Um terremoto de magnitude 7,4 registrado na Colômbia na segunda-feira (10) levou autoridades e operadores portuários a acionarem protocolos de emergência e iniciarem inspeções na infraestrutura logística. Conforme divulgado incialmente pela agência Mundo Marítimo, o tremor provocou danos severos em áreas do oeste colombiano, mas as primeiras informações sobre os principais complexos portuários indicavam continuidade das operações em diferentes regiões.
O epicentro foi registrado próximo a San José del Palmar, no departamento de Chocó. O abalo foi sentido em cidades como Cali, Pereira, Manizales e Bogotá.
A Direção-Geral Marítima da Colômbia (Dimar) descartou ameaça de tsunami para a costa do Pacífico. Já a Agência Nacional de Infraestrutura (ANI) mobilizou equipes para avaliar aeroportos, ferrovias, rodovias concedidas e instalações portuárias.
Portos inspecionam estruturas antes de liberar operações
Nas regiões portuárias de Cartagena, Tumaco, Urabá e Golfo de Morrosquillo, as avaliações iniciais não identificaram danos graves à infraestrutura nem suspensão das operações, segundo a Agência Nacional de Infraestrutura (ANI) da Colômbia.
A atenção também se concentrou em Buenaventura, principal complexo portuário colombiano no Pacífico. No TCBuen, a APM Terminals acionou os protocolos de emergência e de continuidade operacional logo após o terremoto. O procedimento incluiu a evacuação preventiva e, posteriormente, inspeções na infraestrutura e nos equipamentos do terminal.
Em situações desse tipo, a retomada das atividades não ocorre automaticamente após o fim do tremor. Os protocolos preveem a verificação das condições de cais, estruturas, equipamentos de movimentação e demais instalações críticas para identificar eventuais danos que possam comprometer a segurança das pessoas ou da operação. A liberação das áreas é feita à medida que as condições de segurança são confirmadas.
No TCBuen, as equipes trabalhavam na inspeção das instalações e no restabelecimento das atividades em condições seguras, enquanto mantinham o monitoramento da situação. Não havia indicação, até então, de danos relevantes no terminal.
Fora dos portos, as verificações também alcançaram a infraestrutura terrestre. Na malha ferroviária, a ANI registrou a queda de um muro na estação La Cumbre, no departamento de Valle del Cauca. Os corredores ativos continuavam sendo inspecionados para verificar possíveis danos e as condições para manutenção das operações de cargas e passageiros.
Comércio com Brasil
Eventuais interrupções prolongadas na infraestrutura logística colombiana também poderiam repercutir sobre o comércio com o Brasil, embora não haja, até agora, indicação de impacto relevante nos fluxos bilaterais provocado pelo terremoto.
A Colômbia respondeu por cerca de 1,1% das exportações brasileiras nos primeiros quatro meses de 2026. As vendas para o país cresceram no período, com destaque para veículos de passageiros, petróleo e carnes, segundo levantamento do FGV Ibre baseado em dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex/MDIC).
A relação comercial também envolve fluxos colombianos em direção ao Brasil. Somente as exportações de bens colombianos não minerometalúrgicos e não energéticos para o mercado brasileiro alcançaram US$ 1,12 bilhão em 2025, crescimento de 17,7%, segundo o Ministério de Comércio, Indústria e Turismo da Colômbia.
No agronegócio, o Brasil exportou US$ 863 milhões para a Colômbia em 2024, principalmente produtos florestais e itens do complexo sucroalcooleiro.
O impacto sobre esses fluxos dependerá da extensão dos danos e, principalmente, de eventuais restrições em portos, aeroportos e corredores terrestres. Até o momento, as informações disponíveis apontam para inspeções preventivas e não para uma paralisação generalizada da infraestrutura logística colombiana.
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