O comércio exterior brasileiro em contêineres acelerou no acumulado de janeiro a maio de 2026, impulsionado principalmente pelo crescimento das importações. O volume movimentado por operadores de transporte internacional (OTIs, na sigla em inglês) chegou a 974,1 mil TEUs no período, alta de 16% em relação aos 839,5 mil TEUs registrados nos cinco primeiros meses de 2025, segundo levantamento da consultoria Datamar.
O avanço ampliou a disputa entre grandes empresas de logística internacional que atuam no país, em um mercado que reúne operadores globais e companhias brasileiras especializadas em agenciamento de cargas, transporte marítimo e soluções integradas para comércio exterior.
Nas exportações, o crescimento foi mais moderado. Os volumes movimentados por OTIs somaram 406,2 mil TEUs entre janeiro e maio de 2026, alta de 5,1% na comparação anual. O levantamento da Datamar considera os chamados Ocean Transportation Intermediaries (OTIs), empresas responsáveis pela organização do transporte marítimo internacional, incluindo contratação de espaço em navios, consolidação de cargas, coordenação logística e serviços associados.
A Allog Transportes Internacionais liderou o ranking de exportadores entre os OTIs que atuam no Brasil. A companhia movimentou 32,9 mil TEUs entre janeiro e maio de 2026, volume 69,1% superior ao registrado no mesmo período de 2025. A empresa alcançou participação de 8,1% do mercado.
Na segunda posição ficou a ES Logistics, com 22,5 mil TEUs movimentados, crescimento de 3,1%. A Kuehne+Nagel ficou em terceiro lugar, com 20,4 mil TEUs, retração de 9,4% na comparação anual.
Entre os maiores avanços nas exportações brasileiras, a CSA do Brasil registrou crescimento de 96,5%, alcançando 8,3 mil TEUs. A Maersk também apresentou forte expansão, com alta de 109,2%, para 5,5 mil TEUs. Outro destaque foi a Scan Global Logistics, que aumentou em 242,4% o volume exportado, passando de 1,3 mil TEUs para 4,6 mil TEUs.
Importações concentram crescimento
O principal movimento do mercado brasileiro no período veio das importações. O volume movimentado pelos OTIs passou de 839,5 mil TEUs entre janeiro e maio de 2025 para 974,1 mil TEUs em igual intervalo de 2026.
A liderança ficou com a Asia Shipping, que movimentou 94,2 mil TEUs e manteve praticamente o mesmo patamar do ano anterior, com participação de 9,7%. A segunda posição ficou com a CTS Global Logistics Brazil, que apresentou forte expansão. A empresa saiu de 199 TEUs em 2025 para 36,8 mil TEUs em 2026, crescimento de 18.378,4%.
A Kuehne+Nagel permaneceu entre os principais operadores de importação, com 31 mil TEUs, apesar da queda de 1,9%. Já a ES Logistics ampliou em 42% o volume movimentado, chegando a 30,6 mil TEUs. A Scan Global Logistics também ganhou participação, com crescimento de 548% nas importações, para 26,6 mil TEUs.
Apesar da presença de grandes operadores, o mercado brasileiro de logística internacional continua pulverizado. Nas exportações, os 50 maiores OTIs responderam por 68,1% do volume movimentado entre janeiro e maio de 2026. Os demais operadores representaram 31,9% do mercado.
Nas importações, a concentração foi ainda menor. Os 50 maiores operadores responderam por 65,7% do total, enquanto outros participantes movimentaram 334,4 mil TEUs, equivalentes a 34,3%.
O cenário mostra uma disputa crescente por participação em um mercado influenciado pela evolução dos fluxos internacionais de mercadorias, especialmente importações de bens industrializados, componentes, máquinas e produtos de maior valor agregado.
América do Sul apresenta cenários diferentes
O levantamento da Datamar também acompanha Argentina, Paraguai e Uruguai. Na Argentina, as exportações em contêineres ficaram praticamente estáveis entre janeiro e maio de 2026, com movimentação de 48,6 mil TEUs, queda de 0,4% em relação ao mesmo período anterior. As importações recuaram 10,4%, para 162,8 mil TEUs.
Já no Paraguai e Uruguai, houve expansão dos fluxos. As exportações cresceram 28,6%, para 14,2 mil TEUs, enquanto as importações avançaram 23,6%, chegando a 70,4 mil TEUs.Segundo a Datamar, os rankings são elaborados a partir de múltiplas fontes de dados, que passam por processos de consolidação, cruzamento e ajustes pela equipe de inteligência da empresa.
Ranking dos principais OTIs no Brasil — janeiro a maio de 2026
Fonte: Datamar/DataLiner — ranking divulgado em 16 de julho de 2026.
Exportações em contêineres (TEU)
| Posição | Empresa | Volume (TEU) | Variação anual |
|---|---|---|---|
| 1 | Allog Transportes Internacionais | 32.895 | +69,1% |
| 2 | ES Logistics | 22.521 | +3,1% |
| 3 | Kuehne+Nagel | 20.414 | -9,4% |
| 4 | DSV | 14.309 | +35,0% |
| 5 | Amtrans | 13.961 | +35,5% |
| 6 | DHL | 10.263 | +9,6% |
| 7 | DC Logistics Brasil | 9.328 | +2,5% |
| 8 | CSA do Brasil | 8.344 | +96,5% |
| 9 | Intermar Afretamento & Agenciamento | 8.124 | +5,8% |
| 10 | Asia Shipping | 7.643 | +7,6% |
Importações em contêineres (TEU)
| Posição | Empresa | Volume (TEU) | Variação anual |
|---|---|---|---|
| 1 | Asia Shipping | 94.206 | +1,2% |
| 2 | CTS Global Logistics Brazil | 36.772 | +18.378,4% |
| 3 | Kuehne+Nagel | 31.047 | -1,9% |
| 4 | ES Logistics | 30.613 | +42,0% |
| 5 | DSV | 28.521 | -13,0% |
| 6 | Scan Global Logistics | 26.599 | +548,0% |
| 7 | Allog Transportes Internacionais | 24.584 | +10,6% |
| 8 | DC Logistics Brasil | 23.468 | -6,0% |
| 9 | Hand Line | 20.263 | +16,2% |
| 10 | Craft | 19.890 | -13,3% |
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