da Scania no País será acompanhada pelo primeiro cavalo mecânico elétrico da marca vendido no Brasil

Valeria Bursztein

A Reiter Log está acelerando os investimentos para reduzir a participação do diesel em sua frota. A transportadora adquiriu 220 caminhões a gás da Scania, na maior negociação desse tipo já realizada pela fabricante no Brasil, e começa a colocar em operação o primeiro cavalo mecânico elétrico da marca comercializado no País.

Com os novos veículos, que serão entregues até dezembro, a companhia projeta superar 600 caminhões movidos por fontes alternativas em operação. Atualmente, mais de 40% de sua frota já utiliza essas tecnologias, segundo a Reiter.

A aquisição amplia uma estratégia iniciada em escala com a Scania em 2021, quando a transportadora comprou 124 caminhões R 410 movidos a gás natural e biometano, em um negócio superior a R$ 100 milhões. Na época, a operação representou o maior volume desse tipo de veículo negociado pela fabricante no Brasil até então.

Cinco anos depois, o novo lote de 220 unidades mais que supera aquela primeira aquisição e mostra uma mudança importante na escala da operação. Parte dos veículos já está vinculada à ampliação de contratos e novos negócios com embarcadores interessados em reduzir as emissões de suas cadeias logísticas.

O movimento também representa uma evolução em relação ao cenário apresentado por Vinícius Reiter Pilz, presidente da Reiter Log, à Agência Transporte Moderno durante a Fenatran de 2024. Na ocasião, o executivo informou que a empresa já havia destinado cerca de R$ 300 milhões a iniciativas sustentáveis, dos quais aproximadamente R$ 40 milhões à implantação de infraestrutura de abastecimento. A meta estabelecida pela companhia é ter toda a frota operando com fontes alternativas até 2035.

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Infraestrutura própria amplia rotas

A expansão da frota, porém, exigiu investimentos que vão além da compra dos caminhões. Diante de uma rede de abastecimento ainda limitada para operações rodoviárias de longa distância, a Reiter optou por instalar estruturas próprias para garantir o fornecimento de gás e biometano ao longo de suas rotas.

Atualmente, a empresa mantém nove pontos próprios de abastecimento, denominados pit stops. A estrutura permite realizar operações com caminhões a gás ligando o Rio Grande do Sul a Minas Gerais, Goiás, Espírito Santo e Rio de Janeiro.

A estratégia procura resolver um dos principais entraves à expansão dos combustíveis alternativos no transporte rodoviário: a necessidade de garantir abastecimento ao longo das rotas sem comprometer autonomia, produtividade e disponibilidade dos veículos.

“A logística verde deve aliar a redução das emissões de gases de efeito estufa à sustentabilidade financeira. Buscamos personalizar as soluções de acordo com a demanda e as necessidades de cada cliente”, afirma Vinícius Reiter Pilz. Entre os embarcadores atendidos pela Reiter em rotas verdes estão L’Oréal, Natura, Grupo Boticário, Suzano, Mondelez, Copersucar, Femsa, Coty e Beiersdorf.

A ampliação da infraestrutura também ajuda a explicar por que a empresa consegue avançar no uso do biometano em percursos mais longos. Em uma operação da Copersucar, por exemplo, caminhões da Reiter transportam açúcar em um corredor verde de cerca de 700 km até o Porto de Santos utilizando combustível renovável produzido a partir de resíduos da cadeia sucroenergética.

Elétrico na estratégia multienergética

Ao mesmo tempo em que amplia a frota a gás e biometano, a Reiter começa a operar o primeiro cavalo mecânico elétrico 30 G 4×2 vendido pela Scania no Brasil. O caminhão foi adquirido durante a Fenatran 2024 e é destinado principalmente a operações de curta distância, distribuição e transferências entre centros logísticos. Quando anunciou a venda, a Scania indicava o modelo para percursos de até 200 quilômetros.

Foto: Divulgação

A aplicação é diferente daquela reservada aos caminhões a gás e biometano, direcionados também às operações rodoviárias de longa distância. A estratégia da Reiter, portanto, não está concentrada em uma única tecnologia: a empresa combina veículos a gás e biometano, híbridos e elétricos de acordo com as características de cada operação.

“Acreditamos que a transformação do transporte de cargas passa pela combinação de diferentes tecnologias, e é isso que temos construído na Reiter: soluções movidas a gás e biometano, veículos híbridos e elétricos”, afirma Vanessa Reiter Pilz, vice-presidente de ESG da Reiter Log.

A diversificação também aparece nas compras realizadas com outros fabricantes. Em fevereiro deste ano, a Reiter recebeu 55 Iveco S-Way, dos quais 15 na versão NG, preparada para operar com gás natural e biometano. Na ocasião, a fabricante informou que esses veículos se somariam a outros 290 caminhões a gás que já integravam a frota da transportadora.

Biometano amplia redução das emissões

A escolha do combustível é determinante para o resultado ambiental dos caminhões a gás. Embora gás natural e biometano possam ser utilizados nesses veículos, os impactos sobre as emissões de gases de efeito estufa são diferentes.

O biometano, produzido a partir da purificação do biogás obtido de resíduos orgânicos, permite reduções significativamente maiores das emissões quando considerada a cadeia do combustível. A própria Reiter informa em seus materiais de sustentabilidade redução de até 95% das emissões de CO₂ com suas soluções a GNV/biometano, dependendo do combustível e da aplicação. Já nos elétricos, a vantagem está na ausência de emissões diretas durante a operação, característica que favorece principalmente aplicações urbanas, distribuição e rotas dedicadas.

A demanda dos próprios embarcadores começa a ganhar peso na decisão de investimento. Se nas primeiras aquisições a Reiter comprava os veículos para depois oferecer a alternativa aos clientes, parte do novo lote já chega respaldada pela ampliação de contratos e por novos negócios.

A mudança é relevante para a viabilidade econômica da descarbonização do transporte pesado: além do custo dos veículos, a operação exige investimentos em abastecimento, garantia de fornecimento do combustível e volume de carga suficiente para manter os ativos produtivos.

Com a chegada dos 220 novos caminhões e do primeiro cavalo mecânico elétrico da Scania, a Reiter passa agora ao desafio de levar essa estratégia a uma escala maior. A meta permanece a mesma anunciada em 2024 à Agência Transporte Moderno: chegar a 2035 com toda a frota operando com fontes alternativas ao diesel.

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