Chinesas ampliam aposta no mercado naval brasileiro

Presença de fornecedores cresce em meio a novo ciclo de investimentos em construção naval, portos, dragagem e atividades offshore

Valeria Bursztein

O novo ciclo de investimentos na indústria naval e na infraestrutura portuária brasileira começa a atrair maior atenção de fornecedores chineses. Um dos sinais desse movimento aparece na Navalshore 2026, evento do setor da indústria naval realizado no Rio de Janeiro e que terá 19 empresas da China entre seus expositores, ante apenas quatro na edição passada.

O avanço ocorre em um mercado que voltou a movimentar volumes expressivos de recursos. O Fundo da Marinha Mercante (FMM) desembolsou R$ 3,85 bilhões para o setor naval e aquaviário em 2025, alta de 107,4% sobre o ano anterior. No período, os projetos aprovados pelo fundo somaram cerca de R$ 32 bilhões. Em março deste ano, uma nova rodada aprovou outros R$ 6 bilhões em investimentos, envolvendo 95 obras.

A presença chinesa já aparece também em projetos de infraestrutura portuária. Em novembro de 2025, foi anunciado um acordo de mais de R$ 1,5 bilhão com o grupo chinês CMPort para expansão do Terminal de Contêineres de Paranaguá (PR).

Dragagem e logística

Entre as empresas chinesas que chegam à Navalshore pela primeira vez estão a Julong Intel-Tech, fabricante de equipamentos de dragagem, e a Qingdao XJZ International Logistics, especializada em logística marítima e suprimentos para embarcações.

A Julong, que já exporta equipamentos para 95 países, pretende buscar distribuidores e parceiros no Brasil, mirando a demanda por dragagem de portos e canais de navegação. A Qingdao XJZ vê o país como porta de entrada para sua expansão na América do Sul, com serviços de armazenagem alfandegada, fornecimento de peças e logística para embarcações.

“O aumento de quase cinco vezes no número de expositores da China demonstra a relevância da feira no cenário internacional”, afirma Rosângela Vieira, diretora da Navalshore.

A feira será realizada de 18 a 20 de agosto, no Rio de Janeiro. O salto de quatro para 19 empresas chinesas não permite, isoladamente, medir o avanço da China no mercado naval brasileiro, mas reforça o interesse de fornecedores daquele país por um setor que voltou a receber investimentos de grande porte.

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